NAMORO, TWITTER E AUTOFAGIA

maia bolsonaro“Não preciso falar com ele. O problema é que ele tem de conseguir várias namoradas no Congresso. São os outros 307 votos que ele precisa conseguir. Eu já sou a favor. Ele pode me deixar para o fim da fila.” (Rodrigo Maia, em resposta a Jair Bolsonaro, que disse querer “reatar o namoro” com Maia, após a briga de Maia com Moro e o filho tuiteiro).

É impressionante a falta de articulação, habilidade e liderança política do governo Bolsonaro junto ao Congresso Nacional. O governo consegue, em menos de 3 meses, já ver a sua base de apoio, dentro do próprio PSL, ser esgarçada. Agora, foi a briga do Sérgio Moro e do filho Carlos, o tuiteiro, com o Presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Que, de sobra, virou uma briga com o capitão. Os deputados do PSL, um bando de neófitos eleitos como vagões da tresloucada “locomotiva 17” nem sabem o que fazer. E agora, após o episódio Moro/Carlos tuiteiro/Maia, Jair Bolsonaro vem falar em reatar o “namoro” com Rodrigo Maia. Maia disse que não precisa voltar a namorar e que o governo tem que sair do Twitter e ir ao Congresso negociar. Pelo visto, considerando a quantidade de barracos e baixarias, o governo Bolsonaro passará a ser uma das grandes atrações do tablóide britânico “The Sun”. Porque a rusga entre Maia e Bolsonaro não deixa de ser uma atração nacional. Na verdade, um “grande clássico”: “Botafogo X Palmeiras”. Só que nesse jogo o Palmeiras, fugindo à sua tradição, veste a cor laranja.

Jair Bolsonaro viveu 30 anos como parlamentar. Perambulou em 15 partidos políticos diferentes. Nada tem de anti-sistema, embora um dos motes de sua campanha para enganar trouxas tenha sido se apresentar como “o novo na política”. Além de sua produção parlamentar ter sido nula, parece que ele também não aprendeu como é a vida dentro do Parlamento. Seu estilo sempre foi o de usar clichês agressivos e odiosos para ganhar adeptos igualmente raivosos. Mas alguém tem que dizer ao Bolsonaro (afinal, o que faz o guru de Richmond?) que governar não é a mesma coisa que dar ordens em um quartel. Como também alguém tem que dizer ao Moro que ser ministro não é sentenciar monocraticamente. Enquanto decisão de juiz se cumpre, projeto de ministro se discute, se debate, se negocia. E Moro já não é mais juiz, embora sempre tenha sido político. Seu pacote anti-crime terá que passar pelo crivo do contraditório.

Depois de Moro ter sido esculachado por Rodrigo Maia, ao ser chamado de “funcionário do Bolsonaro”, o filho tuiteiro de Bolsonaro entrou em campo para defender o ex-juiz. Então, Maia disse que não irá mais ter o papel de articulador na tramitação da reforma. Porque Bolsonaro sabe que o Onyx está sendo outro desastre. E a líder do Bolsonaro na Câmara, Joice Hasselmann, mais parece uma “Janaína Paschoal de cabelo oxigenado”. Aí, lá do Chile, Bolsonaro vem falar de “reatar o namoro”. Não se trata de namoro. Nem de amizade. Nem de quartel. Nem de sentença. Trata-se de Bolsonaro ir ao Congresso, mostrar a cara e negociar. Porque, enquanto ele foi lamber as botas Trump, entregar o Brasil aos EUA, se reunir com reacionários norte-americanos e com o astrólogo-guru, elogiar o Pinochet e criar um bloco de governos de direita que não quer a integração da comunidade latino-americana, o governo mais uma vez recebeu uma resposta de que, se Bolsonaro e seus filhos não mudarem a postura, não vai demorar muito e a “prolecracia”  logo vai ser derrubada. E nem será preciso a oposição. Porque, se Carlos Bolsonaro disse que Cuba é um câncer e a Venezuela é a metástase, não resta dúvida de que esse governo de extrema-direita está, desde o primeiro dia, em um avançado processo de autofagia.

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