DAMARES NO “ANTRO DE COMUNISTAS”

damares conselho onu“O Conselho de Direitos Humanos da ONU não serve para nada. Vou tirar o Brasil desse Conselho.” (Bolsonaro, em 2018, durante a campanha, desprezando o Conselho de Direitos Humanos da ONU).

“Aproveito a oportunidade para solicitar respeitosamente o apoio à candidatura brasileira a este Conselho, nas eleições que ocorrerão em outubro.” (Damares Alves, ministra bolsonarista dos “costumes”, no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em 25 de fevereiro de 2019).

No ano passado, um dos órgãos mais atacados por Jair Bolsonaro em sua campanha foi o Conselho de Direitos Humanos da ONU. Inicialmente, Bolsonaro havia falado que iria retirar o Brasil da ONU. Depois, foi mais específico e afirmou que, caso eleito, retiraria o Brasil do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Para Bolsonaro, o Conselho de Direitos Humanos era visto como um “antro de comunistas”. Bolsonaro e seus séquitos passaram a atacar de forma voraz o Conselho quando o órgão se manifestou favoravelmente ao direito de Lula ser candidato a Presidente da República, visto que sua condenação não é definitiva por ainda caberem recursos.

Ontem, no entanto, em sua primeira participação no Conselho de Direitos Humanos, a ministra bolsonarista dos “costumes”,  Damares Alves, lançou a candidatura brasileira para a eleição que ocorrerá no órgão em outubro desse ano e pediu apoio para a permanência do Brasil no Conselho a partir de 2020. Primeiro Bolsonaro diz que deixaria o Conselho, que ele considera um “antro de comunistas”. Depois, envia sua “ministra dos costumes” para a reunião do Conselho, que pede apoio para a permanência do Brasil no órgão a partir de 2020.

O discurso de Damares foi tosco, vago e repetidor de clichês de campanha. A ONU já cobrou ao governo brasileiro explicações sobre a investigação do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Certamente, uma resposta oficial vinda da ministra bolsonarista dos “costumes” era a grande expectativa. Porém Damares sequer comentou o duplo assassinato, que está próximo de completar um ano sem qualquer resposta das autoridades brasileiras. Damares também deveria ter pedido desculpas ao Conselho de Direitos Humanos pela aberração vomitada pelo seu colega de Ministério, Ricardo Salles, o ministro do Meio Ambiente condenado por crime ambiental, que afirmou recentemente não conhecer Chico Mendes e que o militante ambientalista, também assassinado, não representava nada. Ocorre que Chico Mendes foi reconhecido pela própria ONU, por quem foi premiado, por sua luta em defesa do meio ambiente. Seria uma ótima oportunidade para o Brasil mudar um pouco a sua obtusa imagem em relação à diplomacia e aos direitos humanos que o governo fundamentalista de direita conseguiu construir em menos de dois meses. Resta saber se a senhora Damares Alves saiu inteira do “antro de comunistas”.

 

 

 

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