OU GOVERNA OU SAI

bolsonaro e jânioNão vamos falar mais em “coincidências”, mas em fatos e/ou aspectos comuns que podem nos levar a pensar o atual contexto político brasileiro. Temos visto, tanto na mídia impressa como nos sites, aquilo que alguns já estão chamando de “o fantasma de Jânio Quadros”, o Presidente que foi eleito em 1960 em cima de um discurso moralista, de combate à corrupção ( na qual ele dizia que passaria a vassoura) e que governou muito em cima de bilhetinhos, porém escritos à mão e em um português impecável. Jânio não tinha interlocução com o Congresso e preocupou-se muito mais em proibir o uso de biquínis e brigas de galo do que com questões relevantes para o país. As “forças terríveis” o impediam de governar. Então, sete meses depois de empossado, mandou o vice João Goulart para a China e renunciou, na expectativa de implorarem por sua volta. Aí, ele iria impor suas condições e uma delas seria tornar o país “governável”. Entenda-se: “governável” seria um país sem Congresso, sem diálogo, sem pressões. Deu no que deu.

As semelhanças são muitas. Bolsonaro também foi eleito em cima de um discurso moralista e anti-corrupção. Bolsonaro, a exemplo de Jânio, embora tenha sido parlamentar por 30 anos, agora no Executivo mostra total incapacidade de interlocução com o Congresso. Tanto que, na última semana, uma das notícias de destaque foi o Congresso “trazer para si” a reforma da previdência, por absoluta falta de competência na articulação governista. Bolsonaro também governa por “bilhetinhos”, só que pelo twitter e com um português sofrível. E, pelo visto, parece que Bolsonaro “terceirizou” o recado que quis mandar, ao replicar um texto que falava de um “Brasil ingovernável, a menos que seja pelos conchavos”. Bolsonaro, embora sua vida parlamentar tenha sido nula, conhece o funcionamento do Congresso. Ele sabe que o presidencialismo no Brasil é “parlamentarizado” e a coalizão, ou seja, o entendimento com o Congresso, é a via para a governabilidade. Que se pare com essa conversa vitimista de que “foi enganado ou traído”. Até porque Bolsonaro foi eleito muito mais em cima do anti-petismo do que do bolsonarismo.

Claro que dialogar e negociar com o Congresso tem um ônus. Mas este não é a “compra” de votos ou os conchavos. E se até antigos apoiadores estão começando a sair do barco, é porque efetivamente não assinaram um cheque em branco. E nessa o Lobão não está sozinho. Perguntem aos meninos do MBL e ao seu líder, Renan Santos. Perguntem ao bispo Marcos Pereira, líder do PRB. Perguntem à pós-doutora Janaína Paschoal. Perguntem ao Flávio Rocha, dono da Riachuelo. Perguntem ao Delfim Netto.

Sarney, quando a atual Constituição foi promulgada, durante o seu governo, disse a mesma coisa: que a Constituição tornaria o país “ingovernável”. E ele terminou o seu governo de forma impopular, porém, não por culpa da Constituição. Sarney vinha de um longo período em que presidentes não escolhidos pelo povo podiam “fazer e andar” para o Congresso. Sarney acostumou-se a isso, pois sempre foi um apoiador do regime militar. Quando a Presidência da República caiu em seu colo, ainda vigorava a Constituição do regime militar, a de 1967, embora mais remendada do que fantasia de caipira em festa junina. Sarney foi o único Presidente que, em seu mandato, governou sob duas Constituições. Ao dizer que a de 1988 tornava o país “ingovernável”, é porque ele sentiu na pele o que é governar tendo que dialogar e com base em uma Constituição legitimada pelo povo, que elegeu a Constituinte.

Geralmente, quando governantes não conseguem e nem aprendem a dialogar, vem uma tentativa de autogolpe. Ou golpe simplesmente. O próprio Jânio Quadros admitiu que sua renúncia foi uma tentativa de golpe. Isso, pouco antes de morrer, em 1992. Talvez Jânio, com essa confissão, tenha tentado reparar a história do desastre que cometeu ao usar a renúncia como chantagem. Pelo menos, revelando a verdade. A confissão foi feita ao seu neto, um ano antes de falecer e depois revelada no livro “Jânio Quadros: memorial à história do Brasil”, que tem como um dos autores o seu próprio neto. Se a revelação da confissão de Jânio pode, para alguns, ter sido uma traição do neto ao seu avô, ao menos foi uma fidelidade à história. Ficou a lição de que chantagens do tipo janistas não colam.

