ENEM SOB CENSURA

enem censuradoPela primeira vez desde sua criação, em 1998, o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) terá suas provas submetidas a um órgão censor, que poderá recomendar, inclusive, a exclusão de questões, consideradas com”viés ideológico”, da prova. Para tal fim, foi criada uma comissão para “inspecionar” as questões elaboradas pela banca. Nesses 21 anos de existência, jamais nenhum governo interferiu na elaboração das provas, independentemente do matiz ideológico. Nem tucanos e nem petistas. Nem mesmo o governo golpista de Temer foi capaz de determinar tal absurdo. A comissão de censores do ENEM, será formada pelo Secretário de Regulação e Supervisão do MEC, Antonio Barroso Faria, pelo diretor de Estudos Educacionais do Inep, Antônio Maurício Castanheira e pelo Procurador de Justiça Gilberto Callado de Oliveira, representando a sociedade civil.

O indicado para representar a “sociedade civil”, Gilberto Callado, na verdade não passa de um representante do fundamentalismo imposto no MEC com o governo Bolsonaro. Gilberto Callado sempre afirmou que “as universidades estão contaminadas de esquerdistas”, fala em “professores corrompidos” e também tem o hábito de ofender filósofos com os quais não concorda. Em um evento do qual participou em 2016, chamou o filósofo Jean-Jacques Rousseau de “canalha” e, sobre Marx e Engels, disse que, “se pudessem, transformariam o homem em outra coisa que não sabemos o quê.” A estratégia de crítica e debate do censor Gilberto Callado é bem afinada ao “olavismo” que se instalou no MEC. Aliás, o Ministro colombiano da Educação brasileira foi indicado para o cargo pelo astrólogo de Richmond. Olavo de Carvalho sempre ensinou aos seus alunos que, se alguém quiser destruir uma ideia, destrua a pessoa e não a ideia, exemplificando para destruir os marxistas ao invés de tentar destruir o marxismo. Ao ofender filósofos dos quais discorda, Callado envereda pela linha exterminadora de adversários ideológicos ensinada pelo guru do capitão. Sabe-se ainda que Callado é um assíduo frequentador de encontros monarquistas.

Pelo perfil do censor Callado, dá para perceber a linha em que o governo Bolsonaro pretende colocar o ENEM. E, segundo o próprio capitão, é tudo para que as provas “não tenham viés ideológico”. A censura, além de ser uma agressão à liberdade de cátedra, também poderá comprometer a segurança das provas. E, pelos absurdos que estão sendo declarados por autoridades do MEC, muita coisa ainda virá pela frente. Esperando que o livro mais importante para os alunos se prepararem para as provas de Matemática, Geografia, História, Física e outras disciplinas do ENEM seja o “Gênesis”. Quem duvidar, pergunte para a pastora Iolene Lima.

COLÉGIO MENDES DE MORAES REPUDIA AMEAÇA

img-20190321-wa0001913892377.jpgFaltando pouco mais de dois meses para completar 70 anos de existência, o Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes, na Ilha do Governador, foi alvo de uma gravíssima ameaça. Infelizmente, sinais dos tempos sombrios que o país vive. Uma semana após o massacre na Escola Raul Brasil, em Suzano, que chocou o país e o mundo, o Colégio Mendes de Moraes recebeu, via WhatsApp, uma ameaça de ataque que, em princípio, coloca toda a comunidade escolar como alvo potencial. A postagem, inicialmente veiculada em uma turma da primeira série do colégio e enviada às 21 horas e 25 minutos (não temos como ver a data) cita, inclusive, o exemplo aterrorizador de Suzano. Com a imagem de um mascarado empunhando duas facas, a ameça enviada ao colégio tem o seguinte teor:

“Em suzano já foi os próximos são vocês do Mendes de Morais.” (Transcrevemos a mensagem do modo como foi postada, sem pontuação, com o nome Suzano grafado com inicial em minúscula e com a grafia Morais ao invés de Moraes). Após a mensagem, o emissor da mesma acrescenta a figura de uma caveira.

