MORO VIRA PIADA DOS MARINHOS

moro antes e depois

“Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se alguém causa ainda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!” (Augusto dos Anjos, “Versos Íntimos”).

Jamais poderíamos imaginar que o político Sérgio Moro seria, um dia, objeto de piada da Rede Globo. A mesma Rede Globo para quem o ex-magistrado, em 2016, vazou ilegalmente o áudio da conversa da então Presidente Dilma. A mesma Globo que, outrora, enganando incautos, hidrófobos e patos amarelos, alavancou Moro à condição de protótipo e arauto da moralidade. Sabe aquela coisa do “antes” e do “depois”? A brincadeira, que na verdade trata de algo sério, é mais um elemento para desmascarar o político Sérgio Moro. Neste domingo, 24 de fevereiro, no quadro “Isso a Globo Não Mostra”, do “Fantástico”, a emissora da família Marinho mostrou declarações do ex-juiz de 2017 e de 2019, depois que tornou-se ministro bolsonarista, em relação ao crime de “caixa 2”, por ele mesmo já considerado pior do que corrupção e agora, por pressão dos políticos, já não considerado prática tão grave, tanto que chegou a separar o “caixa 2” do seu chamado “pacote anticrime”.

No quadro são apresentados os dois momentos do político e atual ministro bolsonarista da Justiça Sérgio Moro. A Globo, que foi um grande meio de divulgar e alavancar Sérgio Moro, agora o ridiculariza. Isso para mostrar que o próprio Moro foi usado pela emissora. Ou será que ele pensava que a Globo, que o alavancou e o propagou midiaticamente, gostava tanto dele assim? Ela “gostava” enquanto ele foi útil. Mas o tiro da família Marinho saiu pela culatra e o candidato tucano deles se deu mal. Então, tiveram que engolir o fascista. Então, tiveram que perder campo para a Record, emissora oficial do “Bozo”. No vídeo, com direito a voz de Ana Maria Braga e do Louro José, é mostrado como o político Sérgio Moro mudou de convicção em tão pouco tempo. Os tempos dos “colares de tomate” já se foram e hoje até a Ana Maria Braga, aquela que um dia disse que “Yasser Arafat levou toda sua vida lutando pela criação do Estado de Israel” é usada para ridicularizar Moro. Parece que a Besta do Jardim Botânico pegou pesado com o “ex-coroné de toga”.

Vai aqui uma outra sugestão para a Globo: poderia ser feito um outro “antes e depois” com o político Sérgio Moro em relação à privacidade. Recentemente, quando o ministro bolsonarista da Justiça reuniu-se com representantes da Taurus, logo depois afirmou que a reunião era secreta e que não revelaria assuntos de governo, que exigem privacidade. Às favas com o interesse público. Mas quando Moro vazou criminosamente a conversa de Dilma, alegou “interesse público”. No entanto, naquela ocasião a Globo gostou, porque ela foi a grande receptadora do objeto do crime e divulgou o áudio em primeira mão. Não nos iludamos com a Globo. Ela usa. Ela joga fora. E, nisso, ela é igualzinha ao “Bozo”. Perguntem para o Magno Malta. Perguntem para o Bebianno. Está faltando mesmo é a Globo fazer um “antes e depois” sobre ela mesma. Poderia ser lembrado, por exemplo, o seu apoio ao golpe e à ditadura militar e, depois, sua postura “democrática”. Poderia ser lembrado, por exemplo o “Escândalo da Procuonsult” e, depois, a sua “preocupação” com a lisura das eleições. Mas aí já é pedir demais.

Abaixo, o vídeo do “antes e depois” exibido no Fantástico de 24 de fevereiro de 2019:

MORO MENTIROSO OU AMNÉSICO?

dima projeto caixa 2

“O governo, diferentemente do que fez qualquer outro, apresentou uma proposta legislativa para criminalização do caixa dois.” (Sérgio Moro, Ministro bolsonarista da Justiça, em 21 de fevereiro de 2019, afirmando que, antes dele, nenhum outro governo havia apresentado proposta que criminalizasse a prática de “caixa 2”).