Ninguém pode afirmar com precisão a intenção de Bolsonaro ao compartilhar o tal texto sobre a “governabilidade fora dos conchavos”.  Mas pensar todos podem. Seria apenas um recado? Uma ameça? Uma capitulação? Ou uma “roleta russa” política (que faz mais o seu estilo)?  Bolsonaro parece sentir-se traído. O texto prevê o apocalipse para o país, como a inflação e mais desemprego. O texto que, ao repassar,  Bolsonaro “assinou em baixo”, fala dos governos “reféns das corporações”. Mas ele próprio, Bolsonaro, passou todos os seus quase 30 anos de vida parlamentar em defesa apenas de uma corporação (os militares). Se isso existe mesmo, então ele é um dos grandes responsáveis pela posição de refém que hoje diz, no texto que repassou, estar sofrendo.

Claro que as comparações com Jânio devem-se ao fato de o texto, que poderíamos chamar de uma “carta”, sugerir, ainda que longinquamente, a renúncia. Bolsonaro também dá a entender estar sendo traído, abandonado. Quando ele, de fato, vai começar a governar? Quando a “ficha vai cair” e ele acordar para o fato de que a campanha já acabou? Quando ele vai aterrissar de seus voos delirantes e odiosos? Até porque o povo, ao elegê-lo, não lhe deu um par de asas para ir onde bem entender. Em relação a isso, há uma passagem sobre Jânio Quadros que data de 16 de fevereiro de 1992, dia de sua morte. Vamos a ela:

Durante o velório de Jânio Quadros, um rapaz chorava muito diante do caixão do ex-Presidente. Não era parente. Não era amigo. Apenas um simples desconhecido perante todos que ali estavam. Então, um repórter perguntou:

_ Rapaz, você gostava tanto assim do Presidente?

_ Sim, esse homem um dia salvou a minha vida.

_ Como salvou a sua vida?

_ Certa vez, quando ele era prefeito de São Paulo, eu descobri que minha mulher havia me traído. Então, eu ia cometer o suicídio. Subi no alto de um prédio e ia pular. Nisso, Jânio Quadros passou em seu carro e parou. Dirigiu-se a mim e, quando falei de minha desgraça, ele ordenou:

Desça já daí rapaz! A tua mulher te colocou um par de chifres e não um par de asas!

Bolsonaro foi eleito. Em nenhum momento os derrotados nas urnas, ao contrário dos derrotados de 2014, disseram que iriam “tacar fogo no país”. Até porque quem está tacando fogo no país é o próprio Presidente. E quem está minando o seu governo são seus próprios núcleos de apoiadores: o guru, os filhos, os ministros.

Bolsonaro que se decida: ou governa ou sai. Até porque está claro que, na eleição de 2018, o eleitor “não deu asas à cobra” e há muito que já não há mais espaço para chantagens do tipo janista. Pior: se hoje o Presidente quiser fazer na política o papel do rapaz que disse ter tido a vida salva por Jânio, lembre-se:  não haverá nenhum “Jânio” para demovê-lo da ideia.

 

 

 

A FORÇA DA EDUCAÇÃO NAS RUAS

manifestações de 15 de maioO dia 15 de maio de 2019 entrará para a história brasileira como o dia em que o povo foi às ruas em defesa da educação, das universidades e das escolas públicas. Os criminosos cortes de verbas do governo Bolsonaro na educação comprometem o futuro e o desenvolvimento do país. Os órgãos de informação do governo já sabiam que seriam manifestações de grande porte, tamanho o descontentamento até de quem não é da oposição. Então, se Bolsonaro tinha uma viagem (aliás, sem nenhuma importância) aos Estados Unidos, esta deveria ser cancelada. Mais uma vez a covardia do capitão que não enfrenta debates e que não enfrenta o Parlamento falou mais alto. Ele refugiou-se nos Estados Unidos. O “mito”, na verdade é mitomaníaco. Ele foi ao Texas, dizendo ter um encontro com o ex-Presidente George Bush que nem o próprio Bush sabia. Mas talvez isso não seja nada para quem tem uma ministra que diz ter visto Jesus em uma goiabeira.

