MORO É SÓ DERROTA!

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Desde que aceitou fazer parte do governo Bolsonaro, o “ex-futuro-super-ministro” Sérgio Moro só vem acumulando derrotas. Tanto dentro do governo como no Congresso. Primeiro, foi obrigado a conviver e a ter como colega de Ministério uma pessoa que ele considera mais criminosa do que o próprio Lula. Sim, porque Moro já havia afirmado, antes de ser ministro, em uma palestra nos Estados Unidos, que “o crime de caixa 2 é pior do que o de corrupção”. Esse episódio virou até piada da família Marinho na Globo. Pouco depois, seu companheiro de Ministério, Onyx Lorenzoni, confessou, em um vídeo, ter praticado o crime de caixa 2. Moro então, já no governo, teve que “entubar” e “perdoou” Onyx. Primeira grande derrota. Primeiro grande “mico”. Primeira renúncia de seus princípios.

Depois, Moro foi desautorizado por Bolsonaro. Isso, só porque o “justiceiro de Curitiba” havia nomeado uma suplente (isso mesmo, suplente!), para um conselho consultivo que não tem qualquer poder de decisão. Foi no episódio em que Moro havia nomeado a cientista política Ilona Szabó como suplente do Conselho de Política Criminal e Penitenciária. Moro apenas “lamentou” o veto presidencial. Onde estava o “super-ministro”? Onde estava a “carta branca” que Moro teria? Mais uma derrota. Mais um “mico”.

Depois, foi o fatiamento do projeto anticrime, logo após pressão dos políticos. Logo Moro, que sempre afirmou que não cederia às pressões de políticos, principalmente em se tratando de temas como corrupção e caixa 2. Então, cedendo às pressões e contrariando seus princípios impolutos, Moro fatiou o projeto, deixando o caixa 2 de fora. Festa para os políticos. Mais um “mico” e outra derrota para Moro.

No Congresso, Moro conseguiu até ser esculachado por ninguém menos do que Rodrigo Maia, o “Botafogo” da lista de propinas da Odebrecht, quando Maia o chamou de “funcionário do Bolsonaro”. Só faltava essa. Um investigado pelo STF esculachar o “herói lavajeteiro”. Que derrota!

Depois foi o projeto de posse das armas, que foi anunciado por Bolsonaro sem mesmo ter o parecer de Moro, visto que Bolsonaro o anunciou menos de 24 horas após enviá-lo ao Ministério da Justiça. Claro que Moro nada leu. Mas, oficialmente, chancelou. Outro “mico”, outra derrota.

E agora, em mais outra retumbante derrota, a Câmara dos Deputados decidiu que o COAF deve ficar no Ministério da Economia e não no da Justiça. Moro simplesmente “lamentou o ocorrido”. E, certamente, ele que, em menos de 5 meses de governo já lamentou muito, ainda terá muito o que lamentar.

Tudo por causa de um “bilhete premiado” (leia-se, a vaga no STF), que pode até nem sair. Enquanto isso, aquela imagem do “juiz tudo posso” vai sendo erodida em um governo que ele nada apita e ainda tem que jogar no lixo suas mais sólidas convicções.

Percebe-se, apesar de Moro não admitir, o desconforto em que o Ministro da Justiça encontra-se no governo Bolsonaro. Pior: ele não pode sair (olha a vaga no STF!) E Bolsonaro, evidentemente, não pode nem pensar em demiti-lo. Que situação! E lembremos que a “casa lotérica” pode até fechar…

 

 

O PREPOSTO DOS BANQUEIROS

paulo-guedes.jpg“Pego um avião e vou morar lá fora. Já tenho idade para me aposentar.” (Paulo Guedes, o ministro-preposto dos banqueiros, ameaçando deixar o Ministério caso a reforma da previdência não seja aprovada do modo como foi encomendada pelos banqueiros, em entrevista publicada em 24 de maio de 2019).

Paulo Guedes não é ministro. Paulo Guedes é um preposto dos banqueiros, que ocupa um dos nichos do tumultuado e desastroso governo Bolsonaro, com a finalidade de aprovar a reforma da previdência que os banqueiros querem. E o que os bancos privados querem? Querem acabar com o sistema de previdência pública e impor a capitalização para engordarem ainda mais os seus nababescos lucros.