No dia 17 de março de 2015, a então Presidente da República Dilma Rousseff enviava ao Congresso Nacional um pacote anticorrupção que previa a tipificação da prática de “caixa 2” como crime. Na ocasião, o Presidente do Congresso era Renan Calheiros, a quem foi entregue o projeto por Dilma. O projeto de Dilma “mofou” no Congresso Nacional e ficou, para sempre, paralisado na primeira comissão em que deveria ser analisado. O Brasil vivia um momento crucial em sua história, em que manifestações contrárias à então Presidente, patrocinadas pela grande mídia e pelo grande empresariado liderado pela FIESP, já mostravam o caminho do golpismo que culminaria com a deposição de Dilma.

Esta semana, em Paris, o político Sérgio Moro afirmou, com todas as letras, que “nenhum outro governo havia apresentado projeto que criminalizava o caixa 2.” Será que o político Sérgio Moro esqueceu-se do projeto apresentado por Dilma em 2015? Ou ele está, deliberadamente, mentindo? Há algum tempo o político Sérgio Moro parece que vem tendo surtos amnésicos, pois ele está esquecendo, muito rapidamente, de coisas importantes, inclusive ditas por ele próprio. Ele parece já ter esquecido o que falou em uma palestra em Harvard sobre “caixa 2”, quando disse que essa prática é pior do que corrupção. Ele parece já ter esquecido que vazou, ilegalmente, grampos para a Globo divulgar áudios de conversas telefônicas da ex-presidente alegando “interesse público” e agora pede “privacidade” em reuniões secretas e suspeitas com representantes da Taurus. E agora, parece que também “esqueceu-se” do projeto apresentado por Dilma em 2015 que criminalizava o “caixa 2”, pois, ao contrário do que afirmou em Paris, Dilma foi a primeira Presidente a apresentar projeto criminalizando essa prática. Será que o político Moro anda mesmo amnésico ou será ele um mentiroso? Porque, ao que sabemos, o Ministro bolsonarista da Justiça parece ser muito bem informado, especialmente quando se trata de leis, e certamente ele não poderia esquecer de um projeto que criminalizava, já em 2015, algo que ele sempre considerou abominável.

Seja amnésico ou mentiroso, é bom lembrar que, no caso de Dilma, a situação foi bem diferente da atual. Primeiro, Dilma não se deixou levar por pressões de políticos, que não queriam o projeto. Ao contrário de Moro, que curvou-se àquilo que ele chamou de “apelos” dos políticos. O projeto de Dilma enviado em 2015 previa prisão de 3 a 6 anos, inclusive para doadores dos recursos que iam para o “caixa 2”. Em segundo lugar, o projeto de Dilma jamais foi fatiado. Tudo ficou no mesmo “combo”. Ao contrário de Moro que, de forma sórdida e covarde, fatiou seu projeto atendendo aos políticos e colocando o “caixa 2” separadamente em outro projeto, que só será votado sabe-se lá quando.

O político e Ministro bolsonarista da Justiça Sérgio Moro deveria, sim, ser coerente com o que sempre pregou quando formou a sua claque delirante e bancar, agora, tudo o que, suposta e expressamente, sempre defendeu. Porque ele já demonstrou ser parcial e seletivo em seus tempos de magistratura na “República de Curitiba”. Agora, demonstra ser covarde, mentiroso e amnésico. Qual será o próximo adjetivo?

OS CHEQUES DA “VAL 02”

cheques da val 02A primeira Wal era com “W”: a  tal funcionária fantasma do gabinete do então deputado Jair Bolsonaro que era vendedora de açaí em Angra dos Reis. A “Wal do açaí”, como era conhecida, recebia salário com verba pública, do gabinete de Bolsonaro, mas não comparecia ao serviço. A Wal, com “W”, vendia o seu açaí  nas proximidades de uma casa de Jair Bolsonaro em Mambucaba, distrito de Angra dos Reis, e o marido dela fazia serviço de caseiro para o então deputado federal. Tudo muito certo se ela não fosse funcionária fantasma.

