CONTA-GOTAS E A “PORCARIA” ILEGAL

gota de suco de laranjaNovo relatório do COAF, que veio à tona ontem, 18/01, mostra novas movimentações financeiras atípicas e altamente suspeitas envolvendo Flávio Bolsonaro, senador eleito e filho do Presidente. Desta vez, os depósitos foram em sua própria conta, feitos em um terminal de auto-atendimento dentro da ALERJ. O COAF registrou 48 depósitos num total de 96 mil na conta do “filho 01” de Jair Bolsonaro. Além de o próprio Flávio Bolsonaro ser o favorecido, constatou-se também uma nova forma de tentar burlar o controle das atividades financeiras: trata-se da modalidade de “depósito a conta-contas”, porém, com um número de depósitos que superaria qualquer recorde olímpico.

Foi descoberto, por exemplo, que no dia 27 de junho de 2017, 20 mil reais foram depositados na conta de Flávio Bolsonaro. Foram 10 depósitos de 2 mil reais. Isso em apenas 3 minutos. Já no dia 13 de julho do mesmo ano, foram depositados 30 mil reais em 15 depósitos de 2 mil reais cada, gastando-se apenas 6 minutos. O que chama muito a atenção é esse fracionamento dos depósitos. Há um detalhe que deve ser considerado: todos esses depósitos foram de 2 mil reais. Levando-se em conta que, ao que sabemos, os depósitos em terminais de auto-atendimento são limitados a 3 mil reais e o número de cédulas é limitado em 50, algumas conclusões e indagações devem ser feitas:

Em primeiro lugar, pelo limite do número de cédulas (50), e levando-se em conta que todas as transações citadas foram no valor de 2 mil reais, certamente todos os depósitos mencionados foram feitos com notas de 50 reais ou 100 reais. A pergunta é: por que não foram feitos depósitos de 3 mil reais, que seria o limite e até facilitaria o trabalho do depositante (o próprio ou seu “laranja”)? Tudo indica que o conta-gotas foi usado exatamente para tentar driblar os órgãos de fiscalização. Outro detalhe a se destacar é que os caixas eletrônicos levam um tempo para realizar as etapas das transações. Para que sejam feitos, por exemplo, 10 depósitos diferentes em 2 minutos ou 15 depósitos em 6 minutos, tudo indica que os envelopes já teriam vindo com as quantias e lacrados. E isso não foi feito na agência de auto-atendimento. Evidentemente, supõe-se que o dinheiro foi previamente separado, embalado e lacrado em outro local. Mas, por que apenas depósitos de 2 mil?

Flávio Bolsonaro usou do foro privilegiado para pedir ao plantonista Fux a suspensão das investigações. O mesmo foro privilegiado que seu pai chamou de “porcaria” e que Sérgio Moro, o “herói dos pascácios amarelos”, chamou de “escudo para corruptos”. Pior: segundo os investigadores, o relatório do COAF foi entregue ao Ministério Público um dia antes da diplomação de Flávio como senador, o que não lhe daria o direito de usar a “porcaria” chamada foro privilegiado. Pela nova lei que regula o direito ao foro privilegiado, o processo só vai para o STF no caso de fatos ocorridos durante o mandato e que guarde relação direta com o cargo ocupado.  No caso, parece claro que nenhuma das duas coisas aplica-se ao filho do Presidente. Ou seja, até a “porcaria” usada por Flávio Bolsonaro é ilegal e muito certamente Luiz Fux ainda terá muito o que explicar. Ou se desculpar. Se Fux optar pela segunda alternativa, ele pode ficar tranquilo: o Moro desculpa. Em 18 dias o Brasil já mudou muito. Embora a lei continue sendo apenas para alguns, pelo menos nosso país quebrou os recordes mundial e olímpico de “depósitos a conta-gotas”…

 

 

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