A “ALUNA-PAPARAZZO” DO PSL

tamires e bolsonaroNa época da ditadura, dentro das escolas e universidades, “policial” era a denominação genérica de “alunos” que eram matriculados para delatarem seus colegas de turma e os professores. A presença do famigerado “dedo-duro” de alunos e professores era comum e geralmente eles faziam perguntas aos professores, mostrando-se “interessados” pelas aulas para extrair informações. Também fingiam se mobilizar no movimento estudantil para dedurar os colegas. Na maioria das vezes o aluno delator não se deixava ser descoberto, era discreto e ninguém jamais poderia imaginar a sua “missão”. Porém, às vezes ele era descoberto e passava a ser evitado por todos.

No governo fascista de Bolsonaro, a prática do uso de “policiais” em salas de aula está voltando. Agora, soubemos que a “aluna” Tamires de Souza Costa de Paula filmou uma professora que fazia críticas ao astrólogo-charlatão Olavo de Carvalho. A autora do vídeo, no entanto, não é apenas “aluna”. Ela é Secretária-Geral do PSL na cidade de Itapeva, em São Paulo. Tamires, ao justificar a produção do vídeo, afirmou ter uma “missão com o país através da educação”. Pela sua descrição nas redes sociais, ela é apoiadora de Bolsonaro da ala ideológica, ligada ao astrólogo-guru Olavo de Carvalho. No vídeo, produzido durante uma aula de gramática em um cursinho, a suposta aluna confronta a professora que, com muita propriedade, chamou o impostor Olavo de Carvalho de “anta”. A ativista fascista também confronta a professora que, em defesa da liberdade de expressão e de cátedra, atacou o projeto inquisitorial “Escola Sem Partido”. O absurdo maior é que o próprio Bolsonaro compartilhou o vídeo pelo twitter, reforçando ameaças à professora.

A paparazzo fascistoide ainda diz à professora que está pagando para ter aula de gramática e não para ouvir a sua opinião político-partidária. Na verdade, tudo leva a crer que a ação policialesca da pseudo-aluna foi premeditada para dar continuidade aos ataques paranoicos do governo fascista à educação e aos professores. A aula era de gramática. Pelo rumo que as coisas estão tomando, se uma professora de gramática ensinar a seus alunos que escreve-se “cônjuge” aos invés de “conje” e “Câmara dos Deputados ao invés de “Câmera dos Deputados, irão dizer que a professora está atacando o político Sérgio Moro e não que Sérgio Moro atacou a gramática. Enquanto isso, eles vão atacando os professores.

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