Agora outra Val, esta com “V”, foi encontrada na família de Bolsonaro. E, mais uma vez, quem está no rolo é Flávio Bolsonaro, o deputado estadual que condecorou milicianos na Assembleia Legislativa. E tudo leva a crer que o caso é muito sério. Dessa vez a Val, que poderíamos chamar de “02”, como o próprio Bolsonaro faz com os seus filhos, é a senhora Valdenice de Oliveira Meliga. A senhora Valdenice, ou “Val 02” é irmã da dupla de milicianos, os irmãos Alan e Alex Rodrigues de Oliveira, que estão presos. Agora, uma reportagem da Isto É  mostra que a “Val 02”, a irmã dos milicianos, era uma pessoa de total confiança de Flávio Bolsonaro, a ponto de atuar como responsável pelas contas de sua campanha à eleição do Senado no ano passado. As relações íntimas da família Bolsonaro com os milicianos já é um fato conhecidíssimo e esta não se deu apenas com a condecoração de chefes de quadrilhas de milícias. Já foi mostrado, também, que Flávio Bolsonaro empregava familiares de milicianos em seu gabinete. Agora, a coisa parece ter ido muito mais além. Val, a irmã dos dois milicianos presos, atuava como administradora de recursos de sua campanha, inclusive assinando cheques em nome de Flávio Bolsonaro. A reportagem publicada na Isto É exibe os cheques nos valores de 3.500 e 5 mil reais que foram assinados pela “Val 02”. Documento enviado à Justiça Eleitoral mostra que a “Val 02” tinha procuração passada pelo filho de Bolsonaro para  realizar a tarefa. Só para termos uma ideia de mais esse rolo de Flávio Bolsonaro: o cheque de 5 mil, assinado pela “Val 02” foi pago a Alessandra Cristina Ferreira de Oliveira, para prestação de serviços de contabilidade. Ocorre que Alessandra também trabalhava no gabinete de Flávio e ainda era tesoureira do PSL. Então, como tesoureira do partido, ela era responsável por administrar recursos da legenda e acabou levando para sua empresa os serviços de contabilidade de 42 candidatos do partido. Ou seja, atuando como tesoureira, ela agiu para levar os recursos do partido para a sua própria empresa. E, se ficarmos atentos, dentre essas candidaturas, encontraremos “laranjas”.

No caso do serviço prestado à campanha de Flávio Bolsonaro ao Senado, o cheque recebido pela empresa de Alessandra foi assinado por ninguém menos do que a irmã dos milicianos presos ou, como queiram, a “Val 02”.

Depois do escândalo do Queiroz, da condecoração dos milicianos, do emprego do familiares de milicianos em seu gabinete, agora surge a notícia dos cheques de campanha assinados pela irmã dos milicianos, que era “administradora” dos recursos de campanha de Flávio. Ficamos na expectativa das manifestações dos patos amarelos, agora alaranjados. Afinal, quem tem “bandido de estimação”?

JUIZ LEÃO, MINISTRO CORDEIRO!

moro caixa 2

Temos que falar a verdade, a Caixa 2 nas eleições é trapaça, é um crime contra a democracia. Me causa espécie quando alguns sugerem fazer uma distinção entre a corrupção para fins de enriquecimento ilícito (caixa 2) e a corrupção para fins de financiamento ilícito de campanha eleitoral. Para mim a corrupção para financiamento de campanha é pior que para o enriquecimento ilícito.” (Moro juiz, em 2016).

“Houve reclamações por parte de agentes políticos de que o caixa 2 é um crime grave, mas não tem a mesma gravidade que corrupção, que crime organizado e crimes violentos. Então, acabamos optando por colocar a criminalização num projeto à parte que está sendo encaminhado neste momento. Foi o governo ouvindo as reclamações razoáveis dos parlamentares quanto a esse ponto e simplesmente adotando uma estratégia diferente.” (Moro ministro, em 2019).

“Eu nem acredito que aquele garoto
Que ia mudar o mundo
Mudar o mundo
Frequenta agora
As festas do Grand Monde.” (Cazuza/Frejat, “Ideologia”, 1987)

Em seus tempos de juiz, Sérgio Moro era o oposto do que deveria ser. Ao invés de reservado, era midiático. Ao invés de manter a privacidade de certos assuntos da Justiça, tornava-os públicos, como no caso da divulgação do grampo ilegal da conversa da ex-Presidente Dilma em 2016. Na época ele disse que “a democracia, em uma sociedade livre, exige que os governados saibam o que fazem os governantes, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas sombras.” Como juiz, em uma entrevista ao “Estadão” disse que jamais entraria para a política e, em uma palestra em Harvard, em 2017, disse que o crime de caixa 2 era “pior do que corrupção”. Isso, quando era juiz e tornou-se o ídolo dos patos amarelos (hoje alaranjados).