Enquanto Bolsonaro refugiava-se nos Estados Unidos, milhões de estudantes, professores, pesquisadores e cientistas protestavam pelo Brasil, em 150 cidades de todas as unidades da Federação. O grito da Educação ecoou muito mais forte do que os ataques que esta vem sofrendo do governo Bolsonaro. Em todo Brasil as escolas e universidades pararam, em protesto contra a destruição do ensino, da pesquisa e do desenvolvimento tecnológico pelo governo Bolsonaro. Enquanto isso, Bolsonaro, sempre de longe, chamava os professores, estudantes e pesquisadores de “idiotas úteis”, em mais uma declaração que demonstra o despreparo para o diálogo e o transtorno mental de quem deveria ter uma postura de Presidente. Então, mais uma vez, coube ao vice Mourão ter uma postura de estadista e afirmar que as manifestações “fazem parte do sistema democrático”. Simples assim. Mas certamente, para Bolsonaro, ter uma postura minimamente democrática é muito mais difícil do que saber a fórmula da água ou o resultado de 7 X 8.

Enquanto o covarde e despreparado Presidente refugiava-se no Texas, seu ministro igualmente despreparado da “deseducação” era desfigurado na Câmara dos Deputados. Até parlamentares da base aliada criticavam os criminosos cortes, eufemisticamente chamados de “contingenciamento”, para uma possível barganha chantagista já anunciada pelo ministro da Economia, ao afirmar que os cortes podem ser revistos em caso da aprovação da reforma da previdência. Chantagem baixa do ministro-preposto dos banqueiros.

Em menos de 5 meses de governo, as manifestações deste 15 de maio nos trazem um alento. Jamais um governo foi tão repudiado em tão pouco tempo. E isso mostra que a defesa da educação certamente será mais forte do que as agressões do atual governo. Ficamos com a certeza de que a Educação como um todo saiu fortalecida. Também ficamos na certeza de que o governo saiu muito enfraquecido. Há também uma certeza que não poderia deixar de ser citada: a de que, nesta luta, ser chamado de “idiota” por Bolsonaro, é para nós motivo de um orgulho incomensurável.

SANTA COINCIDÊNCIA!

38Começo o artigo de hoje citando, mais uma vez, o grande matemático brasileiro Júlio César de Mello e Souza, mais conhecido como Malba Tahan. Em um de seus livros, “Macktub”, Malba Tahan conta a história do doutor Samuel Spier, que era um “colecionador de coincidências” e que foi pedir a consultoria de um matemático para aferir valores numéricos às coincidências que encontrava pela vida. A “coincidência” sobre a qual falaremos a seguir seria digna de entrar na coleção do doutor Samuel Spier, o célebre personagem de Malba Tahan.

.38 é o clube de tiro, em Santa Catarina, na cidade de São José, na Grande Florianópolis, frequentado  pelos filhos de Bolsonaro, Carlos e Eduardo. O local é um dos “sets” do teatro de Eduardo Bolsonaro, que faz questão que os seus treinos sejam filmados para que depois sejam postados nas redes sociais. O Clube e Escola de Tiro .38 possui uma clientela permanente de frequentadores. É o caso dos associados, que pagam entre 99 e 189 reais de mensalidade para o treino de bang-bang. 99 reais, por exemplo é o preço de um pacote de 15 tiros de revólver ou pistola, com a duração máxima de uma hora. Mas há pacotes mais sofisticados, e muito caros, para os associados. Até policiais da Swat, vez por outra, ministram cursos, que custam, em um fim de semana, cerca de 6 mil reais. Carlos e Eduardo Bolsonaro já fizeram esse curso. Mas o clube também admite clientes não associados, para treinos avulsos. E um desses clientes avulsos foi exatamente Adélio Bispo de Oliveira, o homem que esfaqueou Bolsonaro, no episódio que o pastor fascista Silas Malafaia chamou de “facada santa”.

