SUZANO, ÓDIO E ARMAS

Primeiramente, duas imagens para nossa reflexão:

bolsonaro ensina crianças a imitar arma com a mão

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“Se os professores estivessem armados, e se os serventes estivessem armados, essa tragédia de Suzano teria sido evitada.” (Major Olímpio, senador bolsonarista do PSL, sobre o massacre na escola em Suzano, em 13 de março de 2019).

Uma interessantíssima matéria publicada no site Ponte, especializado em direitos humanos, justiça e segurança, nos ajudará a pensar a tragédia de Suzano sob aspectos que não estão, nem de perto, relacionados a armar ainda mais a população, especialmente os profissionais de educação. A matéria do site Ponte fala da repugnante comemoração de extremistas que participam de um fórum que dissemina ódio e crimes na internet. Esses sites de disseminação de ódio sempre existiram na internet e seus frequentadores costumam esconder os perfis para disseminarem seus ódios pela rede. Os executores da barbárie na escola em Suzano são tidos como “heróis” em um desses fóruns de ódio, chamado “Dogolachan”. Os assassinos de Suzano, que acabaram mortos, eram participantes do fórum “Dogolachan”. Porém, outros lá se encontram e podem, a qualquer momento, “aflorar”, como eles próprios falam.

Os participantes do “Dogolachan” possuem um perfil que pode começar a nos fazer pensar, em nível amplo, as causas do massacre. Eles são, em primeiro lugar, mal resolvidos sexualmente. Sabe-se que não conseguem, por algum motivo, fazer sexo e, a partir de então, passam a culpar as mulheres. Daí, o sentimento misógino. Portanto, a misoginia desses disseminadores de ódio vem de suas próprias incapacidades de praticarem atividade sexuais. Isso torna-se uma obsessão, que desemboca no ódio às mulheres.

O racismo é outro traço característico desses psicopatas e sociopatas. Um dos comentários do “Dogolachan” afirma  que Luiz Henrique de Castro, o assassino de 25 anos de idade, era injustiçado “por ser branco demais.” 

Há outra característica presente, que é a homofobia. Talvez, o ódio aos homossexuais venha do fato de eles terem a certeza de que, enquanto os homossexuais são resolvidos sexualmente, eles não o são. Então, isso logo se transforma em ódio e os homossexuais, também, em alvo.

Um traço importante presente no fórum de ódio “Dogolachan”, segundo seu próprio moderador, é seu “apoliticismo apartidário”. O moderador afirma que “o sangue dos garotos não é da direita, da esquerda, PT, PSDB, Dória, Haddad ou Bolsonaro”. É evidente que não são militantes políticos. E é aí que queremos chegar. Seria uma impostura atribuir a qualquer partido político alguma responsabilidade pelo ataque. Até porque, tratam-se de psicopatas e sociopatas.

Mas quando vemos, na política, o incentivo a certas causas de ódio que são traços característicos  desse bando de criminosos psicopatas e sociopatas, então ela pode sim ter alguma motivação. Agora, junte todas as frustrações de jovens que não conseguem se relacionar com mulheres, são racistas, misóginos e homofóbicos e ainda, como se definem, são “vítimas de um sistema opressor”, e coloque armas ao alcance deles. Pronto, algum massacre estará a caminho.

Não, major Olímpio! Não são armas nas mãos dos professores nas escolas que irão resolver esse problema. Até policiais, que foram treinados para isso, cometem verdadeiros desastres. O perfil dos psicopatas e sociopatas é claro. O que tem que mudar, para que tragédias como essas não se repitam, é o cultivo de valores de respeito às diferenças, à diversidade. É mostrar que a cultura é plural e que ninguém é superior ou inferior a ninguém por sua cor, sexo, orientação sexual, religião. Os assassinos afloraram seus recalques em uma escola pública, que é um ambiente bastante vulnerável. Mas, se pudessem, não dariam tanta pulsão às suas vazões, “respirariam fundo”, contariam de um até cem e tentariam alvos como alguém que, sendo tudo o que eles odeiam (por exemplo, mulher, negra e homossexual, como a Marielle), conseguiram ocupar um espaço na política ou na sociedade que eles jamais admitiriam.

De certa forma, os dois assassinos de Suzano não são tão diferentes dos assassinos de Marielle, exatamente um ano depois da brutal execução da vereadora e seu motorista. Basta ver que as bandeiras de Marielle representam tudo o que os frustrados do “Dogolachan” odeiam. Tal como os assassinos de Marielle. Porém, alguns se tornam profissionais e canalizam seus ódios para um caminho político. Outros, “afloram” ainda muito jovens. Outro ponto comum? O acesso às armas e toda uma contraeducação voltada para o ódio. E o que falar do incentivo para que crianças simulem uma arma com as mãos?

Já dissemos que o Brasil está doente e não curaremos certos cânceres que, infelizmente cresceram em nossa sociedade, com ódios e armas. Isso para que “Realengos” e “Suzanos” fiquem apenas como dolorosas lembranças nos livros de história e jamais retornem às manchetes dos jornais.

 

 

Um comentário sobre “SUZANO, ÓDIO E ARMAS

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