Agora assumidamente político, coisa que sempre foi, e ocupando um cargo político de confiança no governo Bolsonaro, que o ex-juiz ajudou a eleger ao divulgar, às vésperas da eleição, o conteúdo da delação de Palocci, ele mudou. Depois de uma reunião com representantes da Taurus, a fabricante de armas grande interessada no decreto que regulamenta a posse de armas de fogo, Moro alegou privacidade e não quis revelar o conteúdo da reunião, apesar de o assunto ser de grande interesse da sociedade. Então, Moro jogou no lixo a sua convicção de que os governados devem saber o que fazem os governantes. Coisa que ele não pensava nos tempos de juiz.

Assim foi o tal “Pacote Anticrime”. Admitindo pressões da casta política, Moro mandou às favas suas convicções de juiz legalista e moralista. Se outrora para ele o crime de caixa 2 era mais grave do que o de corrupção, agora ele atendeu aos apelos, certamente de seus pares políticos, e fatiou o tal pacote. Moro se curvou aos apelos dos políticos, que alegaram que “o caixa 2 é um crime grave, mas não tem a mesma gravidade que corrupção, crime organizado e crimes violentos.” E Moro cedeu.

Talvez dê para entender essa mudança nas convicções de Moro. Afinal, ele tem um colega de Ministério, o Onyx Lorenzoni, que é réu confesso em prática de caixa 2. Os recentes escândalos envolvendo candidaturas laranjas do partido de Bolsonaro certamente também influenciaram Moro. Nada como um dia atrás do outro. Onde foi parar aquele jovem, severo e corajoso juiz que um dia afirmou em público que o caixa 2 é pior do que corrupção?

A submissão de Moro, o outrora “Rambo da Justiça”, aos “apelos” de políticos, que seriam os mais afetados com a equiparação do caixa 2 à corrupção, mostra o quanto o juizinho da “República de Curitiba” capitulou logo no primeiro round contra aqueles que poderiam ser afetados por uma tipificação mais severa do crime de caixa 2. Justificando o seu recuo e, por que não dizer, a sua covardia, Moro disse que foi “sensível”, dizendo que as reclamações dos políticos (os que seriam afetados pela inclusão do caixa 2 no pacote) eram “razoáveis”. Com o fatiamento, o caixa 2 vai ser votado em separado do restante do pacote e, evidentemente, todos já sabem o resultado dessa votação. Como diz o bordão do narrador esportivo Milton Leite: “Segue o jogo!” E onde foi parar aquele garoto que ia mudar o mundo? A turma do Onyx agradece…

PEGARAM O BOZO NA MENTIRA!

bolsonaro-mentiu.jpgE o Bozo mentiu. Que ele quisesse exonerar o Bebianno, tudo bem. O cargo é do Presidente, embora não estivesse em sua cota pessoal. Que ele quisesse defender o seu pimpolho Carlos, o “pitbull tuiteiro”, tudo bem. Mas ele mentiu. Hoje foram divulgados os áudios dos diálogos travados, pelo WhatsApp, entre o ex-Ministro Bebianno e Jair Bolsonaro. Se houve diálogo, então houve conversa, ainda que não tenha sido presencial. Então, como afirmar, como disse Bolsonaro, que eles não haviam conversado? Se os diálogos orais e escritos travados pelo WhatsApp não podem ser considerados conversa, então a maioria dos votos que Bolsonaro obteve devem ser anulados, porque tiveram a mesma origem: o WhatsApp. Bolsonaro e Bebianno trocaram mensagens escritas e de áudio no dia 12 de fevereiro e falaram sobre os mais diversos assuntos, desde o escândalo das candidaturas laranjas do PSL, passando pela Rede Globo e por uma suposta viagem da “Ministra dos Costumes” Damares e do Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles (aquele mesmo que foi condenado por crime ambiental) ao Pará.

Durante as conversas, percebe-se claramente que, enquanto Bebianno fala com tranquilidade e mostra-se durante todo tempo sereno, apesar da tensão, Bolsonaro, como sempre, mostra o seu desequilíbrio. No final, Bolsonaro quer esquivar-se do escândalo das candidaturas laranjas, dizendo que aquilo “não poderia cair no seu colo”.

