NAMORO, TWITTER E AUTOFAGIA

maia bolsonaro“Não preciso falar com ele. O problema é que ele tem de conseguir várias namoradas no Congresso. São os outros 307 votos que ele precisa conseguir. Eu já sou a favor. Ele pode me deixar para o fim da fila.” (Rodrigo Maia, em resposta a Jair Bolsonaro, que disse querer “reatar o namoro” com Maia, após a briga de Maia com Moro e o filho tuiteiro).

É impressionante a falta de articulação, habilidade e liderança política do governo Bolsonaro junto ao Congresso Nacional. O governo consegue, em menos de 3 meses, já ver a sua base de apoio, dentro do próprio PSL, ser esgarçada. Agora, foi a briga do Sérgio Moro e do filho Carlos, o tuiteiro, com o Presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Que, de sobra, virou uma briga com o capitão. Os deputados do PSL, um bando de neófitos eleitos como vagões da tresloucada “locomotiva 17” nem sabem o que fazer. E agora, após o episódio Moro/Carlos tuiteiro/Maia, Jair Bolsonaro vem falar em reatar o “namoro” com Rodrigo Maia. Maia disse que não precisa voltar a namorar e que o governo tem que sair do Twitter e ir ao Congresso negociar. Pelo visto, considerando a quantidade de barracos e baixarias, o governo Bolsonaro passará a ser uma das grandes atrações do tablóide britânico “The Sun”. Porque a rusga entre Maia e Bolsonaro não deixa de ser uma atração nacional. Na verdade, um “grande clássico”: “Botafogo X Palmeiras”. Só que nesse jogo o Palmeiras, fugindo à sua tradição, veste a cor laranja.

Jair Bolsonaro viveu 30 anos como parlamentar. Perambulou em 15 partidos políticos diferentes. Nada tem de anti-sistema, embora um dos motes de sua campanha para enganar trouxas tenha sido se apresentar como “o novo na política”. Além de sua produção parlamentar ter sido nula, parece que ele também não aprendeu como é a vida dentro do Parlamento. Seu estilo sempre foi o de usar clichês agressivos e odiosos para ganhar adeptos igualmente raivosos. Mas alguém tem que dizer ao Bolsonaro (afinal, o que faz o guru de Richmond?) que governar não é a mesma coisa que dar ordens em um quartel. Como também alguém tem que dizer ao Moro que ser ministro não é sentenciar monocraticamente. Enquanto decisão de juiz se cumpre, projeto de ministro se discute, se debate, se negocia. E Moro já não é mais juiz, embora sempre tenha sido político. Seu pacote anti-crime terá que passar pelo crivo do contraditório.

Depois de Moro ter sido esculachado por Rodrigo Maia, ao ser chamado de “funcionário do Bolsonaro”, o filho tuiteiro de Bolsonaro entrou em campo para defender o ex-juiz. Então, Maia disse que não irá mais ter o papel de articulador na tramitação da reforma. Porque Bolsonaro sabe que o Onyx está sendo outro desastre. E a líder do Bolsonaro na Câmara, Joice Hasselmann, mais parece uma “Janaína Paschoal de cabelo oxigenado”. Aí, lá do Chile, Bolsonaro vem falar de “reatar o namoro”. Não se trata de namoro. Nem de amizade. Nem de quartel. Nem de sentença. Trata-se de Bolsonaro ir ao Congresso, mostrar a cara e negociar. Porque, enquanto ele foi lamber as botas Trump, entregar o Brasil aos EUA, se reunir com reacionários norte-americanos e com o astrólogo-guru, elogiar o Pinochet e criar um bloco de governos de direita que não quer a integração da comunidade latino-americana, o governo mais uma vez recebeu uma resposta de que, se Bolsonaro e seus filhos não mudarem a postura, não vai demorar muito e a “prolecracia”  logo vai ser derrubada. E nem será preciso a oposição. Porque, se Carlos Bolsonaro disse que Cuba é um câncer e a Venezuela é a metástase, não resta dúvida de que esse governo de extrema-direita está, desde o primeiro dia, em um avançado processo de autofagia.