A mensagem espalhou-se pelo dia de ontem, através do WhatsApp, com centenas de encaminhamentos, e na manhã desta quinta-feira, 21 de março, alunos, professores e demais funcionários do Colégio Mendes de Moraes já estavam cientes e apreensivos com a ameaça que não pode, sob qualquer hipótese, ser considerada apenas uma mera brincadeira. Na tarde desta quinta-feira, o diretor geral do colégio, professor Wander Carneiro, esteve na 37a. Delegacia Policial, onde foi feito o registro da ocorrência. O autor da postagem, um aluno do próprio colégio, foi identificado e, segundo informações do professor Wander Carneiro, todas as providências cabíveis e legais estão sendo tomadas. Hoje, dia 21 de março, professores do turno da manhã registraram a lamentável ameaça recebida no livro de ocorrências do colégio. Estaria o autor da postagem agindo sozinho? A ameaça tem fundamento? Isso só a Polícia, em seu trabalho investigativo, irá esclarecer. Enquanto isso, lamentavelmente, o medo e a apreensão estarão rondando crianças, jovens e profissionais do colégio, ainda com as cenas de Suzano muito vivas. Até quando?

O terrorismo virtual tem sido, pelos subterrâneos da internet e mesmo do WhatsApp, um primeiro passo para a concretização de barbáries como as de Realengo e Suzano. Sem possibilidade de controle, agindo no anonimato e dando vazão a seus problemas mal (ou não) resolvidos, através da violência gratuita e até de sua apologia, como foi o caso da postagem, internet e redes sociais vem sendo o laboratório de delinquentes que querem se afirmar pelo ódio e intimidação.

O Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes, ao longo de seus quase 70 anos de existência, orgulha-se de ter sido o local de formação de grandes profissionais, cidadãos que se destacam em seus diversos ramos profissionais e dos quais a instituição, especialmente seus professores, têm muito do que se orgulhar. O ator Miguel Falabella, a atriz Suzana Vieira, a ex-Presidente da Petrobrás Maria das Graças Foster e o jogador de futebol Douglas, que brilhou no Fluminense, Corínthians e hoje defende o Bahia são, dentre outros, exemplos de ex-alunos do Colégio Mendes de Moraes que fazem o orgulho da unidade escolar da Ilha do Governador.

Às vésperas de completar 70 anos de existência, a comunidade do Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes repudia e repele qualquer ameaça, independente do tom, e espera uma resposta contundente de todas as autoridades públicas, especialmente da segurança e educação, para que sejam dadas todas as condições a alunos e professores desenvolverem o conhecimento crítico, de qualidade e em prol da formação de cidadãos comprometidos com os valores da justiça e da solidariedade.

APROVAÇÃO DO GOVERNO BOLSONARO DESPENCA

governo em queda livrePesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira, 20 de março, mostra que a aprovação do governo Bolsonaro caiu 15 pontos em relação a janeiro. Se no mês da posse 49% dos brasileiros consideravam o governo “ótimo” ou “bom”, esse percentual caiu para 34% em março. No mesmo período, aqueles que classificavam o governo como “ruim” ou “péssimo” subiu de 11% em janeiro para 24% em março, o que mostra que a avaliação negativa do governo de extrema-direita mais do que dobrou em apenas dois meses. A pesquisa Ibope ouviu 2002 pessoas entre 16 e 19 de março e o índice de confiança da mesma é de 95%.

Sem programa, sem diálogo com a sociedade, com clichês que fomentam ódio e mostrando total despreparo, inclusive psicológico, para o cargo que ocupa, Jair Bolsonaro consegue, em pouco tempo de governo, liquidar o capital político que possuía por absoluta incompetência e por querer fazer de seu governo um foro revanchista. Nenhum projeto para as grandes questões do país. Ataques a jornalistas, professores, servidores públicos e adversários políticos. Envolvimento da família em escândalos e associação com quadrilhas de milicianos. Filhos derrubando ministros e governando de fato. Falta total de articulação com o Congresso e um partido com várias evidências de candidaturas laranjas, com posterior desvio de verbas do fundo eleitoral. Entrega do país ao estrangeiro e subserviência ancilar aos Estados Unidos. Traição a aliados, inclusive ruralistas, ao liberar o mercado do trigo aos Estados Unidos. Traição aos brasileiros que trabalham nos Estados Unidos só para bajular Trump. Agenda temerária de política externa. Assim podemos resumir o que foram os primeiros meses do desastroso governo Bolsonaro. A “boca do jacaré”, como se fala na gíria da leitura de gráficos, está se abrindo e o tal “mito” está mostrando que, realmente, nunca passou de um “mito”. Porque a realidade é bem distante do discurso ao mesmo tempo moralista e odioso que o elegeu. Porque a realidade de ser estadista é tentar aglutinar e não separar. Porque a realidade de ser Presidente de todos é bem diferente de ser o candidato de alguns. Porque a realidade de governar é bem diferente de vociferar ódios, recalques e vinganças…

 

ERNESTO BARRADO NO BAILE

ernesto barrado no baile

Na foto: Trump, Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro na Casa Branca. Cadê o Ernesto? (Crédito da foto: Alan Santos).

