RESTA 1

resta 1“PCdoB indica apoio à reeleição de Rodrigo Maia na Câmara.” (Estadão on line, 15/01/2019).

Como se não bastasse a chegada do governo de extrema-direita ao poder, há algum tempo que, aquele que pretende fazer opção por algum partido de esquerda no Brasil, parece que está brincando de um famoso quebra-cabeça chamado “resta 1”, aquele joguinho em que vamos sobrepondo uma peça sobre a outra e a peça sobreposta vai sendo tirada do tabuleiro. Assim tem sido com os partidos de esquerda. O PSB, por exemplo, já saiu do tabuleiro e, às vezes, parece querer entrar novamente. O PDT, depois da morte de Brizola, foi saindo do tabuleiro. Agora, tudo indica que o PCdoB também está sendo lamentavelmente retirado do tabuleiro. Será que restará 1? Pelo menos no tal joguinho uma peça irá permanecer. E isso pode dar alguma esperança.

Nada, absolutamente nada, justifica o apoio do PCdoB a Rodrigo Maia. Estamos falando do partido de Manuela D’Ávila, a vice na chapa de Haddad. Como justificar que seu partido se juntará ao PSL, o partido de Bolsonaro, e apoiará Rodrigo Maia para a Presidência da Câmara dos Deputados? Que compromisso Maia teria com a pauta do PcdoB? Apoiar Maia é apoiar a reforma da previdência Temer/Bolsonaro. É apoiar o ataque a direitos trabalhistas e sociais. É apoiar a agenda entreguista e privatista de Bolsonaro/Paulo Guedes. O PDT, que hoje praticamente nada tem de diferente do PTB de Jefferson, também já acenou com seu apoio a Rodrigo Maia. Ou esses partidos acabaram ou alguma fatura está chegando. Como admitir o apoio de partidos ditos de “esquerda” e “centro-esquerda” a Rodrigo Maia, quando Freixo, do PSOL, é candidato?

As chamadas “oposições” falam em um bloco oposicionista sem o PT. Que assim seja, embora isso pareça mais uma briga pelo protagonismo da oposição. Mas se aliando ao partido e ao candidato de Bolsonaro, tanto o PCdoB como qualquer outro que se diga “oposição” estará chancelando o programa que venceu a eleição presidencial.

Ver o PCdoB unido ao PSL com apenas 15 dias de governo Bolsonaro significa que, enquanto o governo ultra-direitista está começando, a oposição já acabou.

Resta 1? “Game over” ? Não! Felizmente parece que restam 2. Que PSOL e PT não se sobreponham!

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