BOZO NA MIRA DA FIESP?

mourão e skaf

“FIESP reúne 500 empresários em torno de Mourão e escancara crise do governo Bolsonaro.” (Destaque do site “A Postagem”, em 23 de março de 2019).

O caos político, administrativo e institucional instalado no país desde o primeiro dia do governo Bolsonaro parece que já levou alguns de seus aliados (ou ex-aliados) a apostarem em um outro caminho. A queda de 15% em sua aprovação e o aumento, mais do que dobrado, em sua rejeição, segundo a última pesquisa Ibope, em menos de três meses de governo, corrobora a tese de que o tal “mito” da campanha não passa mesmo é de uma “lenda para encantar bovinos e asininos .”

Não há articulação política e o Presidente se recusa a fazer um papel que é seu, ou seja, a interlocução com o Congresso. Bolsonaro continua em ritmo de campanha e prefere ser garoto de recados do Trump para assuntos americanos do que governar o país. Seu Ministério está desmoralizado por ele mesmo e por sua família. Bebianno foi demitido pelo seu filho Carluxo, o tuiteiro. Moro, o “ex-futuro-super-ministro plenipotenciário” não pôde sequer nomear uma suplente de Conselho. No Ministério da Educação “olavistas”, militares e evangélicos não se entendem e o ministro colombiano está proibido de nomear assessores. Ernesto Araújo, barrado na porta do Salão Oval, parece ser o “ministro laranja” das Relações Exteriores, visto que Eduardo Bolsonaro já exerce, na prática, o posto. E, em relação à “ministra dos costumes”, o próprio Bolsonaro já tratou de minimizá-la, quando afirmou que “fala com qualquer ministro, até com a Damares…”

A crise Governo-Congresso, que coloca sob ameaça a reforma que acaba com a previdência pública e engorda ainda mais os bancos, desanimou os “fetichistas do mercado”, com o dólar disparando e a bolsa caindo. Enquanto Bolsonaro e o “Príncipe Regente Carluxo” bombam no Twitter, o capitão reformado agora já tem outro culpado: a “velha política”, da qual ele próprio faz parte há 30 anos. Os partidos de oposição nem estão tendo muito trabalho porque o governo é auto-corrosivo.

Agora a FIESP, que apoiou Bolsonaro mas está desiludida, parece que entrou em campo e já marcou uma reunião com o Vice Mourão. Não podemos afirmar peremptoriamente, mas a reunião marcada na FIESP para a próxima terça-feira, dia 26, de empresários com o Vice Mourão pode ser um ultimato. Ou uma “prévia dos próximos capítulos”. A FIESP, como sabemos, foi um dos pilares do golpe contra Dilma em 2016 e essa tal reunião, que prevê a presença de 500 empresários, com toda certeza é uma resposta do grande empresariado nacional a Bolsonaro. A burguesia nacional apoiou o Bolsonaro, mas as medidas do governo do capitão parecem ir apenas na direção dos interesses internacionais. A visita de Bolsonaro a Trump foi, literalmente, a entrega do Brasil e um juramento de subserviência que colocou nosso país na condição de “vassalo” dos Estados Unidos.  O general Mourão, nesse início de governo, já atuou muito como um moderador das insanidades proferidas por Bolsonaro e, em vários momentos, teve que exercer o papel de estadista que Bolsonaro, lamentavelmente, desconhece. Quando o “guru de Richomond”, o astrólogo Olavo de Carvalho, disse no regabofe em que foi chamado de “líder da revolução” e elogiado até por Moro que “Mourão era uma voz dissonante no governo”, o recado estava dado. Mourão, de fato, se opõe à política externa temerária de Bolsonaro e à submissão do Brasil aos Estados Unidos. A burguesia nacional, articulada ao mercado interno, não tem interesse nessa submissão. Some-se a tudo isso o interesse dos banqueiros, interessados na reforma da previdência que engordará seus lucros com a tal capitalização. Só que a reforma não anda e até aliados de Bolsonaro já estão ficando de saco cheio. Perguntem a um grande ícone da sétima arte chamado Alexandre Frota.

A reunião de Mourão com pesos-pesados da FIESP pode ser o início do fim de linha para Bolsonaro. Acrescente-se a isso o fato de que Paulo Skaf, o presidente da FIESP que patrocina golpes e cria patos amarelos, quer tomar o MDB para si. Com a prisão do Temer e do angorá, tivemos  o “game over” do chamado “quadrilhão do MDB“.  Skaf é do MDB e pode (e quer) ocupar esse vácuo, do mesmo modo que Bolsonaro ocupou um outro vácuo. Só que Bolsonaro é “um vácuo dentro do vácuo”. Skaf e seus pares devem estar se corroendo: “Que saudade das pedaladas fiscais!…” Como “pato amarelo” já não cola mais, é possível que o símbolo da nova campanha da FIESP seja uma “mula laranja”…

 

 

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