DIREÇÃO DO MENDES DE MORAES DIVULGA NOTA DE ESCLARECIMENTO

cepmmA direção do Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes, na Ilha do Governador, emitiu nesta sexta-feira, dia 22 de março, uma nota de esclarecimento aos professores da unidade escolar para elucidar os fatos referentes a uma suposta ameça de atentado enviada ao colégio através de um grupo de WhatsApp, onde o emissor da mensagem prometia fazer no colégio algo parecido com o que foi feito em Suzano. O autor da mensagem, um aluno do próprio colégio, foi identificado. A Polícia Civil informou que já investigava o caso. Foi registrada a ocorrência e, na presença do delegado, o autor da suposta ameaça afirmou que tudo não passou de uma “brincadeira”. Na semana passada, uma escola estadual localizada no bairro do Horto, em Belo Horizonte, já havia recebido uma ameaça com o mesmo teor e seu autor, descoberto, também afirmou que tudo não passou de uma “brincadeira”.

Até quando essas “brincadeiras” continuarão circulando e levando apreensão e pânico às escolas? E se “a moda pega”? No caso do Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes, a direção afirma que as devidas providências foram tomadas para que não se leve mais pânico à unidade escolar. Abaixo, publicamos a íntegra da nota da direção do Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes, assinada pelo seu diretor-geral, professor Wander dos Santos Carneiro.

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MAIA ESCULACHA SÉRGIO MORO

maia esculacha moro

“Eu acho que ele conhece pouco a política. Eu sou Presidente da Câmara, ele é ministro, funcionário do Presidente Bolsonaro. Ele está confundindo as bolas. Ele não é o Presidente da República.” (Rodrigo Maia, esculachando Sérgio Moro, em entrevista no dia 20 de março de 2019).

A vida de Sérgio Moro como político oficial e escudeiro do governo fascista de Bolsonaro não tem sido nada fácil. Para um “super-herói” que ia ser um “super-ministro”, o ex-juiz de Curitiba vem sendo não apenas desautorizado, como no caso do veto de Bolsonaro à nomeação, por Moro, de uma mera suplente de um Conselho. Agora, ele foi esculachado por ninguém menos do que Rodrigo Maia, o “Botafogo” da lista de propinas da Odebrecht que, entre outras coisas, o chamou de “funcionário do Bolsonaro”.

Tudo por causa do tal “pacote anticrime”, que Moro diz ser de sua autoria e Rodrigo Maia diz que ele apenas “copiou e colou” do Ministro do STF Alexandre de Moraes. Parece que o Ministro da Justiça pensava que poderia fazer política de maneira monocrática, como fazia na época em que proferia suas sentenças. Moro não gostou do fato de Rodrigo Maia ter nomeado uma comissão para analisar o projeto que o ex-juiz diz ser seu. Isso irá protelar a tramitação do projeto. Para Rodrigo Maia, a reforma da previdência é prioridade. Moro ficou ainda inconformado por Rodrigo Maia ter incluído na comissão parlamentares críticos do projeto, como Marcelo Freixo, do PSOL.

Maia, impiedoso, concluiu: “Ele é funcionário do Bolsonaro e o Bolsonaro é que tem que dialogar comigo”, como se tivesse colocado Moro em seu devido lugar. Triste fim para quem já foi um “juiz super-herói” ser enquadrado e esculachado por quem responde a inquérito por corrupção. Maia chegou a dizer “que a coisa está ficando ruim para ele.” Pior: Moro terá que suportar todas as humilhações e esculhambações para garantir seu emprego no governo até ser nomeado Ministro do STF. No fundo, isso não deixa de ser uma própria corrupção da alma do “ex-Rambo de Curitiba”, que parece suportar qualquer constrangimento para atingir o seu desiderato. Triste fim!

