FOI À CIA FAZER O QUÊ?

bolsonaro na cia“Bolsonaro foi à CIA fazer o quê? Trocar informações? Pedir ajuda? Bolsonaro deve satisfações ao país.” (Ricardo Noblat, jornalista, sobre a ida de Bolsonaro à CIA).

Bolsonaro mentiu ao dizer que, ao ser hospedado no Blair House, desfrutou de uma honraria concedida a poucos Chefes de Estado. Mentira. FHC, Lula e Dilma também ficaram hospedados no Blair House. No entanto, é verdade que foi o primeiro presidente brasileiro a visitar a CIA. E é aí, exatamente, que mora o perigo. O que Bolsonaro foi fazer na CIA? Principalmente porque sua ida à agência de espionagem norte-americana não constava na agenda oficial de compromissos. Oficialmente, a visita estaria ligada a assuntos como combate ao narcotráfico, terrorismo e lavagem de dinheiro. Narcotráfico? O Aécio, por exemplo, estaria em pauta? Terrorismo? A apreensão dos 117 fuzis do miliciano vizinho, por exemplo, estaria em pauta? Lavagem de dinheiro? O Queiroz, por exemplo, estaria em pauta?

A CIA não é um museu. A CIA é uma central de inteligência e espionagem, que foi fundada exatamente no início da Guerra Fria pelo então presidente Truman. A CIA foi responsável, inclusive, pelo desenvolvimento de técnicas de tortura. Nada demais para um visitante que tem como ídolo o torturador Brilhante Ustra. O que a CIA tem, evidentemente não iria mostrar a Bolsonaro: informações secretas. Então, segue a pergunta: o que Bolsonaro foi fazer na CIA?

Na patuscada que aconteceu antes da visita à CIA, o astrólogo Olavo de Carvalho, juntamente com o ex-estrategista de  Trump, Steve Bannon, criticou a atuação do Vice-Presidente Hamílton Mourão, acusado de “ser uma voz dissonante nos primeiros cem dias de governo”. No regabofe, com direito à presença de um “ex-futuro-super-ministro” Sérgio Moro, que não tem poder nem mesmo para nomear uma suplente de conselho, viu-se o ex-herói de Curitiba virar pó. Diante de um astrólogo que já afirmou, em uma de suas “aulas”, que para se destruir ideias, deve-se destruir as pessoas e não seus pensamentos, Moro, que já foi esculachado por ele, teve que elogiá-lo. E, no cardápio da patuscada, o assunto girou em torno do “anticomunismo”. Falou-se em “revolução”. Moro, que de “super” nada tem, ainda teve que puxar o saco do Olavo, que um dia já o detratou nas redes sociais. Aliás, ver Moro tendo que bajular Olavo de Carvalho não tem preço. O ex-herói de Curitiba chegou até a se dizer “leitor” de Olavo e elogiou uma de suas obras. A que ponto Moro chegou por uma vaga no STF!

Com um cardápio farto de discursos “anticomunistas” e a consequente visita à CIA, tudo leva a crer que Bolsonaro não foi lá apenas para ver paredes. Porque documentos ele não iria mesmo ver. A CIA cheira a espionagem, a macartismo, a traição. Como todo órgão de espionagem, vive da sujeira e é capaz de qualquer coisa por informações. Como qualquer órgão de informação, a CIA precisa de informantes. E não temos dúvida de que Bolsonaro, pela sua subserviência absurda a Trump, aceitaria acrescentar mais esse papel ridículo em sua folha corrida. Mas, se ele não for um candidato a informante, então o que ele foi fazer lá? Será que foi negociar com a CIA, para que o órgão de espionagem norte-americano não divulgue mais documentos que comprovam assassinatos a opositores cometidos pelos governos brasileiros da ditadura militar, em troca da Base de Alcântara, do pré-sal e da Amazônia? Fazemos coro com o Noblat: o que Bolsonaro foi fazer na CIA?

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