A CONFISSÃO DO “TOMA LÁ, DÁ CÁ”

toma lá, dá cá

Crédito da imagem: Amarildo Lima, “Humor Político” (humorpolitico.com.br).

“Vou conseguir logo de cara as indicações para a Funasa e o Incra e tentarei pegar um terceiro negócio.” (Julian Lemos, deputado federal do PSL, em conversa telefônica com Fábio Nóbrega Lopes, assessor do Ministério do Turismo, confessando a troca de cargos por votos a favor da reforma da previdência).

Grampo ilegal é crime. Será? Perguntem ao político e ministro da Justiça, Sérgio Moro. Se ainda lhe restar um mínimo de coerência, o ministro bolsonarista Sérgio Moro dirá que “se o grampo for do interesse público, então está tudo bem.” Foi assim que o então juiz se justificou quando, ilegalmente, grampeou uma conversa da ex-presidente Dilma e mandou o áudio para a Rede Globo. Tudo em nome do “interesse público”.

E não seria do interesse público a sociedade ter conhecimento do balcão imoral de negócios, já aberto pelo governo Bolsonaro, para a aprovação da reforma da previdência? Pelo que se pode constatar na conversa entre o deputado Julian Lemos e Fábio Nóbrega Lopes, deputados estão sendo comprados para darem o seu voto a favor da reforma que condena os trabalhadores a só se aposentarem com a certidão de óbito. O “toma lá, dá cá” está mais do que escandaloso e só não o admite quem for cego ou mau caráter. Estão rifando o povo em troca de cargos. O diálogo, de 12 minutos, é uma confissão do balcão de negócios que virou a chamada “negociação” com o Congresso para aprovar a reforma da previdência. Justamente com um governo que, ao enganar trouxas, disse que “acabaria com negociatas, com corrupção e com o toma lá, dá cá”.

O deputado Julian Lemos diz que a gravação foi um crime e que ele já descobriu tudo. Falou que foi uma “armaçãozinha”, que o fato é grave e que “vai rolar Polícia Federal”. Na verdade, não é uma “armaçãozinha”. É uma grande armação e, desde já, a votação da reforma da previdência deve ser colocada sob suspeita. O que foi revelado na conversa do deputado do PSL não deixa de ser uma espécie de “mensalão pago à vista.” Pelo que se pode constatar na gravação, os votos para a reforma da previdência estão sendo comprados por Bolsonaro de sues próprios “aliados”. Quando um Presidente recém-eleito, ainda com um capital político considerável, tem que distribuir cargos àqueles que se dizem seus próprios aliados em troca de votos, então lembramo-nos daquele anúncio antigo de uma marca de biscoito, que dizia “é fresquinho porque vende mais ou vende mais porque é fresquinho?” Parodiando o anúncio, poderíamos dizer: “A articulação política é uma merda porque o Presidente é uma bosta ou o Presidente é uma bosta porque a articulação política é uma merda?”

Se Bolsonaro precisa comprar seus próprios aliados, então o Brasil não está acima de nada. Então ele não é líder nenhum. Então o “Deus” deles é o dinheiro. Quanto ao ataque e às ameaças feitas pelo deputado flagrado no áudio confessando a compra de votos, seria bom ouvir o “herói de Curitiba”, político Sérgio Moro. Se ele não mudou de opinião de novo, como fez em relação ao “caixa 2”, então dirá que o grampo telefônico foi em nome do interesse público. Ou, como dizia o Ibrahim: de leve…

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