A COLEÇÃO DE COINCIDÊNCIAS

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O grande matemático e escritor brasileiro Júlio Cesar de Mello e Souza, mais conhecido como Malba Tahan, escreveu histórias interessantes, que combinavam o entretenimento e o ensino dos segredos mais intrincados da matemática de forma leve e divertida. Em um de seus livros, “Maktub”, há uma história intitulada “O Colecionador de Coincidências”. Na história, um personagem, o doutor Samuel Spier, colecionava coincidências e ele foi solicitar a consultoria de um matemático para aferir valores numéricos às coincidências de sua coleção. Malba Tahan morreu em 1974. Porém, se vivesse nos dias de hoje, certamente poderíamos dizer que sua inspiração para escrever a história sobre o homem que colecionava coincidências teria vindo de Flávio Bolsonaro.

Primeiro, foram as datas dos depósitos na conta do motorista-laranja. Havia um repasse de dinheiro para a conta de Queiroz. Mas, todos os meses, esses depósitos eram efetuados exatamente por ocasião das datas de pagamento dos funcionários. Pura coincidência!

Agora, em entrevista à emissora do Bispo Macedo, aliado de Bolsonaro, Flávio acaba revelando nova coincidência: Flávio Bolsonaro afirma que os valores movimentados em sua conta tiveram como origem a negociação de imóveis e, aí, outra notável e incrível coincidência é revelada: foi na época em que Queiroz, o “laranja” da família Bolsonaro, movimentou os 7 milhões já detectados pelo COAF, que Flávio comprou dois imóveis no Rio de Janeiro. Haja coincidência!

Mas há ainda um dado que pode complicar ainda mais a vida de Flávio Bolaonaro: o filho do capitão teria pago um título bancário, no valor de 1 milhão, da Caixa Econômica Federal, usado para a compra de um desses apartamentos. Posteriormente, Flávio desfez-se do imóvel, trocando-o por uma sala comercial na Barra, um apartamento na Urca e mais 600 mil em dinheiro. Só que, na escritura, o tal apartamento “engordou”, e, misteriosamente, passou a valer 2 milhões e 400 mil. O indício de lavagem de dinheiro, nesse caso, é muito claro e os crimes já estão evoluindo para uma tipificação mais grave.

Coincidências pouco prováveis e mistérios da supervalorização repentina de um imóvel chamariam, de fato, a atenção do saudoso Malba Tahan. Na história de Malba Tahan, o doutor Samuel Spier, o colecionador de coincidências, tem um final trágico, e morre em uma plena coincidência que ele, infelizmente, não pôde mais registrar. Mas tudo indica que o prontuário de “coincidências” irá mais além. Há irmãos também parlamentares, e talvez um rastreamento semelhante nas demais casas legislativas poderia nos fornecer um certo “modus operandi” da família presidencial. E, quem sabe, mais uma “coincidência” de fazer inveja ao doutor Samuel Spier…

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