O PISTOLEIRO DA GRAMÁTICA

pistoleiro da gramática“Assaltaram a gramática, assassinaram a lógica…Sequestraram a fonética,, violentaram a métrica.” (Herbert Vianna, “os Paralamas do Sucesso”).

“A prova será eficaz na formação de CIDADÕES”. (Marcus Vinícius Rodrigues, novo Presidente do INEP, ao tomar posse, 24/01/2019).

Em tempos de um governo com mais armas e menos livros, mais Damares e menos Paulo Freire, mais Alexandre Frota e menos Chico Buarque, mais Ustra e menos direitos humanos, não chega a surpreender que sobrou até para a gramática. Ontem, o novo Presidente do INEP (a instituição que elabora o ENEM), Marcus Vinícius Rodrigues, afirmou que o compromisso do governo Bolsonaro é “abandonar a postura ideológica na elaboração das provas do ENEM.” E concluiu dizendo que “a prova será eficaz na formação de “CIDADÕES”. (Sic!) Isso mesmo: o homem do governo Bolsonaro que comandará o ENEM falou “CIDADÕES”. Pior: foi um erro cometido em um discurso que foi lido e não feito de improviso. Não há dúvida de que o Presidente do INEP está mesmo precisando de uma boa reciclagem em Língua Portuguesa.

Enquanto as baboseiras absurdas de Bolsonaro foram espalhadas, como “kit gay”, “ideologia de gênero”, “professores doutrinadores” e outras mentiras criminosas, Bolsonaro ia escolhendo sua “equipe”. E o homem que comandará o INEP quer formar “CIDADÕES”. Chega a ser risível, porém não menos lamentável, a afirmação de que o governo Bolsonaro, na elaboração das provas, irá reforçar o ensino de Matemática e Língua Portuguesa. Sugerimos que esse reforço tenha início com o próprio Presidente do INEP.

Depois de uma Ministra que vê Jesus na goiabeira, de um chanceler que afirma que o aquecimento global é conspiração comunista e de um Presidente do INEP que desconhece flexão de número, somando-se ainda todas as expectativas nefastas em termos de cidadania em relação ao atual governo, parece que, na “nova era”, todos seremos mesmo “CIDADÕES”. Assim, Bolsonaro, que na campanha prometeu “metralhar a petralhada”, parece que vai metralhar os cidadãos. O pistoleiro já está contratado.

O EXÍLIO DE WYLLYS

wyllys marielle“Me apavora saber que o filho do presidente contratou no seu gabinete a esposa e a mãe do sicário.” (Jean Wyllys, deputado federal reeleito pelo PSOL, ao anunciar que desistirá do mandato e não voltará ao Brasil, por motivo de ameaças que vem sofrendo).

Quase um ano após o assassinato covarde da vereadora Marielle Franco, do PSOL, os sicários ainda estão soltos. E as ameaças continuam. Talvez, porque eles sentem-se à vontade. Seus familiares são até empregados em gabinetes de deputados apoiadores de milícias. E os próprios sicários são condecorados por esses mesmos deputados. Um deles, o filho do Presidente da República. Jean Wyllys anunciou hoje que não tomará posse como deputado federal e deixará o país. Jean Wyllys é um potencial alvo dos assassinos, ainda soltos, de Marielle. Assim como seus 24.295 eleitores. Pelas causas que sempre lutou. Pelas bandeiras que sempre levantou. Por todos aqueles que sempre incomodou. Cometeu erros. E acertos. Tudo normal. Anormal é, em pleno regime dito “democrático”, em menos de um ano uma vereadora e seu motorista serem assassinados, sem qualquer resposta das autoridades, e um deputado federal reeleito ter que deixar o país por sofrer ameaças. E isso não tem relação com “gostar’ ou “não gostar” de Wyllys e nem do PSOL. Porque esta já é a segunda voz representativa de uma corrente de opinião calada em menos de um ano. Pelo atual momento político, é legítimo perguntar: qual será a próxima?

