A CENSURA DA TV BRASIL

mangueira marielleNão resta dúvidas de que a decisão da TV Brasil, subordinada ao Governo Federal, de não transmitir o desfile das campeãs no sábado pós-carnaval, trata-se de uma retaliação mesquinha das críticas sofridas pelo governo durante a festa popular, plural e crítica que é o carnaval. Aquela conversa de que “carnaval é ópio”, ou “carnaval é alienação” já não cola mais. Eles sabem que os alienados de hoje estão no twitter e não nas passarelas do samba ou nos blocos carnavalescos. Tanto que a demonização do carnaval por parte do capitão que brinca de ser Presidente da República chegou ao ponto de tuitar uma cena dantesca de parafilia escatológica.

A TV Brasil já vem sofrendo toda uma série de investidas para acabar com aquilo que construiu, durante anos, a sua marca. É até sintomático e mesmo simbólico que uma das primeiras medidas tenha sido tirar do ar um programa chamado “Sem Censura” depois de 34 anos. Reparem que o programa surge exatamente quando acaba o ciclo dos governos ditatoriais-militares. E, ainda mais, tendo o nome de “Sem Censura”, com certeza ele não seria tolerado pelo governo de ultra-direita. Isso, porque o capitão disse que tudo seria “sem viés ideológico”.

O desfile das campeãs é algo que já está incorporado à cultura, e não apenas ao carnaval. Dizem, inclusive, que o ano efetivamente só começa depois do desfile das campeãs. A não transmissão do desfile pela TV Brasil, interrompe uma tradição da emissora de divulgar a cultura nacional. Mesmo com os ataques hidrófobos das turbas fascistas pelas redes sociais, o desfile da Mangueira foi uma verdadeira aula de história. Justamente por ser crítica. Justamente por mostrar as diferenças que a historiografia oficial omite. Justamente por desconstruir as imagens daqueles que sempre quiseram nos impor como “heróis”. O problema é que Malês e Marielles ainda causam calafrios nessa gente. Ainda mais com a Mangueira sendo campeã. Ainda mais com a mensagem mandada para o mundo. Bolsonaro, embora seja um joguete, sabe que a passarela do samba não é twitter. E o desfile da Mangueira tirou muita gente da caverna. Aliás, os fascistas não se criaram no Sambódromo. Soubemos que um deles, o deputado estadual Rodrigo Amorim, aquele que em um ato de fúria quebrou a placa com o nome da vereadora Marielle ao lado de Wilson Witzel, esteve na Marquês de Sapucaí na noite em que a escola homenageou Marielle. Mas a covardia, que sempre foi a marca registrada dos fascistas, também esteve junto dele. Ele não falou, não contestou e nem levou placa da Marielle para quebrar em protesto. Colocou “o galho dentro” e entubou. Colocou o galho dentro e viu frutificar sementes que seu ódio doentio pensava que iria exterminar. Mas é bem possível que, nas redes sociais, ele tenha sido o “valentão” que foi ao quebrar a placa daquela que até hoje tira seu sono.

É evidente que diante de tudo isso, Bolsonaro tenha vetado a transmissão. Mas o desfile da Mangueira está gravado. E seu enredo servirá como mote para muitas aulas de história. E, podem estar certos: um dia esse desfile será reprisado pela TV Brasil. Até porque, em várias emissoras do mundo ele já está sendo reprisado. Derrota para o anti-globalista, o mago que é dublê de chanceler, Ernesto Araújo. Em relação àqueles que, embora tenham votado no capitão e também gostam de carnaval e, então, ficaram decepcionados com a ausência da TV Brasil na transmissão do desfile das campeãs, ainda resta uma alternativa: façam “arminha” com a mão e apontem para a TV!

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