Abaixo, o vídeo do esculacho de Maia em Moro:

 

GOLPISTA E ANGORÁ: BUCHAS DA LAVA JATO

temer presoA prisão do golpista Michel Temer e de seu fiel escudeiro Moreira Franco, vulgo “gato angorá”, decretada ontem, não chega a ser surpresa. No mesmo pacote, o coronel Lima, o “laranja” do golpista Temer, foi encaçapado. O acerto de contas do Temer e do angorá, embora tardios, não deixam de causar uma satisfação. Na verdade, o acerto de contas de Temer e sua quadrilha com a lei só não ocorreu antes porque o golpista comprou a maior parte dos deputados para livrá-lo por duas vezes das denúncias da PGR. Todos aqueles que se venderam ao Temer e protelaram sua prisão são igualmente cúmplices de seus crimes. A conversa no porão do Jaburu com o Joesley e a mala de 500 mil ainda estão vivas em nossa memória. São provas audíveis e visíveis e não meras delações de arrivistas. Temer chegou a dar o foro privilegiado ao Moreira Franco, ao transformar a Secretaria que seu comparsa ocupava em Ministério. Mas ontem o golpista, seu “laranja” e o angorá não escaparam da prisão decretada por Marcelo Bretas.

Apesar de as prisões terem sido recebidas efusivamente pela maior parte do país, tanto por bolsonaristas como por esquerdistas não podemos, no entanto, ficar iludidos. Se fizermos uma avaliação, ainda que superficial, poderemos concluir que Temer e Moreira Franco estão cumprindo mais um papel ridículo em suas imundas biografias: o de serem “buchas” da Lava Jato, que nas últimas semanas havia caído em descrédito, especialmente em razão do fundo bilionário que Dallagnol e sua equipe queriam administrar, na famigerada e natimorta “fundação” que, sem dúvida, teria veladamente finalidades políticas. Até apoiadores acríticos da Lava Jato viram com desconfiança a utilização de dinheiro da Petrobras para um fundo nababesco que seria administrado pelos procuradores. O próprio Dallagnol virou alvo de investigação. A operação e seus procuradores perderam terreno e alguma desconfiança começou a pairar até por parte de “lavajateiros” de alta fidelidade. A tal fundação bilionária “melou”. Se a Lava Jato fosse uma empresa societária, suas ações estariam em franco declínio nos últimos dias. Para piorar, começou uma treta com o STF, após a Suprema Corte ter transferido para a Justiça Eleitoral crimes de corrupção no âmbito eleitoral. Era preciso, por parte da Lava Jato, uma resposta e uma reação. Então, dois “buchas” que nada representam nem moral e nem politicamente poderiam ser enjaulados. E, ao que nos consta, os “buchas” cumpriram seus papéis e, assim, a Lava Jato ganha uma sobrevida.

Porém, não nos iludamos. Aécio está solto. Jucá está solto. Queiroz parece ser “imexível”. O “laranjal” do PSL foi para o arquivo morto e não se fala mais nos depósitos do Flavinho e nem nas milícias aliadas do governo. Bolsonaro também agradece porque os vexames da entrega do Brasil aos EUA e o “beija-mão” de Trump saíram de foco.  Enquanto isso, a Lava Jato parece ter renascido das cinzas de uma fundação ex-bilionária que virou pó. Nada como dois buchas que não valem as fezes que excretam!

ENEM SOB CENSURA

enem censuradoPela primeira vez desde sua criação, em 1998, o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) terá suas provas submetidas a um órgão censor, que poderá recomendar, inclusive, a exclusão de questões, consideradas com”viés ideológico”, da prova. Para tal fim, foi criada uma comissão para “inspecionar” as questões elaboradas pela banca. Nesses 21 anos de existência, jamais nenhum governo interferiu na elaboração das provas, independentemente do matiz ideológico. Nem tucanos e nem petistas. Nem mesmo o governo golpista de Temer foi capaz de determinar tal absurdo. A comissão de censores do ENEM, será formada pelo Secretário de Regulação e Supervisão do MEC, Antonio Barroso Faria, pelo diretor de Estudos Educacionais do Inep, Antônio Maurício Castanheira e pelo Procurador de Justiça Gilberto Callado de Oliveira, representando a sociedade civil.