Se Araújo tivesse alguma fibra, ele pediria para deixar o cargo.” (Jornalista Miriam Leitão).

No festival de vexames e servilismo que marcou a ida de Bolsonaro e sua trupe aos Estados Unidos, um episódio lamentável, com ingredientes de baixaria, marcou o evento mais importante da visita, ou seja, a conversa com Trump no Salão Oval da Casa Branca. E aí a “prolecracia”, nova forma de governo criada por Bolsonaro, mais uma vez deu o tom do enredo. Enquanto no Brasil Carlos Bolsonaro, o tuiteiro, assumia a Vice-Presidência, tocando a agenda do pai e dando uma rasteira no general, nos Estados Unidos o outro filho, Eduardo Bolsonaro, assumiu o papel de Ministro das Relações Exteriores e deu uma rasteira no chanceler Ernesto Araújo. Isso porque, na prática, quem assumiu o posto de chanceler “de fato” foi o filho de Bolsonaro. Prova disso é que o próprio Ernesto Araújo foi preterido por Eduardo Bolsonaro na conversa privada com Trump. Isso mesmo: o chanceler brasileiro foi “barrado no baile” e, em seu lugar, Eduardo Bolsonaro participou da conversa privada com Donald Trump. Ernesto Araújo não chegou nem perto da porta.

Jornalistas brasileiros que cobriram a visita afirmam que Ernesto Araújo teve um chilique por ter sido barrado da conversa privada com Trump. Segundo testemunhas, o ataque de fúria de Ernesto Araújo aumentou quando ele soube do comentário da jornalista Miriam Leitão que afirmou que “se Ernesto Araújo tivesse alguma fibra, ele deixaria o cargo.” As mesmas fontes dão conta de que Paulo Guedes foi que tentou acalmar Ernesto Araújo após a humilhação sofrida.

Ernesto Araújo é da escola “olavista” e foi indicado para Ministro das Relações Exteriores pelo “astrólogo-guru”. Do jeito que Olavo de Carvalho é barraqueiro, não resta dúvida de que, com seu vocabulário chulo e escroto, o astrólogo deverá falar alguma baixaria em defesa de seu pupilo. Ainda não sabemos se o astrólogo tomou conhecimento da humilhação a que a “prolecracia” bolsonarista submeteu o seu protegido.

Será que Bolsonaro não queria que Ernesto ofuscasse sua presença? Sim, porque Ernesto Araújo fala o inglês fluentemente, enquanto Bolsonaro mal sabe se expressar em português. Certamente a presença de Ernesto Araújo poderia tornar Bolsonaro um mero assistente de um diálogo entre Ernesto e Trump. É apenas uma hipótese.

Ernesto Araújo não foi o primeiro ministro a ser humilhado por esse governo. Sérgio Moro que, segundo Bolsonaro, teria “carta branca” em seu Ministério, não pôde nomear uma suplente de um Conselho. E Moro entubou. Mas no caso de Moro até entendemos. Se Moro sair do governo, fica desempregado. Ele terá que engolir todas as humilhações até ser nomeado Ministro do STF. No entanto, Ernesto Araújo é diplomata de carreira e não precisa ser um penduricalho decorativo do governo Bolsonaro. Então, se Ernesto Araújo tiver alguma fibra, deve mesmo deixar o governo e voltar a se consultar com o astrólogo de Richmond.

 

 

A WEB POR TRÁS DE SUZANO

deep webPor detrás do massacre de Suzano estão a “deep web” e a “dark web”, campos da internet de difícil acesso. E, nesse campo tenebroso da internet está o site que inspirou os assassinos. Trata-se do Dogolachan, sobre o qual já tivemos a oportunidade de comentar. Faltava apenas identificar a pessoa responsável pelo Dogolachan, um site que difunde o ódio e a violência contra negros, mulheres, nordestinos, homossexuais e militantes de esquerda. O nome do terrorista responsável pelo site é nosso velho conhecido: trata-se de Marcello Valle Silveira Mello, um brasiliense de 33 anos que confessou que, desde a infância, odeia mulheres. Sobre esse delinquente, já tivemos a oportunidade de escrever alguns artigos e aí vão os links:

