À ESPERA DO “BILHETE PREMIADO”

moro loteriamoro loteria 2“Ir para o STF seria como ganhar na loteria.” (Sérgio Moro, ministro bolsonarista da Justiça, em entrevista ao jornal português Expresso, em 23 de março de 2019).

O decreto das armas, assinado por Bolsonaro na última terça-feira, dia 7 de maio, foi mais uma rasteira dada pelo Bolsonaro no Moro. Sérgo Moro, aliás vem deixando-se ser usado de forma patética e ridícula pelo governo de extrema-direita na expectativa de, como ele mesmo declarou, “ganhar na loteria” (denominação de Moro à sua provável nomeação para Ministro do STF em 2020 em troca da prisão de Lula que elegeu Bolsonaro). Agora, a notícia divulgada por diversos veículos é que o decreto das armas, que teoricamente receberia parecer do Ministério da Justiça e, portanto, de Sérgio Moro, foi assinado sem a análise e sem o aval do “marreco de Maringá”. Com isso, Bolsonaro vai dando asas à sua sanha armamentista, para delírio de psicopatas que vibram com cortes na educação e aplaudem o bang-bang institucionalizado.

Mas Moro já havia sido passado para trás. Quando o ex-justiceiro teve acesso ao texto do decreto, a versão era uma. Depois, após a assinatura de Bolsonaro, o texto continha enxertos que não foram do conhecimento de Moro. E o principal de todos esses enxertos foi foi o aumento considerável do número de profissionais aos quais seriam permitidos o uso de armas. Quando Moro teve acesso ao texto, “apenas” 9 categorias profissionais poderiam andar armadas. Após a publicação do decreto no Diário Oficial, esse número já era 19. Ou seja, 10 categorias foram acrescentadas no decreto, mais do que o dobro, sem que Moro fosse consultado ou avisado. Mais uma vez, Moro fez papel de panaca. Como já tinha feito, ao ceder às pressões de políticos para fatiar a lei anticrime. Como já tinha feito, ao ter a nomeação de uma suplente de um conselho anulada por Bolsonaro. E agora, novamente, Moro foi o panaca do governo Bozo após ver publicado um decreto que deveria ter seu aval. E que Bolsonaro vai dizer que teve. Mas não teve. Isso sem contar as vexaminosas derrotas políticas do justiceiro de Curitiba, como a que tirou o COAF da jurisdição de seu Ministério. Ele submete-se a tudo. Tudo em nome do “bilhete premiado da loteria”.

Chego a comparar o papel de Sérgio Moro no governo Bolsonaro aos ridículos papéis que Zico e Pelé tiveram, respectivamente, nos governos Collor e FHC. Ambos ídolos; ambos incólumes; ambos iriam mudar os rumos do futebol brasileiro e levá-lo à “modernização”. Sem contar que acabariam com a “escravidão” no futebol do Brasil. Então, emprestaram seus nomes e os escritores fantasmas fizeram a lei que até hoje é a farra dos empresários do futebol. No caso de Moro, a Taurus agradece. Moro, do mesmo modo, desde o início vem se prestando ao papel ridículo de chancelar atos de destruição do Brasil em larga escala. Porque ele faz parte do governo que está destruindo a educação, o meio-ambiente e quer acabar com a previdência pública. E o outrora futuro super-ministro, que não tem poder nem para nomear suplente de conselho, é passado para trás com enxertos no decreto das armas. Até porque, no governo Bolsonaro, quem dá as cartas são os seus núcleos de sustentação. Ocorre que Moro não é militar. Moro não é olavista. Moro não é evangélico. Moro é um simples cartório, que empresta seu nome, autentica barbaridades e fica na expectativa de “ganhar na loteria”. Mal sabe ele que o “bilhete premiado” pode nem sair. Porque o Bolsonaro pode até sair antes…

 

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