Há quem diga que a decisão de Jean Wyllys é sinônimo de fraqueza de sua parte. Porém, não pensamos desse modo. Até o atual Governador do Rio, que mais parece um “xerifão” e que prometeu abater bandidos, fugiu de bandidos no Espírito Santo quando, ainda atuando como magistrado,  foi ameaçado. A decisão de Jean Wyllys é de se lamentar e, desde a redemocratização do país, não se via um caso sequer similar. Os sicários ganharam força desde a campanha eleitoral. Aqueles que odeiam Jean Wyllys, que odeiam não apenas as esquerdas, mas a democracia, estão se manifestando de forma agressiva diante da decisão de Wyllys e até comemorando. Mal sabem eles que a ameaça vai muito além de Wyllys. Vai muito além de Marielle e Anderson. O Brasil está doente e a ciência política já não é suficiente para explicar o tempo em que vivemos. É natural que os “cheios de ódio”,  que imaginam que o atual governo os represente, comemorem e zombem da decisão de Jean Wyllys. Foi assim em 1964. Muitos dos que exaltaram medidas absurdas contra os “comunistas” depois acabaram sendo as próprias vítimas. Carlos Lacerda que o diga. Mal sabem eles que estão urdindo suas autofagias. De forma irônica, o twitter oficial de Jair Bolsonaro dizia: “Grande dia!” Já Carlos Bolsonaro escreveu: “Vá com Deus e seja feliz!”

Ainda acreditava que não haveria mais exílio em nosso país. Pobre Brasil! Pobre democracia!

 

SILÊNCIO E VEXAME

silêncio de bolsonaroJá há quem diga que a ida de Bolsonaro e sua comitiva para Davos pode ser considerado um dos maiores desperdícios de dinheiro público da história. Para começar, Bolsonaro não tinha nem a noção do que significa a Conferência de Davos. Mas ele teria que saber que, acima de tudo, ele e sua comitiva iriam participar de um foro de debates sobre economia. Despreparado, sem argumentos e ignorando a maior parte dos problemas, Bolsonaro mostrou-se absolutamente incapaz de protagonizar qualquer discussão. Além de não dominar ou de ter a noção de algum tema, ele não tem qualquer capacidade de expressão e argumentação. Seu discurso foi considerado vago, genérico e que nada acrescentou, além da repetição de clichês de campanha.

O vexame maior aconteceu no cancelamento da entrevista coletiva que o Presidente, junto com Moro, Paulo Guedes e o “chanceler-mago”, Ernesto Araújo, dariam ontem. Incomodado talvez com o escândalo que envolve seu filho e sua família, mais uma vez Bolsonaro usou a arma da qual nunca deixou de lançar mão: a covardia. Alegando “cansaço” e “recomendação médica”, Bolsonaro mais uma vez fugiu da responsabilidade e não teve a coragem que um estadista, ou simplesmente chefe de Estado, deveria ter. Ele se elegeu sem debater. Ele governa sem falar, sem esclarecer, sem submeter suas ideias ao contraditório. Pois é justamente esse silêncio que fala muito alto.

Provavelmente surgiriam perguntas sobre  o escândalo envolvendo o seu “garoto”. Provavelmente surgiriam perguntas sobre o seu desprezo em relação ao meio ambiente, especialmente sobre o Acordo de Paris. Provavelmente surgiriam perguntas sobre o anti-globalismo e os rumos da diplomacia brasileira que quebram uma tradição secular. E já que ele estava “cansado”, seria até simples ele “passar a bola”. Porque ele não estaria sozinho na entrevista e sim com três “postos Ipiranga”: Guedes (o “original”), Araújo (o “mago”) e Moro (o “político da lei”). Mas se, por exemplo, Bolsonaro fosse perguntado sobre os indícios criminosos de seu “garoto” e passasse a bola para o “político da lei”, certamente Moro, que escreveu tantos livros sobre lavagem de dinheiro, talvez desse uma de FHC e dissesse: “esqueçam o que escrevi!”. Seria muito embaraçoso para Moro dizer que o “garoto” muito provavelmente é um criminoso. Já as piadinhas anti-globalistas do “mago” são muito divertidas por aqui. Mas esse, pelo menos, sabia onde estava pisando e se falasse sério perderia grande parte de sua claque. Ernesto Araújo foi “nomeado” pelo filho do Presidente, Eduardo Bolsonaro, e é alvo de chacotas até no Itamaraty.  Enquanto isso, o “posto Ipiranga original” não teria argumentos para falar em combater o déficit público com uma reforma da previdência que poupa militares, juízes, procuradores, parlamentares, pessoal do Iamaraty e outras castas. Portanto, é melhor manter o silêncio. E assim se fez.

