O MASCOTE TEM MEDO OU VERGONHA?

pedro-fernandes-witzel.png

“Vamos valorizar a escola sem partido.” (Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro, em 25 de outubro de 2018, durante o debate com Eduardo Paes).

“Eu acho que é perda de tempo discutir essa questão do escola sem partido.” (Pedro Fernandes, Secretário de Educação de Wilson Witzel, em 26 de fevereiro de 2019).

Pedro Fernandes, o mascote da “dinastia Fernandes”, foi o candidato ao governo do Rio pelo PDT. No segundo turno, no entanto, traindo o partido, apoiou Wilson Witzel. O PDT, no entanto, já é, há tempos, um traidor. Porque o PDT, há tempos, já vem traindo Brizola. Talvez Pedro Fernandes tenha transposto para sua prática um velho ditado e concluiu que “traidor que trai traidor tem cem anos de perdão”. Então, o candidato traidor traiu o partido traidor e debandou para o lado da candidatura mais reacionária. Exatamente a candidatura apoiada por outra dinastia, a “dinastia Bolsonaro”. A campanha de Witzel foi turbinada, de forma silenciosa, nos subterrâneos do WhatsApp e das redes sociais pelos Bolsonaros.

O prêmio do mascote da “dinastia Fernandes” pela sua traição ao PDT veio a jato: a Secretaria de Educação. A candidatura de Pedro Fernandes foi a famosa “candidatura de vitrine”. Porque ele é candidatíssimo a prefeito do Rio em 2020 e precisa ficar em evidência. Em sua estratégia, era importante estar em um partido com garantia de participação em debates e entrou para o PDT, que já não tem mais nada a ver com o velho Brizola. Tanto que aceitou Pedro Fernandes. Uma das bandeiras, em nível nacional, da “dinastia Bolsonaro”, é o famigerado projeto “Escola sem Partido”, que significa a censura, a mordaça, o fim do debate crítico e a denúncia de professores por um canal anônimo. Lembra bem a inquisição. Claro que Witzel apóia essa ideia. Porque Witzel é Bolsonaro. Então, Pedro Fernandes não pode criticá-la. Como um secretário de Educação pode afirmar ser “perda de tempo” discutir um projeto que ameaça a liberdade de expressão, de cátedra e que quer implantar a mordaça nas escolas? Quando Pedro Fernandes fez sua infeliz declaração, alegou que “o importante é zerar o déficit de vagas nas escolas”. Zerar o déficit de vagas é obrigação. Porém, dizer ser “perda de tempo” discutir um projeto que ameaça professores até com um canal inquisitorial de denúncia anônima, é omitir-se diante daquilo que não se pode omitir.

Evidentemente Pedro Fernandes não quer tocar no assunto. Porque deve ter vergonha de defender o projeto. E deve ter medo de atacá-lo. Assim, melhor ficar vendo a banda passar, sem se pronunciar em relação a um projeto que é, inclusive, de âmbito nacional e contra o qual várias entidades em defesa da liberdade de expressão e da liberdade de cátedra já se posicionaram contra. Porém, o mascote da “dinastia Fernandes” terá que perder ou o medo ou a vergonha. Porque o assunto continua em pauta, especialmente agora, com o início de um ano letivo logo após a vitória fascista nas urnas. E vai ganhar campo visando as eleições municipais de 2020. Portanto, Pedro Fernandes tem que se decidir entre perder o medo ou a vergonha. Não chega a ser um dilema porque, nesse caso, ele teria uma terceira alternativa: retornar ao feudo de sua família, no bairro de Irajá, e voltar ao legislativo.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s