Mas há uma extrema coincidência em relação à presença de Adélio Bispo de Oliveira no mesmo clube de tiro frequentado pelos Bolsonaros. A presença de Adélio no clube já era uma coincidência conhecida. Quem pensaria que o agressor e os filhos da vítima frequentassem o mesmo clube? Porém, a coincidência é bem maior do que poderíamos imaginar. Isso porque Adélio Bispo e Carlos Bolsonaro frequentaram o clube no mesmo período. Teria sido um encontro marcado? Quem sabe? Não sei…

Sabe-se hoje que Carlos Bolsonaro esteve no clube nos dias 7, 8 e 9 de julho, sábado, domingo e segunda-feira. E sabe-se, também, que quem esteve no mesmo local, nessas mesmas datas, foi Adélio Bispo. As informações estão contidas em um perfil do Twitter chamado Mohammed Al-Khwarizmi, que reproduziu conteúdos do Instagram. Adélio chegou ao clube de tiro e realizou todos os procedimentos de um não associado, cadastrando-se, confirmando seus dados pessoais e apresentando um documento de identidade com foto. Tudo no mesmo período em que Carlos Bolsonaro frequentou o clube.

Em 20 de agosto, pouco mais de duas semanas antes do atentado, Adélio partiu para Juiz de Fora e, no dia 6 de setembro, aconteceria a então “facada santa”, como a classificou o fascista Silas Malafaia. Aliás, foi estranho, no meio de milhares de fascistas, Adélio ter saído incólume, sem ter levado sequer um peteleco da turma do “tiro, porrada e bomba”. Bolsonaro, então, cresceria nas pesquisas.

Santa facada. Santa coincidência…

 

MORO, A MEDIDA 29 E A “COERÊNCIA” (OU FALTA DELA)

moro stf“Aquele que, nos quatro anos anteriores tenha ocupado mandato eletivo federal ou cargo de procurador-geral da República, advogado-geral da União ou ministro de Estado não poderá ser indicado para o STF.” (Medida 29, das 70 apoiadas por Moro contra a corrupção no país).

O ex-juiz e político Sérgio Moro quer ser Ministro do STF. No troca-troca com Bolsonaro, a negociação já está fechada. Moro foi fundamental na vitória de Bolsonaro ao tirar, ilegalmente, o ex-Presidente Lula da disputa. Agora, o político Sérgio Moro espera receber a sua gratificação vitalícia, que é ser nomeado para a mais alta Corte do Judiciário brasileiro. Ontem, Dia das Mães, Bolsonaro garantiu o “presente de mãe” que dará como compensação ao lavajateiro-tucano-justiceiro-inconstitucional, ao confirmar que indicará o seu aliado político e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, para ministro do STF.

Ocorre que, se Moro for coerente, principalmente com o que ele defendia no passado, não poderá ser indicado ministro do STF. Considero difícil Moro ser coerente. Vejam o caso do “caixa 2” que ele, no passado, dizia ser pior do que corrupção e depois arrefeceu em sua tipificação, até fatiando o projeto inicial. Vejam o caso do “interesse público” quando, no passado, divulgou ilegalmente um áudio da ex-Presidente Dilma para a Rede Globo, alegando “interesse público”. Porém, como ministro, reuniu-se sigilosamente dom a Taurus. Agora, já era “segredo de Estado”, mandando às favas o “interesse público”. Vejam o que dizia de não negociar com políticos. Ele não apenas negociou, como submeteu-se a eles, fatiando o projeto anticrime para separar o “caixa 2”.

Agora Moro será submetido a um novo “teste de fidelidade”. E não tem nada a ver com sua mulher. Trata-se da fidelidade às suas bandeiras, às suas ideias “moralizadoras”, à sua coerência. Será que ele lembra das famosas “70 Medidas Anticorrupção” que ele próprio, Dallagnol e “lavajateiros” de um modo geral lançaram, e que até virou livro de cabeceira de “moralizadores” como o próprio Moro? Pois bem, dentre essas medidas, que Moro e seus parceiros tanto defenderam, inclusive Bolsonaro, quem ocupa o cargo de ministro de Estado não pode ser indicado para ministro do STF. Em outras palavras: se Moro for coerente (o que é difícil) com ele mesmo, ele terá que ser o primeiro a dizer que não pode ser indicado como ministro do STF, tendo em vista suas tão propagadas posições pretéritas. E agora José?

Referimo-nos especialmente à medida número 29, das 70 elencadas por Moro e outros “lavajateiros”, que é tão clara como a “regra para Arnaldo”:

“Aquele que, nos quatro anos anteriores tenha ocupado mandato eletivo federal ou cargo de procurador-geral da República, advogado-geral da União ou ministro de Estado não poderá ser indicado para o STF.”

