MORO E O CAMINHO DO BANHEIRO

moro no banheiroA “prolecracia”, agora, comprovadamente, em parceria com a “twittercracia”, mandam e desmandam no desastroso e surreal governo Bolsonaro. Se um filho foi capaz de derrubar um Ministro, agora o exército virtual de bolsonaristas foi capaz de pressionar o “impávido” Sérgio Moro a voltar atrás na nomeação da cientista política Ilona Szabó para o Conselho Nacional de Políticas Criminais e Penitenciárias. Mas Sérgio Moro não tem nada de impávido. Ele tem medo até de robôs. Logo após a nomeação de Ilona Szabó para o Conselho, os exércitos virtuais de hidrófobos olavistas-bolsonaristas começaram a disparar os seus sintomas pelo Twitter, chegando até a chamarem Sérgio Moro de “bunda mole”. Os extremistas bolsonaristas, como sabemos, fazem uso de “bots”, os famigerados robôs virtuais que são disparados pela rede para turbinar postagens e enganar trouxas. Assim como o Bolsonaro real  é covarde e avesso aos debates, os bolsonaristas virtuais também são covardes e colocam robôs virtuais para “debaterem” e enviarem mensagens. Depois da reação dos extremistas virtuais, os robôs parecem ter sido suficientes para Moro, mais uma vez, recuar. Ele já havia recuado diante da pressão de políticos para retirar o “caixa 2” do pacote anticrime, abrindo mão de suas ditas convicções. Então, rendeu-se às pressões e fatiou o projeto.

Agora, na formação de um Conselho que, pela sua própria natureza, deve ser plural, Moro novamente sucumbe a pressões e recua diante da nomeação de quem poderia, em algum momento, ser o contraponto das políticas criminais e penitenciárias do governo. Porque a cientista política Ilona havia sido nomeada como suplente do Conselho. As críticas dos extremistas e seus robôs nas redes sociais foram suficientes para Bolsonaro e Sérgio Moro chegarem a um “entendimento” e a escolha de Ilona ser “revista”.

Em novembro, logo após a vitória fascista nas urnas, Bolsonaro havia declarado em uma entrevista que “Moro teria carta branca para comandar a Justiça”. Está provado que Moro não tem “carta branca” pois, se assim fosse, sua decisão seria mantida. Também está provado que Moro não é independente e nem resistente a pressões. Primeiro, se curvou aos políticos em relação ao crime de “caixa 2”. Agora, se curvou vergonhosamente aos extremistas das redes sociais. Ele já era medroso como juiz, pois se recusou a condenar a mulher de Eduardo Cunha logo após as ameaças do bandido, apesar de todas as provas. Agora, no governo, em menos de duas semanas, já deu provas de que é fraco e nada tem de independente.

Depois de todos esses episódios de fraqueza e demonstração de que também será uma mera engrenagem manipulável, seria a hora de Moro seguir aquele velho conselho de meu avô e “pedir para ir ao banheiro e sair.” Só que, certamente, isso lhe custaria mais do que o emprego. Ele fatalmente perderia a sua nomeação para ministro do Supremo Tribunal Federal. Mas ainda assim, nesse momento, o caminho do banheiro tornaria sua biografia um pouco menos maculada.

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