https://pedropaulorasgaamidia.com/2018/05/12/nazista-criador-da-bolsocoin-e-preso/

https://pedropaulorasgaamidia.com/2019/01/27/o-homem-sancto/

Marcello já criou vários sites de disseminação de ódio e incitação à violência e já foi preso várias vezes. Foi ele que criou a famigerada “Bolsocoin” que, segundo o próprio, era uma “moeda virtual inspirada em Jair Bolsonaro.” Orgulhava-se de ter sido o criador daquilo que chamou “a primeira moeda virtual da extrema-direita brasileira.” Ele foi o administrador do Dogolachan até o ano passado, quando foi novamente preso. A partir de então, um tal de “DPR” tornou-se o administrador do site criminoso.

Marcello tem uma extensa folha corrida de crimes pela internet. Foi ele que ameaçou com bombas a Universidade de Brasília e, recentemente, descobriu-se que foi a pessoa que ameaçou o ex-deputado Jean Wyllys. Ele já chegou até a oferecer recompensa para quem matasse Jean Wyllys. Foi na página do Dogolachan que o massacre de Suzano foi comemorado e os assassinos considerados “heróis”.

A prisão de Marcello e a investigação do Dogolachan pela Polícia não serão suficientes para travar esse clima de intolerância que tomou conta do país há algum tempo. Um Presidente da República foi eleito movido por muitos dos ódios disseminados nesses sites subterrâneos. As ferramentas do ódio hoje são, infelizmente, muitas.

Nos sites que criava, a Polícia Federal descobriu que Marcello defendia a legalização do estupro e da pedofilia. Defendia ainda o estupro corretivo para lésbicas e ainda mandava postagens como: “seja homem: mate uma mulher hoje” e ainda dizia que mataria “vadias e esquerdistas.” Mas, enquanto isso, o povo do “deep WhatsApp” acreditava mesmo é em kit gay e mamadeira de pênis

 

A REGÊNCIA DE CARLOS BOLSONARO

carlos o regente“Com o pai nos Estados Unidos, Carlos Bolsonaro cumpre agenda em Brasília e vive dia de Presidente. (Revista Forum, 19 de março de 2019).

Manhã de segunda-feira, 18 de março de 2019. Enquanto o Presidente da República, Jair Bolsonaro, viajava para os Estados Unidos para vender o Brasil e demonstrar toda sua subserviência a Trump, seria natural que o Vice-Presidente, Hamílton Mourão, assumisse interinamente a Presidência. Mas desde o primeiro dia de janeiro que o Brasil vive um novo regime político: a “prolecracia”. Ao seguir para os Estados Unidos, Jair Bolsonaro deixou como “regente” de sua dinastia o seu filho Carlos, o tuiteiro. Sim, passaram a perna no general que, além de nem ter assumido como interino, ainda estava sendo “frito” nos Estados Unidos pelo “astrólogo-guru de Carvalho”.

Carlos Bolsonaro é vereador do Rio de Janeiro. O que ele fazia na segunda-feira pela manhã em Brasília? Por que ele não foi cumprir com o seu horário de trabalho na Câmara Municipal do Rio de Janeiro? Porque, como vereador da cidade, era no Rio de janeiro que ele deveria estar, cumprindo o expediente na Câmara Municipal. Ele visitou o Congresso, na companhia de um assessor da Casa Civil e, depois, foi para o Palácio do Planalto. Ao ser questionado sobre o motivo de sua presença em Brasília, Carlos respondeu:

“Desenvolvendo linhas de produção solicitadas pelo presidente Jair Bolsonaro.”

Porém, ao que nos consta, a Constituição de 1988 ainda vigora e, em seu artigo 79 está previsto que o Vice-Presidente, em casos de impedimento ou ausência do Presidente, assumirá a Presidência. A linha de sucessão é clara: se o Vice-presidente não estiver, assumem a Presidência da República o Presidente da Câmara dos Deputados, o Presidente do Senado e o Presidente do Supremo Tribunal Federal. Nem no governo golpista de Temer haviam “regentes”. Sim, porque o que aconteceu foi que Bolsonaro deixou um “regente” em seu lugar enquanto ia lamber as botas de seu chefe nos Estados Unidos.

