O EXÍLIO DE WYLLYS

wyllys marielle“Me apavora saber que o filho do presidente contratou no seu gabinete a esposa e a mãe do sicário.” (Jean Wyllys, deputado federal reeleito pelo PSOL, ao anunciar que desistirá do mandato e não voltará ao Brasil, por motivo de ameaças que vem sofrendo).

Quase um ano após o assassinato covarde da vereadora Marielle Franco, do PSOL, os sicários ainda estão soltos. E as ameaças continuam. Talvez, porque eles sentem-se à vontade. Seus familiares são até empregados em gabinetes de deputados apoiadores de milícias. E os próprios sicários são condecorados por esses mesmos deputados. Um deles, o filho do Presidente da República. Jean Wyllys anunciou hoje que não tomará posse como deputado federal e deixará o país. Jean Wyllys é um potencial alvo dos assassinos, ainda soltos, de Marielle. Assim como seus 24.295 eleitores. Pelas causas que sempre lutou. Pelas bandeiras que sempre levantou. Por todos aqueles que sempre incomodou. Cometeu erros. E acertos. Tudo normal. Anormal é, em pleno regime dito “democrático”, em menos de um ano uma vereadora e seu motorista serem assassinados, sem qualquer resposta das autoridades, e um deputado federal reeleito ter que deixar o país por sofrer ameaças. E isso não tem relação com “gostar’ ou “não gostar” de Wyllys e nem do PSOL. Porque esta já é a segunda voz representativa de uma corrente de opinião calada em menos de um ano. Pelo atual momento político, é legítimo perguntar: qual será a próxima?

Há quem diga que a decisão de Jean Wyllys é sinônimo de fraqueza de sua parte. Porém, não pensamos desse modo. Até o atual Governador do Rio, que mais parece um “xerifão” e que prometeu abater bandidos, fugiu de bandidos no Espírito Santo quando, ainda atuando como magistrado,  foi ameaçado. A decisão de Jean Wyllys é de se lamentar e, desde a redemocratização do país, não se via um caso sequer similar. Os sicários ganharam força desde a campanha eleitoral. Aqueles que odeiam Jean Wyllys, que odeiam não apenas as esquerdas, mas a democracia, estão se manifestando de forma agressiva diante da decisão de Wyllys e até comemorando. Mal sabem eles que a ameaça vai muito além de Wyllys. Vai muito além de Marielle e Anderson. O Brasil está doente e a ciência política já não é suficiente para explicar o tempo em que vivemos. É natural que os “cheios de ódio”,  que imaginam que o atual governo os represente, comemorem e zombem da decisão de Jean Wyllys. Foi assim em 1964. Muitos dos que exaltaram medidas absurdas contra os “comunistas” depois acabaram sendo as próprias vítimas. Carlos Lacerda que o diga. Mal sabem eles que estão urdindo suas autofagias. De forma irônica, o twitter oficial de Jair Bolsonaro dizia: “Grande dia!” Já Carlos Bolsonaro escreveu: “Vá com Deus e seja feliz!”

Ainda acreditava que não haveria mais exílio em nosso país. Pobre Brasil! Pobre democracia!

 

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