Mas para dar entrevista na TV Record, a emissora oficial de seu governo, não há facada, colostomia ou cansaço que o impeçam. Assim, enquanto cancelava uma entrevista que teria repercussão mundial, Bolsonaro preferiu falar para a boiada do bispo Macedo.

Mas não houve apenas o silêncio vexaminoso. Dois grandes feitos, de “expressiva repercussão internacional” marcaram, até aqui, a presença de Bolsonaro em Davos: a pose para uma foto com o líder fascista italiano e o reconhecimento de Guaidó como Presidente da Venezuela. Enquanto isso, aqui do Brasil, o Vice no exercício da Presidência,  general Mourão, que sabe que quando seu Presidente fala só diz besteira,  antecipou-se em dizer que não haverá qualquer intervenção brasileira na Venezuela. Isso, antes que a bolsa de colostomia de Bolsonaro vazasse por via oral…

 

 

O CIRCO PEGOU FOGO!

circo pegou fogo

Acompanhando os noticiários ontem, dia 22 de janeiro, lembrei-me daquela velha historinha do estagiário de jornalismo, claro, um rapaz ainda muito inexperiente. Como “foca”, ele foi mandado para fazer a cobertura de um circo, um evento menos importante. Então, ao chegar à redação, o editor pediu para ver a sua matéria, no que o “foca” respondeu que não tinha escrito nada. O editor, então, perguntou:

– Como não tem nada escrito? Por que não tem matéria?

E o “foca”, cheio de segurança em sua resposta, disse:

– Porque o circo pegou fogo!

No mesmo dia em que o Presidente Bolsonaro fazia um discurso classificado como tosco, vago e burocrático, e que, por isso mesmo, nem decepcionou a maioria dos participantes da Conferência de Davos, na Suíça,, o circo pegava fogo em Rio das Pedras, zona oeste do Rio de Janeiro. Notava-se claramente a disparidade de foco de determinadas emissoras ao que acontecia no maior e mais tradicional reduto de milicianos do Rio de Janeiro. Rio das Pedras entraria para sempre na história da família Bolsonaro. E Davos também. O primeiro, pela íntima ligação entre Flávio Bolsonaro com criminosos da região, presos e foragidos, que ele até condecorou. O segundo, por mais um vexame internacional em um discurso que só repetiu clichês de campanha. Na Suíça, os aplausos foram tão burocráticos como seu discurso. Enquanto isso, em Rio das Pedras, “o crico pegava fogo”.

A programação da TV Record, de propriedade de Edir Macedo, o bispo aliado de Bolsonaro, deve ter se inspirado na historinha do jornalista inexperiente. Porque, enquanto acontecia um discurso em Davos, de pouco mais de 6 minutos, e que nada acrescentou a nada, horas e horas de ocorrências em Rio das Pedras revelava, de forma inequívoca, outra faceta dos Bolsonaros que em nada nos surpreende.

Naturalmente, por dever de ofício, algum repórter da Record teve que ser mandado a Rio das Pedras. Mas agora é tudo em tempo real. No tempo do jornalista inexperiente, eram necessárias as laudas. E a TV mostra o que quer. Assim, se alguém entrasse em contato com o serviço de atendimento ao telespectador da Rede Record no dia de ontem, perguntando porque nada seria exibido sobre o que acontecia de fato em Rio das Pedras, teria como resposta:

– Porque o circo pegou fogo!

A EX-NAMORADINHA ARREPENDIDA

15.05.1988 - IRINEU BARRETO / GDI - REGINA DUARTE FAGUNDES EM CENA DA NOVELA.“Precisamos saber quem é quem.” (Regina Duarte, a ex-namoradinha do Brasil e bolsonarista arrependida).

Regina Duarte, a “ex-namoradinha do Brasil”, aquela que disse, em 2002,  que “tinha medo”, agora está com uma baita “dor de corno”. Sua dor, embora seja “de corno”, não tem nenhuma ligação com decepções amorosas. A ex-namoradinha está decepcionada com o governo Bolsonaro, que ela apoiou intensamente na campanha, na “cruzada redentora e patriótica contra a corrupção”. Regina Duarte tem se mostrado incomodada com o apoio quase certo do partido de Bolsonaro, o PSL, a Renan Calheiros (que responde a 18 inquéritos no STF) na disputa para a Presidência do Senado. Isso, depois de Bolsonaro já ter acenado para apoiar Rodrigo Maia (o “Botafogo”, na planilha de propinas da Odebrecht) para a reeleição à Presidência da Câmara. Regina Duarte quer, afinal, saber “quem é quem” e por isso pede que o voto para as Presidências das casas legislativas seja aberto.

