TOFFOLI: “AMIGO DO AMIGO DO PAI”?

documento odebrechtParece que já se pode ver uma pontinha de laranja cintilante na tão esperada caixa-preta do Judiciário em meio aos escombros da Lava-Jato. Ontem, Dias Toffoli orou. Junto com Bolsonaro. Junto com o pastor ultra-reacionário Silas Malafaia. Alcolumbre, o Presidente do Senado apoiado por Bolsonaro, também se fez presente no evento “todos os Poderes da República pela fé e em nome do Senhor Pai.” Às favas que o Estado seja oficialmente laico desde 1889. Seria também uma oração para “o amigo do amigo de meu pai”?

Surgiu mais um codinome na delação de Marcelo Odebrecht registrado no departamento mais atuante da empreiteira nos últimos anos: o “departamento de propinas”. Delações com divulgação de apelidos de “propineiros”, sejam verdadeiras ou falsas, até então só assombravam membros do Executivo e do Legislativo. Agora, na nova revelação de Marcelo Odebrecht, ninguém menos do que o Presidente do STF, Dias Tofolli, aparece como sendo “o amigo do amigo de meu pai”. No documento divulgado, afirma-se que Dias Toffoli, em 2007, quando o atual Presidente do STF era o advogado-geral da União, teria atuado para que a Odebrecht fosse vitoriosa no leilão para a construção da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, em Rondônia.

O “pai” em questão é Emílio Odebrecht, pai de Marcelo. O “amigo do pai”, segundo delações anteriores, seria o ex-Presidente Lula. Tanto o “pai” como seu “amigo” já foram sentenciados pelos justiceiros de toga da Lava-Jato. E tanto delações como leniências foram determinantes para estas sentenças. Agora, aparece o “amigo do amigo do pai”. E, segundo a delação, esse “amigo do amigo” é togado. O pedacinho de toga que começa a aparecer nas delações não é de qualquer toga. É da mais poderosa de todas elas. “Apenas” do Presidente da Suprema Corte. Se a Justiça acreditou na existência do “amigo do pai”, por que razão não acreditaria na existência do “amigo do amigo do pai”?

O Judiciário já foi muito ameaçado. Por generais, pelo filho do Presidente com cabo e soldado e até pela Regina Duarte. Mas, em tempos não muito pretéritos, quando Eduardo Cunha ordenou que “não mexessem com sua família”, parece que a coisa passou meio “batida”. Na época, apesar da farta documentação comprovando as movimentações financeiras no exterior da “conja” de Cunha, o “marreco de Maringá” a absolveu. Com medo do quê?

Agora, Dias Toffoli alia-se a Bolsonaro até em orações e até o Malafaia vem dar uma forcinha. Se o Judiciário tiver o mesmo tesão que teve em julgar e condenar o “amigo do pai”, certamente  terá que ter a mesma sanha para sentenciar o “amigo do amigo do pai”. Enquanto isso, reze Toffoli, reze!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s