O indicado para representar a “sociedade civil”, Gilberto Callado, na verdade não passa de um representante do fundamentalismo imposto no MEC com o governo Bolsonaro. Gilberto Callado sempre afirmou que “as universidades estão contaminadas de esquerdistas”, fala em “professores corrompidos” e também tem o hábito de ofender filósofos com os quais não concorda. Em um evento do qual participou em 2016, chamou o filósofo Jean-Jacques Rousseau de “canalha” e, sobre Marx e Engels, disse que, “se pudessem, transformariam o homem em outra coisa que não sabemos o quê.” A estratégia de crítica e debate do censor Gilberto Callado é bem afinada ao “olavismo” que se instalou no MEC. Aliás, o Ministro colombiano da Educação brasileira foi indicado para o cargo pelo astrólogo de Richmond. Olavo de Carvalho sempre ensinou aos seus alunos que, se alguém quiser destruir uma ideia, destrua a pessoa e não a ideia, exemplificando para destruir os marxistas ao invés de tentar destruir o marxismo. Ao ofender filósofos dos quais discorda, Callado envereda pela linha exterminadora de adversários ideológicos ensinada pelo guru do capitão. Sabe-se ainda que Callado é um assíduo frequentador de encontros monarquistas.

Pelo perfil do censor Callado, dá para perceber a linha em que o governo Bolsonaro pretende colocar o ENEM. E, segundo o próprio capitão, é tudo para que as provas “não tenham viés ideológico”. A censura, além de ser uma agressão à liberdade de cátedra, também poderá comprometer a segurança das provas. E, pelos absurdos que estão sendo declarados por autoridades do MEC, muita coisa ainda virá pela frente. Esperando que o livro mais importante para os alunos se prepararem para as provas de Matemática, Geografia, História, Física e outras disciplinas do ENEM seja o “Gênesis”. Quem duvidar, pergunte para a pastora Iolene Lima.

COLÉGIO MENDES DE MORAES REPUDIA AMEAÇA

img-20190321-wa0001913892377.jpgFaltando pouco mais de dois meses para completar 70 anos de existência, o Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes, na Ilha do Governador, foi alvo de uma gravíssima ameaça. Infelizmente, sinais dos tempos sombrios que o país vive. Uma semana após o massacre na Escola Raul Brasil, em Suzano, que chocou o país e o mundo, o Colégio Mendes de Moraes recebeu, via WhatsApp, uma ameaça de ataque que, em princípio, coloca toda a comunidade escolar como alvo potencial. A postagem, inicialmente veiculada em uma turma da primeira série do colégio e enviada às 21 horas e 25 minutos (não temos como ver a data) cita, inclusive, o exemplo aterrorizador de Suzano. Com a imagem de um mascarado empunhando duas facas, a ameça enviada ao colégio tem o seguinte teor:

“Em suzano já foi os próximos são vocês do Mendes de Morais.” (Transcrevemos a mensagem do modo como foi postada, sem pontuação, com o nome Suzano grafado com inicial em minúscula e com a grafia Morais ao invés de Moraes). Após a mensagem, o emissor da mesma acrescenta a figura de uma caveira.

A mensagem espalhou-se pelo dia de ontem, através do WhatsApp, com centenas de encaminhamentos, e na manhã desta quinta-feira, 21 de março, alunos, professores e demais funcionários do Colégio Mendes de Moraes já estavam cientes e apreensivos com a ameaça que não pode, sob qualquer hipótese, ser considerada apenas uma mera brincadeira. Na tarde desta quinta-feira, o diretor geral do colégio, professor Wander Carneiro, esteve na 37a. Delegacia Policial, onde foi feito o registro da ocorrência. O autor da postagem, um aluno do próprio colégio, foi identificado e, segundo informações do professor Wander Carneiro, todas as providências cabíveis e legais estão sendo tomadas. Hoje, dia 21 de março, professores do turno da manhã registraram a lamentável ameaça recebida no livro de ocorrências do colégio. Estaria o autor da postagem agindo sozinho? A ameaça tem fundamento? Isso só a Polícia, em seu trabalho investigativo, irá esclarecer. Enquanto isso, lamentavelmente, o medo e a apreensão estarão rondando crianças, jovens e profissionais do colégio, ainda com as cenas de Suzano muito vivas. Até quando?

O terrorismo virtual tem sido, pelos subterrâneos da internet e mesmo do WhatsApp, um primeiro passo para a concretização de barbáries como as de Realengo e Suzano. Sem possibilidade de controle, agindo no anonimato e dando vazão a seus problemas mal (ou não) resolvidos, através da violência gratuita e até de sua apologia, como foi o caso da postagem, internet e redes sociais vem sendo o laboratório de delinquentes que querem se afirmar pelo ódio e intimidação.

O Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes, ao longo de seus quase 70 anos de existência, orgulha-se de ter sido o local de formação de grandes profissionais, cidadãos que se destacam em seus diversos ramos profissionais e dos quais a instituição, especialmente seus professores, têm muito do que se orgulhar. O ator Miguel Falabella, a atriz Suzana Vieira, a ex-Presidente da Petrobrás Maria das Graças Foster e o jogador de futebol Douglas, que brilhou no Fluminense, Corínthians e hoje defende o Bahia são, dentre outros, exemplos de ex-alunos do Colégio Mendes de Moraes que fazem o orgulho da unidade escolar da Ilha do Governador.

Às vésperas de completar 70 anos de existência, a comunidade do Colégio Estadual Prefeito Mendes de Moraes repudia e repele qualquer ameaça, independente do tom, e espera uma resposta contundente de todas as autoridades públicas, especialmente da segurança e educação, para que sejam dadas todas as condições a alunos e professores desenvolverem o conhecimento crítico, de qualidade e em prol da formação de cidadãos comprometidos com os valores da justiça e da solidariedade.

APROVAÇÃO DO GOVERNO BOLSONARO DESPENCA

governo em queda livrePesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira, 20 de março, mostra que a aprovação do governo Bolsonaro caiu 15 pontos em relação a janeiro. Se no mês da posse 49% dos brasileiros consideravam o governo “ótimo” ou “bom”, esse percentual caiu para 34% em março. No mesmo período, aqueles que classificavam o governo como “ruim” ou “péssimo” subiu de 11% em janeiro para 24% em março, o que mostra que a avaliação negativa do governo de extrema-direita mais do que dobrou em apenas dois meses. A pesquisa Ibope ouviu 2002 pessoas entre 16 e 19 de março e o índice de confiança da mesma é de 95%.

Sem programa, sem diálogo com a sociedade, com clichês que fomentam ódio e mostrando total despreparo, inclusive psicológico, para o cargo que ocupa, Jair Bolsonaro consegue, em pouco tempo de governo, liquidar o capital político que possuía por absoluta incompetência e por querer fazer de seu governo um foro revanchista. Nenhum projeto para as grandes questões do país. Ataques a jornalistas, professores, servidores públicos e adversários políticos. Envolvimento da família em escândalos e associação com quadrilhas de milicianos. Filhos derrubando ministros e governando de fato. Falta total de articulação com o Congresso e um partido com várias evidências de candidaturas laranjas, com posterior desvio de verbas do fundo eleitoral. Entrega do país ao estrangeiro e subserviência ancilar aos Estados Unidos. Traição a aliados, inclusive ruralistas, ao liberar o mercado do trigo aos Estados Unidos. Traição aos brasileiros que trabalham nos Estados Unidos só para bajular Trump. Agenda temerária de política externa. Assim podemos resumir o que foram os primeiros meses do desastroso governo Bolsonaro. A “boca do jacaré”, como se fala na gíria da leitura de gráficos, está se abrindo e o tal “mito” está mostrando que, realmente, nunca passou de um “mito”. Porque a realidade é bem distante do discurso ao mesmo tempo moralista e odioso que o elegeu. Porque a realidade de ser estadista é tentar aglutinar e não separar. Porque a realidade de ser Presidente de todos é bem diferente de ser o candidato de alguns. Porque a realidade de governar é bem diferente de vociferar ódios, recalques e vinganças…

 

ERNESTO BARRADO NO BAILE

ernesto barrado no baile

Na foto: Trump, Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro na Casa Branca. Cadê o Ernesto? (Crédito da foto: Alan Santos).

Se Araújo tivesse alguma fibra, ele pediria para deixar o cargo.” (Jornalista Miriam Leitão).

