BEBIANNO DESCARTÁVEL. SERÁ MENTIROSO?

bebiano“Eu posso cair. Caso isso aconteça, Bolsonaro cai junto.” (Gustavo Bebianno, via twitter, em 14 de fevereiro de 2019).

Dos quatro núcleos de sustentação do governo Bolsonaro, a saber, o núcleo militar, o núcleo evangélico, o núcleo partidário e o núcleo familiar, sabia-se desde o início que o núcleo familiar, composto pelos três pimpolhos-pitbulls do fascista, seria aquele que traria mais problemas ao governo. Primeiro foi o Eduardo, com o tal vídeo ameaçando o STF com um soldado e um cabo. Depois o Flávio, com os depósitos suspeitos e o uso do “laranja” Queiroz. Agora o Carlos, que fritou o ex-dono do PSL. Na verdade, os três filhos de Bolsonaro, que são parlamentares, atuam muito mais como “ministros e assessores paralelos” do pai do que como parlamentares. Foi anunciada agora a queda de Gustavo Bebianno, o coordenador da campanha de Bolsonaro que cedeu a legenda de aluguel, o PSL, para viabilizar a sua candidatura. Ele não será mais ministro. Depois da crise no PSL, após as evidências de candidaturas laranjas que culminavam no desvio de verbas de campanha, Bolsonaro logo tratou logo de desvincular-se de mais um escândalo. Escândalo ao qual ele também está ligado porque foi em seu partido. Até porque, a prática de uso de “laranjas” é comum na própria família Bolsonaro. Na troca de farpas, Bebianno foi desmentido publicamente por pelo Presidente e pelo seu filho Carlos. Claro que Bebianno cairia. Agora, depois de um mês e meio de governo, Bebianno ficou sem o comando do partido, sem o cargo de ministro, sem lenço e sem documento. Será que Bebianno é tão ingênuo para imaginar que não seria, assim como o seu partido, uma mera peça descartável na ascensão de Bolsonaro?

Na verdade, Bebianno foi importante enquanto serviu. Como coordenador da campanha, seu papel seria de grande utilidade, porque ele presidia o PSL e conhecia bem os diretórios e a estrutura do partido alugado por Bolsonaro. Uma vez eleito, Bebianno levou o seu quinhão no governo. Porém, desde sempre ele não foi aceito pelo núcleo familiar e os três filhos do Bolsonaro sempre lhe declararam guerra. Agora, depois do escândalo das candidaturas laranjas, sobrou evidentemente para o lado mais fraco e Bebianno está fora. Falando em “deslealdade” e “ingratidão”. E ainda completou, magoado, dizendo que “não se dá um tiro na nuca de seu próprio soldado.” E o que esperar de um capitão reformado que traiu o próprio Exército brasileiro? Para um capitão que tramou jogar bombas em quartéis de seu próprio Exército, “dar um tiro na nuca do próprio soldado” é “fichinha”.

Porém, uma afirmação de Bebianno não pode deixar de ser lembrada. Durante a semana, quando sentiu o cerco apertar e percebeu que seu processo de fritura era inevitável, Bebiano ameaçou, ou blefou, ao fazer uma bombástica declaração. Disse o ex-dono do PSL: “Eu posso cair. Caso isso aconteça, Bolsonaro cai junto.”

Jair Bolsonaro e seu filho Carlos chamaram Bebianno de mentiroso publicamente e isso acirrou os ânimos nas fileiras fascistas. Bebianno, no auge da crise, fez uma declaração que foi uma ameaça muito forte. Bebianno caiu. Agora, se Bolsonaro não cair, teremos que concordar com o pai e com o filho e dizer que o vendedor descartável de legenda de aluguel é mesmo um mentiroso. Andam dizendo por aí que Bebianno teria como trunfo a revelação dos podres da campanha, que cresceu à base das famigeradas “fake news”. Ficamos no aguardo.

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