CARNAVAL, BOLSONARO E OBSCENIDADES

bolsonaro vai tomar no cu

Quando um Presidente da República chega a publicar uma baixaria, como um vídeo obsceno, para expressar sua indignação com o carnaval, então é sinal de que sua falta de compostura já passou da conta. Depois dos professores, dos sindicalistas, dos jornalistas, dos artistas, agora o carnaval parece ser o novo alvo do governo fundamentalista-teocrático de Bolsonaro. Bolsonaro está, de fato, muito incomodado com o carnaval. Ele e sua família laranja foram alvo de críticas e irreverências ao longo da festa. Os blocos, em especial, e de modo absolutamente informal e espontâneo, não perdoaram os escândalos, as trapaças e as mentiras de seu governo e sobrou até para o Moro, o “garoto que ia mudar o mundo” e agora engole até laranja podre por uma vaga no STF. Então, o negócio agora passa a ser demonizar os blocos, com um discurso “moralista” e “familiar”. Aliás, Bolsonaro gosta tanto de família que já está no seu terceiro casamento. Onde será que ele está errando? Em seu twitter, disse Bolsonaro, após a publicação do vídeo obsceno:

“Não me sinto confortável em mostrar, mas temos que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro. Comentem e tirem suas conclusões.”

Num momento em que seu governo está mergulhado em escândalos, envolvendo o próprio Presidente e sua família com depósitos e assessores “laranjas”, ministros de Estado réus confessos em caixa 2, o escândalo das “candidaturas laranjas” de seu partido, os íntimos elos de sua família com quadrilhas de milicianos, sua aliança com o “obsceno Centrão”, dentre outras obscenidades, Bolsonaro agora, ainda em campanha, faz apelo ao moralismo barato para desviar o foco e acusar de imoral os blocos carnavalescos e até o próprio carnaval de um modo geral. Aliás, em termos de “obscenidades”, estamos aguardando as falas dos “arquivos vivos” chamados Queiroz e Bebianno.

Se depender de Bolsonaro, teremos a volta dos antigos e famigerados “chefes de polícia” para, em nome da “moral e bons costumes”, reprimir foliões. Aliás, isso já até ocorreu em São Paulo, onde a polícia do seu aliado e igualmente “defensor da moral e dos bons costumes”, João Dória, espancou um folião só porque trajava uma camisa com dizeres alusivos ao ex-Presidente Lula.

E por falar em Dória, o que Bolsonaro achou do escandaloso vídeo da orgia de seu aliado “moralizador”? Bolsonaro também irá publicá-lo e expressar sua indignação? O escandaloso vídeo do bolsonarista João Dória em plena orgia talvez não tenha trazido indignação para o defensor dos “valores familiares”. E ainda nem era carnaval. Como, em seu twitter, Bolsonaro pede que seus seguidores “comentem e tirem suas conclusões”, sugerimos que o Presidente também publique o vídeo do bacanal do Dória e peça aos seus seguidores para que tirem suas conclusões. Aliás, em termos de “obscenidades”, estamos aguardando as falas de dois “arquivos vivos” que respondem pelos nomes Queiroz e Bebianno. Eles devem ter muito a dizer sobre “obscenidades”. Já sobre a obscenidade postada em vídeo pelo Bolsonaro, estranhamos o porquê da escolha. Há diversos vídeos na rede que mostram vários blocos, de norte a sul do Brasil, entoando o grito de ordem que marcou o carnaval de rua em 2019: “Ei Bolsonaro, vai tomar no…” Porém, esses parecem não terem indignado tanto o Presidente. E não foi porque ele é um guardião da democracia e da liberdade de expressão. Estranho, muito estranho…

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