Pelas redes sociais, Regina Duarte quer saber “quem é quem”. E será que ela não sabia quem era Bolsonaro? Que “novo” Bolsonaro representava, sabendo-se que, em 30 anos, ele perambulou por 15 partidos políticos, vários deles envolvidos em corrupção, incluindo-se o de Paulo Maluf? Será que ela não sabia que ele sempre defendeu a ditadura, a tortura e até exaltou torturadores? Será que ela não sabia que Bolsonaro sempre desprezou a classe artística, as mulheres, e ainda expressou claramente sua índole racista e homofóbica? O que Regina Duarte “não sabia’? (Depois, não me venha falar do Lula…)

Agora, com as alianças com políticos ligados ao velho sistema (do qual ele sempre participou), com os escândalos envolvendo sua família e o “laranja” da família, com as ligações da família com o “Escritório do Crime”, com as condecorações feitas por Flávio Bolsonaro a chefes de organizações criminosas, isso sem falar do papelão de Bolsonaro na Conferência de Davos, ela se mostra “arrependia”. Talvez “decepcionada”. Isso com apenas três semanas de governo.

Ela chegou a convocar seguidores e fãs para uma manifestação na Avenida Paulista no último domingo, dia 20. Mas parece que os amarelos encardidos preferiram ficar em casa bebendo suco de laranja e assistindo a TV Record...

Será que a “ex-namoradinha” vai ficar com medo de novo?

O BRASIL DOS RIGUETTES

riguette preso

“Haddad cria kit gay para crianças de 6 anos.” (Jorge Riguette, militar e militante bolsonarista, preso por pedofilia, em seu perfil no Facebook em 8 de outubro de 2018).

Jorge Riguette é militar da reserva. Tem 67 anos. Apoiador ferrenho de Bolsonaro nas últimas eleições, sempre defendeu a “moralidade”. Especialmente, sempre defendeu as crianças. Em seu perfil no Facebook, em defesa das crianças,  o militar bolsonarista-moralista postou, em 9 de outubro de 2018, que “Haddad cortou a verba das crianças com câncer”. Em uma postagem feita na véspera, o militar moralista-bolsonarista divulgou um vídeo contendo a falsa notícia de que “Haddad implanta o kit gay para crianças de 6 anos.” Kit gay, aliás, que jamais existiu. Falava ainda em “limpar o Brasil”, dentre outras sandices neofascistas que infestaram o país. Mas tudo leva a crer que, além da máscara do governo de extrema-direita, a de seus eleitores também vem caindo.

Jorge Riguette foi preso em outubro por pedofilia. O bandido bolsonarista distribuía pornografia infantil pela internet e armazenava 700 mil fotos pornográficas de crianças em seu computador. O caso do militar-meliante-bolsonarista corria em segredo de justiça e na última sexta-feira, dia 18, a Procuradoria Geral da República divulgou as informações sobre o bandido pedófilo.

Os pseudo-moralistas são assim: caluniam outrem por aquilo que fazem. Querem, reiteradamente, mostrar aquilo que não são. Divulgam mentiras alarmantes para colocarem-se como “protetores”. E eles, no fundo, são os grandes criminosos.

A boiada que votou em Bolsonaro deve ter sido influenciada por  muitos “Riguettes” pelo Brasil afora. Porque Riguette, como todo bolsonarista, defende a ditadura, a tortura e estampava um moralismo que servia como cortina de fumaça para seus próprios crimes. Enquanto isso, a boiada repetia, como robôs, a falácia absurda de um tal “kit gay” que jamais existiu. Quantas pessoas esse pulha influenciou com seu discurso, suas afirmações falsas, suas calúnias? Porque, por trás do bandido, convivem as práticas espúrias que levaram o candidato fascista à vitória.

Riguette é um bandido de projeção internacional. O FBI o considera um dos 100 maiores propagadores de pornografia infantil pela internet. O bandido tinha até um catálogo de classificação etária das crianças que exibia, incluindo-se bebês.

