ISRAELENSES NÃO PERDOAM PERDOADOR

holocausto 2Prevaleceu a lógica: defensor da tortura perdoa torturador, mau militar perdoa mau militar e nazista perdoa nazista. Agora, em mais um “rolo” (essa é a designação cunhada por ele próprio), Bolsonaro conseguiu irritar até a turma do Museu do Holocausto, onde ele próprio recentemente plantou uma oliveira. Em um encontro com evangélicos, capitaneado por Silas Malafaia e Cia, Bolsonaro simplesmente afirmou que “podemos perdoar o Holocausto, mas nunca esquecer.” Isso, na mesma semana em que ele, ao comentar o assassinato de um trabalhador pelo Exército, com 80 tiros, ter dito que “o Exército não matou ninguém.” E isso também na mesma semana em que ele encontrou-se com líderes árabes, na tentativa de arrefecer o desastre diplomático que ele criou ao declarar-se um aliado incondicional do governo de Israel em todas as suas causas anti-palestinas.

Bolsonaro mostra seu despreparo, sob todos os aspectos: mental, intelectual, emocional. Qual o propósito desta afirmação totalmente fora de contexto? Se ele pretendia alguma aproximação com os árabes, não seria necessária qualquer menção ao Holocausto. E já que ele mencionou, que o condenasse e dissesse que jamais perdoaria a barbaridade nazista que matou 6 milhões de judeus. Isso porque condenar, e não perdoar o Holocausto, em nada influenciaria nas relações com os árabes. Ou será que um dia ele vai dizer que, por exemplo, o Yasser Arafat também pertencia à linhagem ariana cultivada por Hitler? Não seria nenhuma surpresa vindo de alguém que diz ser o nazismo um movimento de esquerda.

Agora, com mais uma infeliz declaração, Bolsonaro causa um mal estar com seus próprios aliados. E o Museu do Holocausto, há poucos dias visitado pelo próprio Bolsonaro, repudiou mais essa “canelada” do Bozo. Na nota, o museu afirmou:

“Não é direito de nenhuma pessoa determinar se crimes hediondos do Holocausto podem ser perdoados.”

Logo depois foi a vez do próprio Presidente de Israel, Reven Rivlin, se pronunciar, repelindo o perdão de Bolsonaro aos assassinos nazistas, e alertando-o para que ele “não entre em território dos outros”:

“Nós sempre iremos nos opor àqueles que negam a verdade ou aos que desejam expurgar nossa memória —nem indivíduos ou grupos, nem líderes de partidos ou premiês. Nós nunca vamos perdoar nem esquecer. O povo judeu vai sempre lutar contra o antissemitismo e a xenofobia. Líderes políticos são responsáveis por definir o futuro. Historiadores descrevem o passado e pesquisam o que aconteceu. Ninguém deve entrar no território do outro.”

Há poucos dias, quando visitou o museu que agora o repudia Bolsonaro, em eterna campanha eleitoral, ao plantar uma oliveira no memorial, disse que a árvore que ele estava plantando duraria mais do que a que havia sido plantada, anos atrás, pelo Lula. Pelo visto, a fúria dos administradores do Museu do Holocausto poderá fazer com que logo, logo ela seja derrubada. Não tivemos ainda a manifestação do primeiro-ministro israelense e “irmão” de Bolsonaro, Benjamin Netanyahu, sobre o “perdão” de Bolsonaro aos assassinos do povo israelense. Talvez ele nem se manifeste. Até porque já ganhou a eleição. Isso, depois de ter usado o seu “irmão” brasileiro como troféu barato de campanha.

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