DEMOCRACIA NÃO É TUTELA MILITAR

ditadura nunca mais“Democracia e liberdade só existem quando as Forças Armadas querem.” (Jair Bolsonaro, em 7 de março de 2019).

Em mais uma lamentável e deplorável declaração, o porno-Presidente Jair  Bolsonaro afirmou que a democracia é uma questão de as Forças Armadas quererem ou não quererem. A afirmação é inequívoca e ainda reflete a obsessão de quem, por toda vida, jamais conseguiu viver com a democracia. Esquece-se Bolsonaro que não apenas ele, como todas as Forças Armadas, estão abaixo da Constituição, esta sim, aquela que garante a democracia como um valor pétreo de nossa vida política. Esquece-se Bolsonaro que as Forças Armadas devem garantir os “poderes constitucionais”, queiram ou não queiram o Exército, a Marinha ou a Aeronáutica. Esquece-se Bolsonaro, em seu despreparo impressionante, que sua temerária declaração pode servir até como um suicídio político, tendo em vista que muitos militares, e de alta patente, já estão de saco cheio das asneiras vomitadas diariamente por ele, a começar pelo general Mourão, o Vice-Presidente, que já deve estar saturado de fazer “remendos exegéticos” em suas tresloucadas afirmações. Mourão já teve que “entrar em campo” e “dar uma de Presidente” depois de mais esse absurdo disparado pelo Presidente pornográfico.

A afirmação do porno-Presidente é preocupante porque, além de não demonstrar o seu compromisso com os valores democráticos, soa como uma ameaça, exatamente no momento em que ele, sua família e seu governo, vêm sendo alvos de críticas ácidas pelas mais diversas razões. Bolsonaro ainda não conseguiu perceber que o ambiente político, em um regime democrático, é exatamente o foro para que sejam discutidas e negociadas as diferenças. Com toda certeza Bolsonaro desconhece a Constituição de 1988, que em seu artigo 1º reza que “todo poder emana do povo” (tanto que ele foi eleito) e em seu artigo 5º garante as liberdades de pensamento e expressão. E esses princípios constitucionais básicos, alicerces do Estado Constitucional de Direito, independem de as Forças Armadas quererem ou não. Ao contrário, pela Constituição as Forças Armadas devem garanti-los. Não é de hoje que Bolsonaro mostra seu perfil avesso à democracia. Por toda vida defendeu a ditadura e, durante a eleição, perturbou o ambiente democrático ao declarar, diversas vezes, que não aceitaria o resultado em caso de derrota.

A infeliz e ameaçadora declaração de Bolsonaro talvez ainda seja fruto da deplorável postagem de um vídeo porno-escatológico que ele divulgou na terça-feira de carnaval para o mundo. As críticas pela postagem do vídeo porno-escatológico, que fere as mais simplórias regras da liturgia de um Chefe de Estado, vindas inclusive de apoiadores, devem ter afetado ainda mais o seu estado mental, já visivelmente transtornado.

Seria bom que Bolsonaro e os bolsonaristas fundamentalistas soubessem, de uma vez por todas, que sua eleição não foi um “cheque em branco” (como, aliás, a eleição de ninguém o é) e, felizmente, muitas pessoas bem-intencionadas, porém incautas, lhe deram o voto. O presidencialismo previsto na Constituição é um tanto “parlamentarizado” e as negociações, muitas vezes, são difíceis. Mas, felizmente, ainda nos resta a Constituição e suas garantias, que não permitem que Bolsonaro nem ninguém ameace o ambiente democrático falando que essas garantias são dádivas a serem exercidas sob a tutela das Forças Armadas. E que, de uma vez por todas,  Bolsonaro aceite a condição de que a democracia, em nosso país, é um valor inegociável.

 

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