Geralmente, os encarcerados não toleram pedófilos e estupradores, que ficam separados nas prisões para não serem molestados ou até mortos. Certamente,  a defesa do bandido pedófilo bolsonarista deverá apelar até para a Comissão de Direitos Humanos, coisa que este excremento sempre desprezou. Ou então, quem sabe, talvez ele possa mostrar uma  face oculta e reprimida de seu apodrecido inconsciente.  Mas aí seria bom demais para esse vagabundo…

 

CHORORÔ: O MENINO QUER COLO!

flávio bolsonaro chorando“As denúncias sobre Flávio Bolsonaro podem ser verdadeiras ou não (parecem ser), mas enxugar o focinho com nossa bandeira do Brasil é inaceitável, rematada vigarice.” (Senador Roberto Requião, sobre o “chororô” do filhinho 01 de Bolsonaro, que enxugou suas lágrimas na bandeira brasileira).

“São consideradas manifestações de desrespeito à Bandeira Nacional, e portanto proibidas:

III – Usá-la como roupagem, reposteiro, pano de boca, guarnição de mesa, revestimento de tribuna, ou como cobertura de placas, retratos, painéis ou monumentos a inaugurar.” (Lei 5700/1971, que trata dos símbolos nacionais, artigo 31).

Não demorou para que o apelo ao emocional aparecesse. O vídeo que mostra o filho de Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, enxugando suas lágrimas na bandeira do Brasil é ridículo, inaceitável e um desrespeito ao símbolo nacional. Flávio Bolsonaro, não tendo altivez e argumentos para enfrentar as graves denúncias contra ele, depois de tentar se explicar na emissora do Bispo Macedo, agora apela para o choro. Nós sabemos quem ele quer atingir. É principalmente a opinião pública desinformada, especialmente suscetível a apelos emocionais. Para quem já desmaiou em  um debate e agora aparece com uma imagem em que abre o berreiro e enxuga as lágrimas em nossa bandeira, a fraqueza de espírito é visivelmente grande. Sabe-se que o vídeo é da época da campanha. Porém, foi muito divulgado agora como, certamente, um expediente para invocar o lado preponderantemente emotivo do brasileiro. O vídeo “entrou em campo” exatamente no momento em que o filhinho do papai precisa de “colinho”.

Mas além das denúncias que Flávio Bolsonaro já tem que responder, é possível enquadrá-lo em outra: a do desrespeito aos símbolos nacionais. Sim, porque ele desrespeitou a nossa bandeira. Ele que usasse um lencinho (talvez azul, para agradar à Damares) para enxugar suas lágrimas de crocodilo. Porque o filho do Presidente desrespeitou nossa bandeira, infringindo o artigo 31 da Lei 5700/1971, que dispõe sobre a apresentação e utilização dos símbolos nacionais. E a lei é clara em seu artigo 31: a bandeira nacional não pode ser usada como pano de boca.  A imagem é clara e o desrespeito aos símbolos nacionais é crime. Ele poderia até ser enquadrado na Lei de Segurança Nacional.

Enquanto isso, as investigações estão paradas (Ave Fux!). Enquanto isso, a filha do Queiroz continua em seu gabinete recebendo quase 10 mil reais por mês. Enquanto isso, nem Flávio e nem Queiroz, o “laranja” da família, não deram qualquer explicação ao Ministério Público. Enquanto isso, Mourão diz que o governo está fora dessa (mas não era assim que eles pensavam em outra época, quando acusações eram lançadas ao filho de outro Presidente).

O choro de Flávio não teve nada de patriótico, qualquer que tenha sido o contexto. Mais ridículo é explorar a cena com fins emotivos. O choro dele até lembrou o de Rodrigo Maia, apoiado pelo governo para reeleição a Presidente da Câmara. Na ocasião, Maia chorou copiosamente quando o governo do Rio assinou o tal acordo fiscal, ou melhor, o seu “Tratado de Versalhes”. Mas o choro de Rodrigo Maia, ao menos tem uma explicação plausível: ele é conhecido como “Botafogo” na planilha de propinas da Odebrecht. É melhor eu parar por aqui. Não quero perder amigos botafoguenses…

Para consolo de Flávio, aí vai uma musiquinha cantada por quem apoiou seu papai na eleição e que destina-se a um menino que chora e precisa de colo: