A REGÊNCIA DE CARLOS BOLSONARO

carlos o regente“Com o pai nos Estados Unidos, Carlos Bolsonaro cumpre agenda em Brasília e vive dia de Presidente. (Revista Forum, 19 de março de 2019).

Manhã de segunda-feira, 18 de março de 2019. Enquanto o Presidente da República, Jair Bolsonaro, viajava para os Estados Unidos para vender o Brasil e demonstrar toda sua subserviência a Trump, seria natural que o Vice-Presidente, Hamílton Mourão, assumisse interinamente a Presidência. Mas desde o primeiro dia de janeiro que o Brasil vive um novo regime político: a “prolecracia”. Ao seguir para os Estados Unidos, Jair Bolsonaro deixou como “regente” de sua dinastia o seu filho Carlos, o tuiteiro. Sim, passaram a perna no general que, além de nem ter assumido como interino, ainda estava sendo “frito” nos Estados Unidos pelo “astrólogo-guru de Carvalho”.

Carlos Bolsonaro é vereador do Rio de Janeiro. O que ele fazia na segunda-feira pela manhã em Brasília? Por que ele não foi cumprir com o seu horário de trabalho na Câmara Municipal do Rio de Janeiro? Porque, como vereador da cidade, era no Rio de janeiro que ele deveria estar, cumprindo o expediente na Câmara Municipal. Ele visitou o Congresso, na companhia de um assessor da Casa Civil e, depois, foi para o Palácio do Planalto. Ao ser questionado sobre o motivo de sua presença em Brasília, Carlos respondeu:

“Desenvolvendo linhas de produção solicitadas pelo presidente Jair Bolsonaro.”

Porém, ao que nos consta, a Constituição de 1988 ainda vigora e, em seu artigo 79 está previsto que o Vice-Presidente, em casos de impedimento ou ausência do Presidente, assumirá a Presidência. A linha de sucessão é clara: se o Vice-presidente não estiver, assumem a Presidência da República o Presidente da Câmara dos Deputados, o Presidente do Senado e o Presidente do Supremo Tribunal Federal. Nem no governo golpista de Temer haviam “regentes”. Sim, porque o que aconteceu foi que Bolsonaro deixou um “regente” em seu lugar enquanto ia lamber as botas de seu chefe nos Estados Unidos.

Carlos Bolsonaro já derrubou Ministro. Agora, assumiu interinamente a Presidência da República para desenvolver as “linhas de produção” do pai. Pensávamos que a última pessoa a ocupar o governo do Brasil na condição de regente tinha sido a Princesa Isabel quando, em 1888, assinou a Lei Áurea na ausência de seu pai, o Imperador D. Pedro II. Agora, voltamos a ter um novo regente do Brasil: Carlos, o tuiteiro. E o Vice-Presidente? Bem, parece que o general, como dizia Jânio Quadros, continuará tendo uma sala, uma mesa e uma cadeira.

 

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