Portanto, aconteceram sim vários diálogos entre Bolsonaro e Bebianno e os áudios mostram que os mentirosos são o papai e o “filho pitbull”. As farpas trocadas, as acusações, os desentendimentos, são outras questões. Mas que aconteceram sim as conversas, isto está provado. Agora o ex-Ministro já sabe a fria em que se meteu. Nesse aspecto, Bebianno representa milhões de brasileiros. Os áudios já estão circulando por diversos sites e, abaixo, replicamos alguns trechos das conversas que Bolsonaro e seu filho Carlos afirmaram “não terem acontecido”:

“Eu não quero ele aí dentro”, afirmou Bolsonaro. “Qual a mensagem que vai dar para outras emissoras? Que nós estamos nos aproximando da Globo (…) Você está trazendo o maior cara que me ferrou antes, durante e agora após a campanha para dentro de casa. Me desculpa: como presidente da República: cancela. Não quero esse cara aí dentro e ponto final.” (Bolsonaro para Bebianno, sobre a reunião do ex-ministro com o representante da Globo).

“Capitão, está difícil para mim”, escreveu Bebianno. “Não vou ser taxado de mentiroso por ninguém. Não sou mentiroso, não sou desonesto. Isso não está certo! O Carlos não pode mais seguir ofendendo as pessoas, agredindo, xingando, transformando seu aliados e amigos em opositores. Isso precisa parar. Isso vai comprometer o seu governo.” (Bebianno para Bolsonaro, queixando-se da atitude do filho do Presidente).

“Você não falou comigo nenhuma vez no dia de ontem”, respondeu Bolsonaro em outra mensagem de áudio. “Ele esteve comigo 24 horas por dia, então ele não está mentindo nada nem tá perseguindo ninguém”. (Bolsonaro para Bebianno, em defesa do filho Carlos)

“Capitão, há várias formas de se falar”, rebateu. “Nós trocamos mensagens ontem três vezes ao longo do dia, capitão. Falamos da questão do institucional do Globo, falamos da questão da viagem. Falamos por escrito, capitão. E qual a relevância disso? As coisas precisam ser analisadas de outra forma, tira isso do lado pessoal. Ele não pode atacar um ministro dessa forma. Nem a mim nem a ninguém. Isso está errado.” (Bebianno para Bolsonaro, demonstrando que eles se falaram, ao contrário do que o Presidente e o filho disseram).

“Querem empurrar essa batata quente desse dinheiro lá pra candidata em Pernambuco pro meu colo, aí não vai dar certo. Aí é desonestidade e falta de caráter”, afirma Bolsonaro. “A Polícia Federal vai entrar no circuito, já entrou no circuito, pra apurar a verdade. Tudo bem, vamos ver daí… Quem deve paga, tá certo? Eu sei que você é dessa linha minha aí.” (Bolsonaro para Bebianno, tentando tirar o corpo fora do escândalo das candidaturas laranjas).

Abaixo, reproduzimos os áudios:

 

 

AS LAVADEIRAS DO PSL

mulheres laranjas

“Nós mulheres íamos lavar o dinheiro para eles.” (Cleuzenir Barbosa, ex-candidata a deputada estadual do PSL em Minas Gerais, denunciando o esquema criminoso de lavagem de dinheiro com as candidaturas laranjas de mulheres no partido de Bolsonaro).

Os escândalos envolvendo o partido de Jair Bolsonaro e as podridões que rolaram durante a campanha eleitoral estão sendo revelados pelos próprios integrantes da sigla alugada por Bolsonaro. No caso, as mulheres que foram literalmente usadas como candidatas para que o partido pudesse cumprir a cota de participação feminina, receber dinheiro do fundo partidário e, em seguida, repassar os recursos para finalidades suspeitas e não declaradas. Era uma lavagem de dinheiro, visto que os recursos do fundo partidário são legais. Porém, o recebimento do dinheiro por “candidatas-laranjas”, legalmente inscritas para concorrerem às eleições, era uma forma de enganar a Justiça Eleitoral. Um simples cruzamento de dados chama nossa atenção e requer, no mínimo, uma investigação por parte da Polícia Federal e do Ministério Público. Como, por exemplo, o caso de uma candidata em Pernambuco que recebeu 400 mil reais do fundo partidário e obteve apenas 274 votos. É como se cada voto dessa candidata custasse 1460 reais. Claro que ela não foi candidata de verdade. Essas mulheres atuavam como “lavadeiras” do dinheiro que, depois que saía de suas mãos, ia lá sabe-se para onde.

