BOLSONARO NÃO TEM “BULHÕES” PARA DEMITIR MORO

bolsonaro x moroUma velha máxima da igualmente velha e surrada política começou a atormentar Jair Bolsonaro. Trata-se da máxima que nos ensina que “nunca devemos nomear quem não pudermos demitir.” O ministro bolsonarista da Justiça, político Sérgio Moro, acaba de nomear a cientista política Ilona Szabó para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. A nomeação já agitou as milícias virtuais de bolsonaristas, que começaram a atacar o “herói” da “República de Curitiba” pelas redes sociais. Ilona Szabó participará de um Conselho para onde levará suas convicções, que são opostas às do governo Bolsonaro. Ilona defende o controle de armas, e não sua liberação. Ilona, há poucos dias, escreveu um artigo criticando o pacote anticrime do próprio Sérgio Moro. Ano passado, ela aderiu à campanha #elenão, que foi um dos maiores ícones antibolsonaristas. Por isso, os milicianos virtuais bolsonaristas estão rosnando nas redes. E justamente contra aquele que, outrora, foi um de seus “heróis”. Eles não engoliram a nomeação de Ilona Szabó para o Conselho. Jamais imaginaríamos que bolsonaristas atacariam Moro. E não adianta explicar para essa gente tomada pela hidrofobia que Conselhos do tipo para o qual Ilona foi nomeada devem ser “paritários”, ou seja, devem ter representantes das mais diversas correntes de opinião sobre o assunto a ser debatido no Conselho. Ouvir o contraditório é essencial na democracia. Esses conselhos são sempre formados paritariamente e, assim, devem ter representantes de vários matizes de opiniões. Senão, não seria um Conselho. Claro que nem o próprio Bolsonaro conseguirá entender isso, com a visão tacanha, limitada e bitolada que sempre carregou. Ele próprio deve estar enfurecido com o Moro.

É evidente que se o Ministro da Justiça fosse Bebianno, estaria demitido na hora. Nas conversas que teve com Bebianno pelo WhatsApp,  Bolsonaro não admitiu que Bebianno se reunisse no Planalto com um representante da Globo, dizendo ao ex-ministro que ele “estava levando o inimigo para dentro de casa.” Será que Bolsonaro sabe que Ilona Szabó, além de defender políticas de segurança opostas às suas, também é colunista da Folha de São Paulo, que ele também já declarou ser uma “inimiga”? Será que Bolsonaro sabe que Ilona Szabó também é comentarista do próprio Grupo Globo, onde faz comentários sobre política de segurança para a Globonews? E o Moro está levando essa pessoa para dentro de um Conselho do governo. Então, Bolsonaro, vai lá e demite o Moro agora! Porque, se o que o Bebianno fez foi motivo de demissão, então Moro está fazendo algo ainda pior. Vai lá agora capitão, e demite o Moro!

Bolsonaro sabe que o Moro não é Bebianno. Vendedores de legendas, ilustres desconhecidos, burros de carga de campanha eleitoral, esses são fáceis de demitir. Agora, Bolsonaro virou refém de seu próprio ódio. Porque Moro nunca foi de ter qualquer destaque, nem no meio jurídico e nem no judiciário. Nunca teve lastro acadêmico. Talvez, mais desconhecido do que o Bebianno. Mas caiu em seu colo algo que poderia tê-lo feito uma coisa bem diferente do que aceitou ser. E ele acabou transformando-se no ícone do antipetistmo e da prisão de Lula. Só. Nada mais. Todas as referências sobre Moro sempre estarão atreladas à condenação de Lula. Agora, Bolsonaro virou refém daquilo que tornou-se o símbolo das catarses dos seus próprios recalques. E, finalmente, chegou o dia de dizermos o que era simplesmente uma questão de tempo: ele não tem “Bulhões” para demitir Sérgio Moro!

 

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