Moro já falou que ir para o STF seria como “ganhar na loteria”. Mas, como fica a medida 29 por ele apoiada e propagada como um dos 70 pilares anticorrupção para o Brasil? Ele já mudou em relação ao “caixa 2”. Ele também já mudou em relação ao “interesse público”. Ele também já mudou em relação a submeter-se a pressões de políticos. Onde está a coerência desse herói-fake? Talvez o bilhete premiado e sujo explique.

 

PARA ASTRÓLOGO, FROTA É FRUTA

frota fruta“O Alexandre Fruta era um ator pornô. Hoje é só pornô.” (Olavo de Carvalho, o astrólogo-guru do governo Bolsonaro, em 11 de maio de 2019).

O festival de baixarias que marca as relações entre os apoiadores de Bolsonaro parece não ter fim. E a grande metralhadora dessas baixarias vem lá dos Estados Unidos: trata-se do astrólogo-guru de Richmond, que ofende deputados, militares, ministros e praticamente dita os caminhos tortuosos e fundamentalistas do governo Bolsonaro. O bolsonarismo, que aglutina forças conservadoras, retrógradas e reacionárias, está em franco processo de autofagia. E talvez o governo e seus aliados nem precisem de oposição, porque eles se auto-destroem.

Agora foi a vez do ex-ator pornô, Alexandre Frota, ser o alvo da fúria verborrágica do astrólogo-rasputin. Olavo de Carvalho, em seu twitter, disse que “Alexandre Frota é fruta”, numa inequívoca intenção pejorativa de dizer que Frota é homossexual. O astrólogo segue bem a sua própria cartilha. Uma das “lições” mais importantes do astrólogo a seus pupilos é aquela que ensina a destruir os adversários e não as ideias. O próprio Bolsonaro e seu clã fascista praticam inequivocamente esse ensinamento. Mas não se trata de destruir apenas adversários. A máxima é a mesma até para supostos aliados. Em qualquer governo existem rusgas (e não rugas, senhor Moro!) entre os próprios aliados e o bom senso diz que, em casos assim, o Presidente, caso seja um líder, deve interferir para que o clima seja serenado. Mas isso jamais será o caso de Bolsonaro, que não é capaz nem mesmo de defender os militares, que ele sempre defendeu, dos ataques insanos do astrólogo-guru-rasputin.

Depois do Vice-Presidente, de vários ministros, de militares e de parlamentares do próprio PSL, agora chegou a vez do Alexandre Frota ser chamado de “fruta” pelo guru fundamentalista. Tudo por causa da possível filiação do jornalista José Luiz Datena ao PSL, que já vem sendo costurada para que Datena seja candidato a prefeito de São Paulo pelo partido de Bolsonaro. Frota teria criticado Bolsonaro pela possível admissão de Datena no partido. Então, de quebra, foi chamado de “caroneiro” por Eduardo Bolsonaro, que afirmou que Frota só se elegeu deputado federal nas costas do sucesso eleitoral de seu pai.

É bom assistir a esses caras sentindo na pele o veneno do ódio que eles próprios inocularam no país. Agora que chupem, porque não é de uva!

À ESPERA DO “BILHETE PREMIADO”

moro loteriamoro loteria 2“Ir para o STF seria como ganhar na loteria.” (Sérgio Moro, ministro bolsonarista da Justiça, em entrevista ao jornal português Expresso, em 23 de março de 2019).

O decreto das armas, assinado por Bolsonaro na última terça-feira, dia 7 de maio, foi mais uma rasteira dada pelo Bolsonaro no Moro. Sérgo Moro, aliás vem deixando-se ser usado de forma patética e ridícula pelo governo de extrema-direita na expectativa de, como ele mesmo declarou, “ganhar na loteria” (denominação de Moro à sua provável nomeação para Ministro do STF em 2020 em troca da prisão de Lula que elegeu Bolsonaro). Agora, a notícia divulgada por diversos veículos é que o decreto das armas, que teoricamente receberia parecer do Ministério da Justiça e, portanto, de Sérgio Moro, foi assinado sem a análise e sem o aval do “marreco de Maringá”. Com isso, Bolsonaro vai dando asas à sua sanha armamentista, para delírio de psicopatas que vibram com cortes na educação e aplaudem o bang-bang institucionalizado.

Mas Moro já havia sido passado para trás. Quando o ex-justiceiro teve acesso ao texto do decreto, a versão era uma. Depois, após a assinatura de Bolsonaro, o texto continha enxertos que não foram do conhecimento de Moro. E o principal de todos esses enxertos foi foi o aumento considerável do número de profissionais aos quais seriam permitidos o uso de armas. Quando Moro teve acesso ao texto, “apenas” 9 categorias profissionais poderiam andar armadas. Após a publicação do decreto no Diário Oficial, esse número já era 19. Ou seja, 10 categorias foram acrescentadas no decreto, mais do que o dobro, sem que Moro fosse consultado ou avisado. Mais uma vez, Moro fez papel de panaca. Como já tinha feito, ao ceder às pressões de políticos para fatiar a lei anticrime. Como já tinha feito, ao ter a nomeação de uma suplente de um conselho anulada por Bolsonaro. E agora, novamente, Moro foi o panaca do governo Bozo após ver publicado um decreto que deveria ter seu aval. E que Bolsonaro vai dizer que teve. Mas não teve. Isso sem contar as vexaminosas derrotas políticas do justiceiro de Curitiba, como a que tirou o COAF da jurisdição de seu Ministério. Ele submete-se a tudo. Tudo em nome do “bilhete premiado da loteria”.

Chego a comparar o papel de Sérgio Moro no governo Bolsonaro aos ridículos papéis que Zico e Pelé tiveram, respectivamente, nos governos Collor e FHC. Ambos ídolos; ambos incólumes; ambos iriam mudar os rumos do futebol brasileiro e levá-lo à “modernização”. Sem contar que acabariam com a “escravidão” no futebol do Brasil. Então, emprestaram seus nomes e os escritores fantasmas fizeram a lei que até hoje é a farra dos empresários do futebol. No caso de Moro, a Taurus agradece. Moro, do mesmo modo, desde o início vem se prestando ao papel ridículo de chancelar atos de destruição do Brasil em larga escala. Porque ele faz parte do governo que está destruindo a educação, o meio-ambiente e quer acabar com a previdência pública. E o outrora futuro super-ministro, que não tem poder nem para nomear suplente de conselho, é passado para trás com enxertos no decreto das armas. Até porque, no governo Bolsonaro, quem dá as cartas são os seus núcleos de sustentação. Ocorre que Moro não é militar. Moro não é olavista. Moro não é evangélico. Moro é um simples cartório, que empresta seu nome, autentica barbaridades e fica na expectativa de “ganhar na loteria”. Mal sabe ele que o “bilhete premiado” pode nem sair. Porque o Bolsonaro pode até sair antes…

 

FALA LETÍCIA!

apexCombati incansavelmente a corrupção e fechei as torneiras que a alimentavam. Estou pagando o preço. Sofri pressão de dentro do governo pela manutenção de contratos espúrios, além de ameaças e difamações. Não me intimidei!” (Letícia Catelani, demitida da Apex, em twitter postado em 7 de maio de 2019).

Mais um “arquivo vivo” deixa o governo Bolsonaro e, ao que tudo indica, um arquivo que mais parece um barril de pólvora. A empresária-bolsonarista-olavista Letícia Catelani acaba de ser demitida da Apex (Agência de Promoção à Exportação). O órgão é subordinado ao Ministério das Relações Exteriores. Pelo twitter, a agora ex-diretora de negócios da agência fez graves acusações sobre corrupção, contratos espúrios, ameaças e difamações. Letícia Catelani é ligada a Eduardo Bolsonaro, o “ministro de fato” das Relações Exteriores.

Seria bom para o país, especialmente para os eleitores “moralistas” do Bolsonaro, que votaram “contra a corrupção”, que a dona Letícia esclarecesse os casos de corrupção e contratos espúrios que afirmou existirem na agência e que a fizeram pagar o preço por tentar combatê-los. Quais os casos de corrupção? Quais os contratos que seriam espúrios? Quem pressionou a ex-diretora e com qual finalidade? As acusações são gravíssimas. Tomara que a dona Letícia não suma, como já sumiriam o Bebianno e o Queiroz. Mas ela parece ser bem falante. Então, fala Letícia!