No festival de vexames e servilismo que marcou a ida de Bolsonaro e sua trupe aos Estados Unidos, um episódio lamentável, com ingredientes de baixaria, marcou o evento mais importante da visita, ou seja, a conversa com Trump no Salão Oval da Casa Branca. E aí a “prolecracia”, nova forma de governo criada por Bolsonaro, mais uma vez deu o tom do enredo. Enquanto no Brasil Carlos Bolsonaro, o tuiteiro, assumia a Vice-Presidência, tocando a agenda do pai e dando uma rasteira no general, nos Estados Unidos o outro filho, Eduardo Bolsonaro, assumiu o papel de Ministro das Relações Exteriores e deu uma rasteira no chanceler Ernesto Araújo. Isso porque, na prática, quem assumiu o posto de chanceler “de fato” foi o filho de Bolsonaro. Prova disso é que o próprio Ernesto Araújo foi preterido por Eduardo Bolsonaro na conversa privada com Trump. Isso mesmo: o chanceler brasileiro foi “barrado no baile” e, em seu lugar, Eduardo Bolsonaro participou da conversa privada com Donald Trump. Ernesto Araújo não chegou nem perto da porta.

Jornalistas brasileiros que cobriram a visita afirmam que Ernesto Araújo teve um chilique por ter sido barrado da conversa privada com Trump. Segundo testemunhas, o ataque de fúria de Ernesto Araújo aumentou quando ele soube do comentário da jornalista Miriam Leitão que afirmou que “se Ernesto Araújo tivesse alguma fibra, ele deixaria o cargo.” As mesmas fontes dão conta de que Paulo Guedes foi que tentou acalmar Ernesto Araújo após a humilhação sofrida.

Ernesto Araújo é da escola “olavista” e foi indicado para Ministro das Relações Exteriores pelo “astrólogo-guru”. Do jeito que Olavo de Carvalho é barraqueiro, não resta dúvida de que, com seu vocabulário chulo e escroto, o astrólogo deverá falar alguma baixaria em defesa de seu pupilo. Ainda não sabemos se o astrólogo tomou conhecimento da humilhação a que a “prolecracia” bolsonarista submeteu o seu protegido.

Será que Bolsonaro não queria que Ernesto ofuscasse sua presença? Sim, porque Ernesto Araújo fala o inglês fluentemente, enquanto Bolsonaro mal sabe se expressar em português. Certamente a presença de Ernesto Araújo poderia tornar Bolsonaro um mero assistente de um diálogo entre Ernesto e Trump. É apenas uma hipótese.

Ernesto Araújo não foi o primeiro ministro a ser humilhado por esse governo. Sérgio Moro que, segundo Bolsonaro, teria “carta branca” em seu Ministério, não pôde nomear uma suplente de um Conselho. E Moro entubou. Mas no caso de Moro até entendemos. Se Moro sair do governo, fica desempregado. Ele terá que engolir todas as humilhações até ser nomeado Ministro do STF. No entanto, Ernesto Araújo é diplomata de carreira e não precisa ser um penduricalho decorativo do governo Bolsonaro. Então, se Ernesto Araújo tiver alguma fibra, deve mesmo deixar o governo e voltar a se consultar com o astrólogo de Richmond.

 

 

A WEB POR TRÁS DE SUZANO

deep webPor detrás do massacre de Suzano estão a “deep web” e a “dark web”, campos da internet de difícil acesso. E, nesse campo tenebroso da internet está o site que inspirou os assassinos. Trata-se do Dogolachan, sobre o qual já tivemos a oportunidade de comentar. Faltava apenas identificar a pessoa responsável pelo Dogolachan, um site que difunde o ódio e a violência contra negros, mulheres, nordestinos, homossexuais e militantes de esquerda. O nome do terrorista responsável pelo site é nosso velho conhecido: trata-se de Marcello Valle Silveira Mello, um brasiliense de 33 anos que confessou que, desde a infância, odeia mulheres. Sobre esse delinquente, já tivemos a oportunidade de escrever alguns artigos e aí vão os links:

https://pedropaulorasgaamidia.com/2018/05/12/nazista-criador-da-bolsocoin-e-preso/

https://pedropaulorasgaamidia.com/2019/01/27/o-homem-sancto/

Marcello já criou vários sites de disseminação de ódio e incitação à violência e já foi preso várias vezes. Foi ele que criou a famigerada “Bolsocoin” que, segundo o próprio, era uma “moeda virtual inspirada em Jair Bolsonaro.” Orgulhava-se de ter sido o criador daquilo que chamou “a primeira moeda virtual da extrema-direita brasileira.” Ele foi o administrador do Dogolachan até o ano passado, quando foi novamente preso. A partir de então, um tal de “DPR” tornou-se o administrador do site criminoso.

Marcello tem uma extensa folha corrida de crimes pela internet. Foi ele que ameaçou com bombas a Universidade de Brasília e, recentemente, descobriu-se que foi a pessoa que ameaçou o ex-deputado Jean Wyllys. Ele já chegou até a oferecer recompensa para quem matasse Jean Wyllys. Foi na página do Dogolachan que o massacre de Suzano foi comemorado e os assassinos considerados “heróis”.

A prisão de Marcello e a investigação do Dogolachan pela Polícia não serão suficientes para travar esse clima de intolerância que tomou conta do país há algum tempo. Um Presidente da República foi eleito movido por muitos dos ódios disseminados nesses sites subterrâneos. As ferramentas do ódio hoje são, infelizmente, muitas.

Nos sites que criava, a Polícia Federal descobriu que Marcello defendia a legalização do estupro e da pedofilia. Defendia ainda o estupro corretivo para lésbicas e ainda mandava postagens como: “seja homem: mate uma mulher hoje” e ainda dizia que mataria “vadias e esquerdistas.” Mas, enquanto isso, o povo do “deep WhatsApp” acreditava mesmo é em kit gay e mamadeira de pênis

 

A REGÊNCIA DE CARLOS BOLSONARO

carlos o regente“Com o pai nos Estados Unidos, Carlos Bolsonaro cumpre agenda em Brasília e vive dia de Presidente. (Revista Forum, 19 de março de 2019).

Manhã de segunda-feira, 18 de março de 2019. Enquanto o Presidente da República, Jair Bolsonaro, viajava para os Estados Unidos para vender o Brasil e demonstrar toda sua subserviência a Trump, seria natural que o Vice-Presidente, Hamílton Mourão, assumisse interinamente a Presidência. Mas desde o primeiro dia de janeiro que o Brasil vive um novo regime político: a “prolecracia”. Ao seguir para os Estados Unidos, Jair Bolsonaro deixou como “regente” de sua dinastia o seu filho Carlos, o tuiteiro. Sim, passaram a perna no general que, além de nem ter assumido como interino, ainda estava sendo “frito” nos Estados Unidos pelo “astrólogo-guru de Carvalho”.

Carlos Bolsonaro é vereador do Rio de Janeiro. O que ele fazia na segunda-feira pela manhã em Brasília? Por que ele não foi cumprir com o seu horário de trabalho na Câmara Municipal do Rio de Janeiro? Porque, como vereador da cidade, era no Rio de janeiro que ele deveria estar, cumprindo o expediente na Câmara Municipal. Ele visitou o Congresso, na companhia de um assessor da Casa Civil e, depois, foi para o Palácio do Planalto. Ao ser questionado sobre o motivo de sua presença em Brasília, Carlos respondeu:

“Desenvolvendo linhas de produção solicitadas pelo presidente Jair Bolsonaro.”

Porém, ao que nos consta, a Constituição de 1988 ainda vigora e, em seu artigo 79 está previsto que o Vice-Presidente, em casos de impedimento ou ausência do Presidente, assumirá a Presidência. A linha de sucessão é clara: se o Vice-presidente não estiver, assumem a Presidência da República o Presidente da Câmara dos Deputados, o Presidente do Senado e o Presidente do Supremo Tribunal Federal. Nem no governo golpista de Temer haviam “regentes”. Sim, porque o que aconteceu foi que Bolsonaro deixou um “regente” em seu lugar enquanto ia lamber as botas de seu chefe nos Estados Unidos.

Carlos Bolsonaro já derrubou Ministro. Agora, assumiu interinamente a Presidência da República para desenvolver as “linhas de produção” do pai. Pensávamos que a última pessoa a ocupar o governo do Brasil na condição de regente tinha sido a Princesa Isabel quando, em 1888, assinou a Lei Áurea na ausência de seu pai, o Imperador D. Pedro II. Agora, voltamos a ter um novo regente do Brasil: Carlos, o tuiteiro. E o Vice-Presidente? Bem, parece que o general, como dizia Jânio Quadros, continuará tendo uma sala, uma mesa e uma cadeira.