E por que dizemos que Paulo Guedes não é um ministro? Porque ninguém, na condição de ministro, jamais diria que entregará o cargo caso um projeto apresentado não seja aprovado pelo Congresso (no caso, o projeto da reforma da previdência). Essa chantagem mostra que ele só está ali para um único propósito: aprovar a reforma que os banqueiros encomendaram. Guedes falou que já tem idade de se aposentar. Então, acrescentou, pegaria um avião e iria morar lá fora. Mas ele não se aposentaria com o teto do INSS. Guedes, como todos aqueles que defendem a reforma da previdência, não será afetado por ela.

Um ministro, quando representa o país e não um grupo de interesses privados, caso tenha um projeto rejeitado pelo Parlamento, deverá buscar saídas alternativas ou negociar as mudanças apontadas pelo Legislativo. É para isso que ele está lá. Na verdade, a chantagem de Paulo Guedes dirige-se a parlamentares de direita, da própria base do governo que, mesmo sendo do governo, reconhecem os absurdos e os ônus que a reforma representará para quem, realmente, necessita da previdência pública.

Colocar a previdência nas mãos dos banqueiros e vender o Brasil, sob todos os aspectos, é a missão de Guedes. Como podemos imaginar um trabalhador indo resolver com um banqueiro a sua própria aposentadoria? E não estamos falando de aposentadoria complementar.

Imagino até uma improvável possibilidade de negociação, porém, só para mostrarmos de quem, realmente, Paulo Guedes está a serviço: suponhamos que a oposição aceitasse a tal “capitalização”, sob a condição de que esta só pudesse ser feita em bancos públicos. Será que Guedes aceitaria essa condição?

Tenho certeza de que essa não precisa nem perguntar para o “Posto Ipiranga”.

GOVERNO BOZO: DESAPROVAÇÃO JÁ SUPERA APROVAÇÃO

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Pela primeira vez, desde a posse, a desaprovação ao governo Bolsonaro superou a aprovação. A constatação é da consultoria Atlas Político, que divulgou nesta terça-feira, dia 21 de maio, o resultado de sua pesquisa, que mostra que 36,2% da população considera a gestão presidencial como ruim ou péssima. A queda na aprovação já vem sendo registrada desde abril e não chega a ser novidade.

Antes mesmo de completar cinco meses no poder, o governo já acumula uma incontável série de vexames e atos desastrosos, escândalos e “balbúrdia” dentro dos próprios quadros do governo. A nível interno, o ataque às universidades, escolas e estudantes foi a gota d’água para a maior manifestação de repulsa contra um Presidente em tão pouco tempo de governo já registrada em nossa história. Mas desde o início que o governo é um desastre: a total incompetência do Presidente para interagir com o Congresso; o despreparo absoluto de ministros, que vivem falando asneiras; a desmoralização a que vem sendo submetido Sérgio Moro, que já mostrou que não “apita” nada em seu Ministério (nem uma suplente de Conselho pôde nomear); os “shows escatológicos” presidenciais via twitter; a influência total de um astrólogo-rasputin-charlatão que nem no Brasil vive , mas que nomeia até ministros; a falta de um projeto do governo para os problemas do país, visto que o Presidente permanece eternamente “em campanha” e só pensa em armar a população, agora até com fuzil; os escândalos de candidaturas “laranjas” de seu partido, que desviaram verbas do fundo eleitoral; o escândalo Queiroz-família Bolsonaro; uma agenda destrutiva ao meio ambiente, até reconhecida por todos os ex-ministros de governos anteriores em recente reunião; os ataques dos filhos ao Vice-Presidente, a ministros e militares de um modo geral. Já no plano externo, o vexame na Conferência de Davos, a subserviência ancilar ao governo Trump, a temerária proposta de transferir a embaixada brasileira em Israel para Jerusalém e a defenestração do Presidente em Nova Iorque é apenas parte do que explica o resultado da pesquisa da consultoria Atlas Político.