Carlos Bolsonaro já derrubou Ministro. Agora, assumiu interinamente a Presidência da República para desenvolver as “linhas de produção” do pai. Pensávamos que a última pessoa a ocupar o governo do Brasil na condição de regente tinha sido a Princesa Isabel quando, em 1888, assinou a Lei Áurea na ausência de seu pai, o Imperador D. Pedro II. Agora, voltamos a ter um novo regente do Brasil: Carlos, o tuiteiro. E o Vice-Presidente? Bem, parece que o general, como dizia Jânio Quadros, continuará tendo uma sala, uma mesa e uma cadeira.

 

FOI À CIA FAZER O QUÊ?

bolsonaro na cia“Bolsonaro foi à CIA fazer o quê? Trocar informações? Pedir ajuda? Bolsonaro deve satisfações ao país.” (Ricardo Noblat, jornalista, sobre a ida de Bolsonaro à CIA).

Bolsonaro mentiu ao dizer que, ao ser hospedado no Blair House, desfrutou de uma honraria concedida a poucos Chefes de Estado. Mentira. FHC, Lula e Dilma também ficaram hospedados no Blair House. No entanto, é verdade que foi o primeiro presidente brasileiro a visitar a CIA. E é aí, exatamente, que mora o perigo. O que Bolsonaro foi fazer na CIA? Principalmente porque sua ida à agência de espionagem norte-americana não constava na agenda oficial de compromissos. Oficialmente, a visita estaria ligada a assuntos como combate ao narcotráfico, terrorismo e lavagem de dinheiro. Narcotráfico? O Aécio, por exemplo, estaria em pauta? Terrorismo? A apreensão dos 117 fuzis do miliciano vizinho, por exemplo, estaria em pauta? Lavagem de dinheiro? O Queiroz, por exemplo, estaria em pauta?

A CIA não é um museu. A CIA é uma central de inteligência e espionagem, que foi fundada exatamente no início da Guerra Fria pelo então presidente Truman. A CIA foi responsável, inclusive, pelo desenvolvimento de técnicas de tortura. Nada demais para um visitante que tem como ídolo o torturador Brilhante Ustra. O que a CIA tem, evidentemente não iria mostrar a Bolsonaro: informações secretas. Então, segue a pergunta: o que Bolsonaro foi fazer na CIA?

Na patuscada que aconteceu antes da visita à CIA, o astrólogo Olavo de Carvalho, juntamente com o ex-estrategista de  Trump, Steve Bannon, criticou a atuação do Vice-Presidente Hamílton Mourão, acusado de “ser uma voz dissonante nos primeiros cem dias de governo”. No regabofe, com direito à presença de um “ex-futuro-super-ministro” Sérgio Moro, que não tem poder nem mesmo para nomear uma suplente de conselho, viu-se o ex-herói de Curitiba virar pó. Diante de um astrólogo que já afirmou, em uma de suas “aulas”, que para se destruir ideias, deve-se destruir as pessoas e não seus pensamentos, Moro, que já foi esculachado por ele, teve que elogiá-lo. E, no cardápio da patuscada, o assunto girou em torno do “anticomunismo”. Falou-se em “revolução”. Moro, que de “super” nada tem, ainda teve que puxar o saco do Olavo, que um dia já o detratou nas redes sociais. Aliás, ver Moro tendo que bajular Olavo de Carvalho não tem preço. O ex-herói de Curitiba chegou até a se dizer “leitor” de Olavo e elogiou uma de suas obras. A que ponto Moro chegou por uma vaga no STF!

Com um cardápio farto de discursos “anticomunistas” e a consequente visita à CIA, tudo leva a crer que Bolsonaro não foi lá apenas para ver paredes. Porque documentos ele não iria mesmo ver. A CIA cheira a espionagem, a macartismo, a traição. Como todo órgão de espionagem, vive da sujeira e é capaz de qualquer coisa por informações. Como qualquer órgão de informação, a CIA precisa de informantes. E não temos dúvida de que Bolsonaro, pela sua subserviência absurda a Trump, aceitaria acrescentar mais esse papel ridículo em sua folha corrida. Mas, se ele não for um candidato a informante, então o que ele foi fazer lá? Será que foi negociar com a CIA, para que o órgão de espionagem norte-americano não divulgue mais documentos que comprovam assassinatos a opositores cometidos pelos governos brasileiros da ditadura militar, em troca da Base de Alcântara, do pré-sal e da Amazônia? Fazemos coro com o Noblat: o que Bolsonaro foi fazer na CIA?