TRAGÉDIA, VALE E PRIVATIZAÇÃO

tragÉdia de brumadinho

A empresa Vale foi criada em 1942, no governo Vargas, e durante 55 anos ela foi estatal. Em todo esse período, jamais houve rompimento de barragem. Jamais houve tragédia ambiental ou humana. Em 1997, com os ventos privatistas e neoliberais que varriam o Brasil desde a era Collor, a empresa foi privatizada, entregando-se um enorme potencial de riquezas para as mãos de grupos multinacionais. Pouco depois de três anos de uma tragédia, da consorciada Samarco, que é igualmente privada, agora temos outra tragédia. Será que privatizar é mesmo a solução? Solução para quê e, principalmente, para quem?

Os privatistas e defensores da “redução do Estado” dirão que, depois de privatizada, a empresa cresceu muito. Claro, pois ela foi comprada por um preço muito aquém de seu real potencial. Potencial esse que passou a ser explorado por seus novos donos privados. Mas, e os investimentos em segurança? Qual a qualidade das obras de barragens construídas? Sabe-se que nem as sirenes de alerta funcionaram. Não seria tudo isso responsabilidade de seus donos privados? A mina, segundo especialistas, não aumentou na mesma proporção em que os investimentos em segurança deveriam, igualmente, aumentar. Claro, os lucros privados em primeiro lugar. Vidas e meio ambiente ficam em segundo plano.

A privatização, associada a uma ausência do Estado em relação às suas funções reguladora e fiscalizadora, são responsáveis por essas tragédias. Foi divulgado em relatório da ANA (Agência Nacional de Águas), que apenas 3% das mais de 24 mil barragens foram vistoriadas em 2017. Esse exemplo é o típico exemplo de “Estado mínimo”, de “liberalismo sem controle”, de ausência do Estado. Onde estavam os órgãos controladores e fiscalizadores? Onde estava o Estado?

A política temerária de desprezo ao meio ambiente, já anunciada em várias oportunidades pelo governo Bolsonaro, não dá esperanças de qualquer mudança, vide seu desprezo ao Acordo de Paris e à Conferência do Clima. Sua política econômica, predatória, não pode ser dissociada dos beneficiários da destruição ambiental: ruralistas, madeireiras e mineradoras. E nunca é demais lembrar que esses mesmos beneficiários apoiaram a eleição de Bolsonaro. Por isso, somos céticos em relação a punições.

As tragédias de 2015 e de agora não devolverão as vidas e, para sempre, deixarão o meio ambiente agredido. Até hoje a Vale/Samarco não pagaram pelos crimes ambientais da tragédia de Mariana. Agora, foi a vez de Brumadinho. Seria bom perguntarmos ao “Posto Ipiranga” se sua sanha privatista e de desmonte do Estado continuará sendo como sempre foi. Muita coisa ainda será apurada, mas não resta dúvida de que, para cada “tragédia máxima” nunca deixa de haver um “Estado mínimo”.

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