É necessário acrescentar que todo esse desastre do governo é confirmado até mesmo por antigos apoiadores e por grupos políticos da própria direita. Muitos já pularam e outros estão pulando do barco, cientes da enrascada em que se meteram. Bolsonaro mostrou ser um “jacobino da direita” e, pelo visto, acabará sozinho com meia dúzia de fanáticos fundamentalistas. Já se fala até em uma “direita anti-Bolsonaro”, porque até os seus antigos pares não estão mais suportando tanta incompetência, sandice, radicalismo e despreparo técnico e emocional de Bolsonaro, que desde o primeiro dia de seu governo jamais teve uma postura de estadista. Até a “pós-doutora” Janaína Paschoal questionou, recentemente, a sanidade mental de Jair Bolsonaro. Quando que um governo com menos de cinco meses no poder teria que, desesperadamente, convocar uma manifestação a seu favor em razão da onda de descrédito, desilusão e arrependimento de quem votou cegamente apenas pelo ódio?

Nunca é demais lembrar que, ao contrário dos derrotados de 2014, a atual oposição jamais questionou o resultado eleitoral e em momento algum disse, como disse o crápula do Aécio Neves, ao perder a eleição, que “iria incendiar o país”.  O desespero governista é tanto, que o próprio Bolsonaro e seus filhos “ministros de fato” já estão até indo a programas de auditório de emissoras de televisão cooptadas para fazer propaganda e pedir votos para a reforma da previdência. Malafaia, Edir Macedo e o cafetão de São Paulo estão convocando para a manifestação pró-Bozo no dia 26. Foi noticiado que o próprio Bolsonaro afirmou que não comparecerá. Ele sabe que, até quem pariu Mateus, ou melhor, “Messias”, não quer, agora, embalá-lo.

 

 

OREMOS PELO CAFETÃO!

cafetão bolsonarista“Bolsonaro precisa de nós para mudar este país, chega destes políticos antigos podres e deste STF corporativo e irresponsável com a pátria.” (Oscar Maroni Filho,  cafetão e dono de um luxuoso bordel em São Paulo, via WhatsApp, convocando para a manifestação pró-Bolsonaro do dia 26 de maio, organizada pelos “evangélicos”). 

Oscar Maroni Filho é o cafetão dono de um dos mais luxuosos bordeis de São Paulo, o “Bahamas Night Club”. O local é muito conhecido pela frequência de “casais liberais” e “mulheres profissionais”. Oscar Maroni Filho é bem conhecido da Polícia e da Justiça. Em 2006 ele teve a prisão preventiva decretada. Posteriormente, o cafetão bolsonarista foi condenado, em 2011, a 11 anos e 8 meses de reclusão pelos crimes de favorecimento à prostituição e por manter local para encontros libidinosos. Ele também foi o promotor do concurso “Miss Garota de Programa”. Oscar Maroni Filho, apesar de condenado, está solto e continua mantendo os seus negócios na prostituição.

Agora, uma suposta nova “Marcha com Deus pela família e liberdade”, em apoio a Bolsonaro, convocada por aqueles que pedem para “orarmos pelo Brasil”,  vai ter a companhia do cafetão condenado pela Justiça e sua trupe de clientes padrão “vip”. Claro, além de outros defensores da “família” e da “moral”.

Oscar Maroni Filho é um defensor da “família”, da “moral” e dos “bons costumes”. Por isso, ele estará junto com a turma do “Deus acima de todos”, contra o Congresso e contra o Poder Judiciário. E a favor de Bolsonaro.

Oremos pelo Brasil! Oremos pelo cafetão!

 

 

OU GOVERNA OU SAI

bolsonaro e jânioNão vamos falar mais em “coincidências”, mas em fatos e/ou aspectos comuns que podem nos levar a pensar o atual contexto político brasileiro. Temos visto, tanto na mídia impressa como nos sites, aquilo que alguns já estão chamando de “o fantasma de Jânio Quadros”, o Presidente que foi eleito em 1960 em cima de um discurso moralista, de combate à corrupção ( na qual ele dizia que passaria a vassoura) e que governou muito em cima de bilhetinhos, porém escritos à mão e em um português impecável. Jânio não tinha interlocução com o Congresso e preocupou-se muito mais em proibir o uso de biquínis e brigas de galo do que com questões relevantes para o país. As “forças terríveis” o impediam de governar. Então, sete meses depois de empossado, mandou o vice João Goulart para a China e renunciou, na expectativa de implorarem por sua volta. Aí, ele iria impor suas condições e uma delas seria tornar o país “governável”. Entenda-se: “governável” seria um país sem Congresso, sem diálogo, sem pressões. Deu no que deu.

As semelhanças são muitas. Bolsonaro também foi eleito em cima de um discurso moralista e anti-corrupção. Bolsonaro, a exemplo de Jânio, embora tenha sido parlamentar por 30 anos, agora no Executivo mostra total incapacidade de interlocução com o Congresso. Tanto que, na última semana, uma das notícias de destaque foi o Congresso “trazer para si” a reforma da previdência, por absoluta falta de competência na articulação governista. Bolsonaro também governa por “bilhetinhos”, só que pelo twitter e com um português sofrível. E, pelo visto, parece que Bolsonaro “terceirizou” o recado que quis mandar, ao replicar um texto que falava de um “Brasil ingovernável, a menos que seja pelos conchavos”. Bolsonaro, embora sua vida parlamentar tenha sido nula, conhece o funcionamento do Congresso. Ele sabe que o presidencialismo no Brasil é “parlamentarizado” e a coalizão, ou seja, o entendimento com o Congresso, é a via para a governabilidade. Que se pare com essa conversa vitimista de que “foi enganado ou traído”. Até porque Bolsonaro foi eleito muito mais em cima do anti-petismo do que do bolsonarismo.

Claro que dialogar e negociar com o Congresso tem um ônus. Mas este não é a “compra” de votos ou os conchavos. E se até antigos apoiadores estão começando a sair do barco, é porque efetivamente não assinaram um cheque em branco. E nessa o Lobão não está sozinho. Perguntem aos meninos do MBL e ao seu líder, Renan Santos. Perguntem ao bispo Marcos Pereira, líder do PRB. Perguntem à pós-doutora Janaína Paschoal. Perguntem ao Flávio Rocha, dono da Riachuelo. Perguntem ao Delfim Netto.

Sarney, quando a atual Constituição foi promulgada, durante o seu governo, disse a mesma coisa: que a Constituição tornaria o país “ingovernável”. E ele terminou o seu governo de forma impopular, porém, não por culpa da Constituição. Sarney vinha de um longo período em que presidentes não escolhidos pelo povo podiam “fazer e andar” para o Congresso. Sarney acostumou-se a isso, pois sempre foi um apoiador do regime militar. Quando a Presidência da República caiu em seu colo, ainda vigorava a Constituição do regime militar, a de 1967, embora mais remendada do que fantasia de caipira em festa junina. Sarney foi o único Presidente que, em seu mandato, governou sob duas Constituições. Ao dizer que a de 1988 tornava o país “ingovernável”, é porque ele sentiu na pele o que é governar tendo que dialogar e com base em uma Constituição legitimada pelo povo, que elegeu a Constituinte.

Geralmente, quando governantes não conseguem e nem aprendem a dialogar, vem uma tentativa de autogolpe. Ou golpe simplesmente. O próprio Jânio Quadros admitiu que sua renúncia foi uma tentativa de golpe. Isso, pouco antes de morrer, em 1992. Talvez Jânio, com essa confissão, tenha tentado reparar a história do desastre que cometeu ao usar a renúncia como chantagem. Pelo menos, revelando a verdade. A confissão foi feita ao seu neto, um ano antes de falecer e depois revelada no livro “Jânio Quadros: memorial à história do Brasil”, que tem como um dos autores o seu próprio neto. Se a revelação da confissão de Jânio pode, para alguns, ter sido uma traição do neto ao seu avô, ao menos foi uma fidelidade à história. Ficou a lição de que chantagens do tipo janistas não colam.

Ninguém pode afirmar com precisão a intenção de Bolsonaro ao compartilhar o tal texto sobre a “governabilidade fora dos conchavos”.  Mas pensar todos podem. Seria apenas um recado? Uma ameça? Uma capitulação? Ou uma “roleta russa” política (que faz mais o seu estilo)?  Bolsonaro parece sentir-se traído. O texto prevê o apocalipse para o país, como a inflação e mais desemprego. O texto que, ao repassar,  Bolsonaro “assinou em baixo”, fala dos governos “reféns das corporações”. Mas ele próprio, Bolsonaro, passou todos os seus quase 30 anos de vida parlamentar em defesa apenas de uma corporação (os militares). Se isso existe mesmo, então ele é um dos grandes responsáveis pela posição de refém que hoje diz, no texto que repassou, estar sofrendo.

Claro que as comparações com Jânio devem-se ao fato de o texto, que poderíamos chamar de uma “carta”, sugerir, ainda que longinquamente, a renúncia. Bolsonaro também dá a entender estar sendo traído, abandonado. Quando ele, de fato, vai começar a governar? Quando a “ficha vai cair” e ele acordar para o fato de que a campanha já acabou? Quando ele vai aterrissar de seus voos delirantes e odiosos? Até porque o povo, ao elegê-lo, não lhe deu um par de asas para ir onde bem entender. Em relação a isso, há uma passagem sobre Jânio Quadros que data de 16 de fevereiro de 1992, dia de sua morte. Vamos a ela:

Durante o velório de Jânio Quadros, um rapaz chorava muito diante do caixão do ex-Presidente. Não era parente. Não era amigo. Apenas um simples desconhecido perante todos que ali estavam. Então, um repórter perguntou:

_ Rapaz, você gostava tanto assim do Presidente?

_ Sim, esse homem um dia salvou a minha vida.

_ Como salvou a sua vida?

_ Certa vez, quando ele era prefeito de São Paulo, eu descobri que minha mulher havia me traído. Então, eu ia cometer o suicídio. Subi no alto de um prédio e ia pular. Nisso, Jânio Quadros passou em seu carro e parou. Dirigiu-se a mim e, quando falei de minha desgraça, ele ordenou:

Desça já daí rapaz! A tua mulher te colocou um par de chifres e não um par de asas!

Bolsonaro foi eleito. Em nenhum momento os derrotados nas urnas, ao contrário dos derrotados de 2014, disseram que iriam “tacar fogo no país”. Até porque quem está tacando fogo no país é o próprio Presidente. E quem está minando o seu governo são seus próprios núcleos de apoiadores: o guru, os filhos, os ministros.

Bolsonaro que se decida: ou governa ou sai. Até porque está claro que, na eleição de 2018, o eleitor “não deu asas à cobra” e há muito que já não há mais espaço para chantagens do tipo janista. Pior: se hoje o Presidente quiser fazer na política o papel do rapaz que disse ter tido a vida salva por Jânio, lembre-se:  não haverá nenhum “Jânio” para demovê-lo da ideia.

 

 

 

A FORÇA DA EDUCAÇÃO NAS RUAS

manifestações de 15 de maioO dia 15 de maio de 2019 entrará para a história brasileira como o dia em que o povo foi às ruas em defesa da educação, das universidades e das escolas públicas. Os criminosos cortes de verbas do governo Bolsonaro na educação comprometem o futuro e o desenvolvimento do país. Os órgãos de informação do governo já sabiam que seriam manifestações de grande porte, tamanho o descontentamento até de quem não é da oposição. Então, se Bolsonaro tinha uma viagem (aliás, sem nenhuma importância) aos Estados Unidos, esta deveria ser cancelada. Mais uma vez a covardia do capitão que não enfrenta debates e que não enfrenta o Parlamento falou mais alto. Ele refugiou-se nos Estados Unidos. O “mito”, na verdade é mitomaníaco. Ele foi ao Texas, dizendo ter um encontro com o ex-Presidente George Bush que nem o próprio Bush sabia. Mas talvez isso não seja nada para quem tem uma ministra que diz ter visto Jesus em uma goiabeira.

Enquanto Bolsonaro refugiava-se nos Estados Unidos, milhões de estudantes, professores, pesquisadores e cientistas protestavam pelo Brasil, em 150 cidades de todas as unidades da Federação. O grito da Educação ecoou muito mais forte do que os ataques que esta vem sofrendo do governo Bolsonaro. Em todo Brasil as escolas e universidades pararam, em protesto contra a destruição do ensino, da pesquisa e do desenvolvimento tecnológico pelo governo Bolsonaro. Enquanto isso, Bolsonaro, sempre de longe, chamava os professores, estudantes e pesquisadores de “idiotas úteis”, em mais uma declaração que demonstra o despreparo para o diálogo e o transtorno mental de quem deveria ter uma postura de Presidente. Então, mais uma vez, coube ao vice Mourão ter uma postura de estadista e afirmar que as manifestações “fazem parte do sistema democrático”. Simples assim. Mas certamente, para Bolsonaro, ter uma postura minimamente democrática é muito mais difícil do que saber a fórmula da água ou o resultado de 7 X 8.

Enquanto o covarde e despreparado Presidente refugiava-se no Texas, seu ministro igualmente despreparado da “deseducação” era desfigurado na Câmara dos Deputados. Até parlamentares da base aliada criticavam os criminosos cortes, eufemisticamente chamados de “contingenciamento”, para uma possível barganha chantagista já anunciada pelo ministro da Economia, ao afirmar que os cortes podem ser revistos em caso da aprovação da reforma da previdência. Chantagem baixa do ministro-preposto dos banqueiros.

Em menos de 5 meses de governo, as manifestações deste 15 de maio nos trazem um alento. Jamais um governo foi tão repudiado em tão pouco tempo. E isso mostra que a defesa da educação certamente será mais forte do que as agressões do atual governo. Ficamos com a certeza de que a Educação como um todo saiu fortalecida. Também ficamos na certeza de que o governo saiu muito enfraquecido. Há também uma certeza que não poderia deixar de ser citada: a de que, nesta luta, ser chamado de “idiota” por Bolsonaro, é para nós motivo de um orgulho incomensurável.

SANTA COINCIDÊNCIA!

38Começo o artigo de hoje citando, mais uma vez, o grande matemático brasileiro Júlio César de Mello e Souza, mais conhecido como Malba Tahan. Em um de seus livros, “Macktub”, Malba Tahan conta a história do doutor Samuel Spier, que era um “colecionador de coincidências” e que foi pedir a consultoria de um matemático para aferir valores numéricos às coincidências que encontrava pela vida. A “coincidência” sobre a qual falaremos a seguir seria digna de entrar na coleção do doutor Samuel Spier, o célebre personagem de Malba Tahan.

.38 é o clube de tiro, em Santa Catarina, na cidade de São José, na Grande Florianópolis, frequentado  pelos filhos de Bolsonaro, Carlos e Eduardo. O local é um dos “sets” do teatro de Eduardo Bolsonaro, que faz questão que os seus treinos sejam filmados para que depois sejam postados nas redes sociais. O Clube e Escola de Tiro .38 possui uma clientela permanente de frequentadores. É o caso dos associados, que pagam entre 99 e 189 reais de mensalidade para o treino de bang-bang. 99 reais, por exemplo é o preço de um pacote de 15 tiros de revólver ou pistola, com a duração máxima de uma hora. Mas há pacotes mais sofisticados, e muito caros, para os associados. Até policiais da Swat, vez por outra, ministram cursos, que custam, em um fim de semana, cerca de 6 mil reais. Carlos e Eduardo Bolsonaro já fizeram esse curso. Mas o clube também admite clientes não associados, para treinos avulsos. E um desses clientes avulsos foi exatamente Adélio Bispo de Oliveira, o homem que esfaqueou Bolsonaro, no episódio que o pastor fascista Silas Malafaia chamou de “facada santa”.

Mas há uma extrema coincidência em relação à presença de Adélio Bispo de Oliveira no mesmo clube de tiro frequentado pelos Bolsonaros. A presença de Adélio no clube já era uma coincidência conhecida. Quem pensaria que o agressor e os filhos da vítima frequentassem o mesmo clube? Porém, a coincidência é bem maior do que poderíamos imaginar. Isso porque Adélio Bispo e Carlos Bolsonaro frequentaram o clube no mesmo período. Teria sido um encontro marcado? Quem sabe? Não sei…

Sabe-se hoje que Carlos Bolsonaro esteve no clube nos dias 7, 8 e 9 de julho, sábado, domingo e segunda-feira. E sabe-se, também, que quem esteve no mesmo local, nessas mesmas datas, foi Adélio Bispo. As informações estão contidas em um perfil do Twitter chamado Mohammed Al-Khwarizmi, que reproduziu conteúdos do Instagram. Adélio chegou ao clube de tiro e realizou todos os procedimentos de um não associado, cadastrando-se, confirmando seus dados pessoais e apresentando um documento de identidade com foto. Tudo no mesmo período em que Carlos Bolsonaro frequentou o clube.

Em 20 de agosto, pouco mais de duas semanas antes do atentado, Adélio partiu para Juiz de Fora e, no dia 6 de setembro, aconteceria a então “facada santa”, como a classificou o fascista Silas Malafaia. Aliás, foi estranho, no meio de milhares de fascistas, Adélio ter saído incólume, sem ter levado sequer um peteleco da turma do “tiro, porrada e bomba”. Bolsonaro, então, cresceria nas pesquisas.

Santa facada. Santa coincidência…