O SERVILISMO DIPLOMÁTICO

bolsonaro muro das lamentaçõesA brincadeirinha de “Forte Apache” de Bolsonaro, que vem desde a campanha, recebeu um ultimato no domingo. Dizer que vai levar a embaixada brasileira em Israel para Jerusalém, contrariando a comunidade internacional e até mesmo a tradição da diplomacia brasileira, além de ser uma provocação aos países árabes, foi algo levado muito a sério pelo premier israelense Benjamin Netanyahu, que cobrou de Bolsonaro a promessa. Em mais um papelão da diplomacia brasileira, Bolsonaro foi literalmente usado pelo primeiro-ministro de Israel em sua campanha eleitoral, fazendo o fantoche brasileiro desfilar com ele no Muro das Lamentações, algo que jamais nenhum chefe de Estado fez, porque não deixa de ser uma forma de reconhecer a soberania israelense naquela parte da cidade, o que desagradou imensamente os palestinos e a comunidade árabe em geral. Até o Trump, quando lá esteve, foi desacompanhado, o que tem sido a atitude de qualquer chefe de Estado, ainda que aliado de Israel. Mas Bolsonaro aceitou a missão de ser “bucha”, rompeu a praxe diplomática e abriu mais problemas para o Itamaraty.

O tal “escritório comercial” anunciado por Bolsonaro foi um tiro pela culatra dado na encrenca em que ele próprio enfiou nosso país. E ele conseguiu, com seu gesto ridículo e subserviente, desagradar as duas partes. Por um lado, o tal “escritório” em Jerusalém foi visto como uma provocação por palestinos e a comunidade árabe em geral. Por outro, foi visto como insuficiente para os israelenses, já que Bolsonaro não havia prometido “escritório” e sim “embaixada”. Portanto, Netanyahu também não gostou do recuo de Bolsonaro, que chegou a emendar que tem até 2022 para transferir a embaixada brasileira para Jerusalém. Ao mesmo tempo, a Autoridade Nacional Palestina convocou seu embaixador no Brasil para consultas. Exibido como troféu barato de campanha, para demostrar algum apoio internacional a Netanyahu, Bolsonaro, com seu gesto irresponsável e movido por um ódio doentio, está levando a diplomacia brasileira ao caos e a situações que poderão trazer consequências políticas e comerciais seríssimas para o nosso país. Os exportadores de frango que têm os árabes como clientes que o digam. E ainda não falamos da possibilidade de o Brasil entrar na rota do terrorismo. Bolsonaro foi alvo de protestos até pelo Hamas. E se Benny Gantz, líder da oposição, derrotar Netanyahu nas eleições que se avizinham? Gantz é um centro-direitista que já afirmou que se afastará de populistas como o lambedor de botas brasileiro. E como seria, então, uma reaproximação com os árabes? Dizer que Bolsonaro fez merda, para usar tenuemente a linguagem de seu guru de Richmond, ainda é muito pouco.

Com uma diplomacia embasada nas ideias e propostas de um visionário que mora nos Estados Unidos, visionário esse que indicou um ministro que já afirmou bizarrices inacreditáveis, ao dizer que “o aquecimento global é uma conspiração marxista”, que “o nazismo é de esquerda” e que “não houve golpe em 1964 e nem ditadura militar no Brasil”, esperar o quê? Na imprensa internacional, Bolsonaro e, por extensão, o Brasil, viraram motivo de piada. E o pior é que a coisa é séria, muito séria. Quando a ficha vai cair para o capitão e ele, finalmente, tomar consciência de que a campanha já acabou e ele já é, infelizmente, o Presidente? Isso, se ele não cair antes da ficha…

 

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