VIVENDAS, FOTOS E FICHAS

vivendas da barraAvenida Lúcio Costa, 3100 – Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Este é o endereço do luxuoso Condomínio Vivendas da Barra onde, durante um ano, ficou escondido o bandido que fuzilou a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes. O bandido do Vivendas, Ronnie Lessa, preso ontem, tinha muitos vizinhos, sendo que o mais conhecido é Jair Bolsonaro. Foi descoberto que Ronnie Lessa tinha um paiol na casa de um amigo, onde ele escondia 117 fuzis M-16. Foi a maior apreensão de armas da história do Rio de Janeiro. Bandido profissional, que enriqueceu como matador de aluguel. Ligado a quadrilhas milicianas. De altíssima periculosidade.

Lembro-me que, durante a intervenção militar no Rio de Janeiro, o Exército estava fotografando e fichando os moradores de favelas, sob a alegação de que, naquele ambiente, poderiam estar escondidos bandidos perigosos. Tudo em nome da “segurança”, da “lei” e da “ordem”. As favelas eram considerados locais “potenciais” de permanência e esconderijo de criminosos e o Exército tinha que fotografar e identificar os moradores para saber quem verdadeiramente era quem. Isso porque  moradores e visitantes também eram considerados “potenciais suspeitos”.

A prisão do bandido que assassinou Marielle e Anderson não foi a prisão de um bandido qualquer. Ele não é nenhum tresloucado. E, desde ontem, parece que só estamos vendo a ponta do iceberg. Um bandido que possui 117 fuzis escondidos, além de profissionalíssimo, é de altíssima periculosidade. Deve ter ligações diversas, pois quem iria “consumir” 117 fuzis? Seriam encomendas? E quem seriam os receptadores? Com um bandido dessa magnitude preso, resta saber suas ligações. Ronnie Lessa morava no mesmo condomínio luxuoso do Bolsonaro, mesmo sem ter renda compatível para tal. Se seguirmos a mesma linha dos interventores do Rio de Janeiro, então todos os moradores do Vivendas da Barra são potenciais suspeitos. E também seus visitantes. Não seria, também, o caso de fotografá-los e fichá-los por questões de segurança? Sim, porque o vento que venta lá tem que ventar aqui e se tem bandido perigoso escondido na favela, também tem no luxuoso condomínio da Barra da Tijuca. Só para termos uma ideia de que nosso pleito não é absurdo: o Condomínio Venâncio V, localizado na Rua Aristides Espínola 27, no Leblon, tonou-se muito famoso porque ali residia um bandido bem conhecido, chamado Sérgio Cabral. Trata-se de um prédio pequeno, de apenas cinco andares, dos quais três andares eram moradias de bandidos investigados e presos na Lava Jato. Se, em um pequeno prédio de apenas cinco andares, três abrigavam bandidos, então a probabilidade de o mesmo existir em um condomínio muito maior na Barra é bem grande.

Ficamos nos perguntando se os investigadores irão solicitar as gravações das câmeras de segurança do condomínio, bem como os registros dos visitantes nesse período, se é que já não o fizeram. Devem existir gravações detalhadas porque, em um bom período do ano passado, o condomínio foi muito frequentado em razão de ser o local de residência de um então candidato a Presidente da República. Tudo em nome da segurança pública e, quiçá, nacional. Até porque, como bem disse o jornalista José Luiz Datena, em seu programa “Brasil Urgente”, de ontem: “O cara morava no condomínio do Presidente. Já pensou se o cara dá um tiro no Presidente?…”

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