Agora, uma ex-candidata a deputada estadual do PSL de Minas Gerais, estado que parece ser o epicentro de mais esse escândalo laranja, chamada Cleuzenir Barbosa, afirmou que o PSL promoveu um esquema de lavagem de dinheiro público em Minas Gerais, comandado pelo atual Ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio que era, na ocasião do esquema, o Presidente do diretório regional do partido. Na verdade, a ex-candidata Cleuzenir Barbosa não aceitou participar do esquema, teve apenas 2097 votos, não foi eleita e teve que deixar o país com medo de possíveis retaliações do então presidente do diretório mineiro do PSL, o atual Ministro do Turismo. Disse Cleuzenir, com todas as letras, que “as mulheres iam lavar o dinheiro para eles.” Depois que recebiam o dinheiro do fundo partidário, a ex-candidata disse que “o dinheiro voltava para eles.”

O escândalo do lançamento de “candidatas laranjas” para lavagem e desvio de dinheiro no PSL mostra bem o “apreço” que o partido de Bolsonaro tem com as mulheres o que, em se tratando do partido de Bolsonaro, não é novidade. Porém não podemos deixar de mencionar e lamentar a atitude daquelas que se deixaram usar para essa finalidade subterrânea.

O escândalo das candidaturas de mulheres que atuaram como “laranjas” no PSL foi o motor inicial da crise que derrubou Gustavo Bebianno do governo. Bebianno, assim como o Ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio, deve ter muito a dizer sobre a lavanderia do PSL. Durante as eleições, Bebianno era o Presidente nacional do partido e hoje, sem dúvida, ele é um “arquivo vivo”. Bebianno agora está furioso porque entende que o Ministro do Turismo não teve o mesmo tratamento dispensado a ele. Talvez seja uma questão de tempo. A candidata que denunciou o esquema teve que fugir das ameaças. O próprio Bebianno afirmou ter sofrido também ameaças de morte vindas de bolsonaristas.

Resta saber  como anda o “animus” daqueles que devem fiscalizar, apurar e julgar. O Ministro da Justiça, um “ex-juiz engajado na luta contra a corrupção”, sempre disse abominar “laranjas” e “caixas 2”. Porém, diante desses escândalos, ele tem falado tanto como uma girafa. Ainda não vimos jejuns espirituais do Dallagnol. E os amarelos parecem que já aderiram mesmo ao laranja. Talvez eles digam que as lavadeiras eram “vermelhas” e contaminaram a limpidez do amarelo e do PSL. Isso porque vermelho com amarelo dá laranja. Está aí uma boa desculpa. A turma que usa lavadeiras no laranjal fica me devendo essa.

BEBIANNO DEMITIDO E AMEAÇADO

bebianno ameaçadoGustavo Bebianno, demitido hoje do cargo de Ministro da Secretaria Geral da Presidência, não tornou-se apenas um desafeto do filho tuiteiro do Bolsonaro, mas também do próprio Bolsonaro. Bebianno é um arquivo vivo. Ele sabe todos os podres da campanha que levou Bolsonaro ao poder, visto que ele foi o coordenador. Ele sabe dos detalhes envolvendo o escândalo das candidaturas “laranjas” e desvio das verbas do fundo eleitoral.

Na tarde de hoje, vários sites noticiaram que Gustavo Bebianno  vem sofrendo ameaças de morte por parte de bolsonaristas. O telefone de Bebianno teria sido divulgado a vários neofascistas que estão dirigindo ameaças contra Gustavo Bebianno. O caso é gravíssimo e, certamente, a reação dos bolsonaristas com a ameaça de extermínio físico deve ter relação com o que Bebianno pode falar, principalmente agora que está fora do governo.

Os “bolsominions”, como são conhecidos os fascistas mais radicais que apoiam Bolsonaro, são muito bravateiros. Mas, nas fileiras fascistas, existem mesmo aqueles dispostos a espalhar, de forma covarde, o terror.

Bebianno está colhendo o que plantou. Ele era presidente do PSL. Não é mais. O partido foi infestado de bolsonaristas e ele já não controla mais a legenda. Agora, ele perdeu o cargo que ganhou como prêmio. Não podemos afirmar que Bebianno vá mesmo perder a sua vida. Mas, se quiser salvar ou recuperar parte de sua biografia, ele poderia fazer algum bem ao país, contando tudo o que sabe, tanto sobre Bolsonaro como sobre os porões da campanha e do próprio PSL. Isso não iria pagar sua dívida com a história, por ter ajudado a implantar o pesadelo fascista no Brasil. Mas recuperaria, em parte, sua biografia. Fala Bebianno!