PIZZA DE LARANJA

pizza de laranja“STF manda suspender investigação sobre Queiroz a pedido de Flávio Bolsonaro.” (Folha de São Paulo on line, 17/01/2019, em notícia que se destacou no dia).

Hoje, ao invés de “jejuns espirituais” e orações do Procurador Dallagnol, certamente teremos um lauto banquete na família presidencial. O cardápio? Pizza de laranja. Hoje, ao invés de ameaça de general, certamente alguns que, em abril de 2018, ameaçaram e pressionaram o STF, deverão fazer um brinde à “Justiça”. A notícia do dia foi a suspensão, por parte do STF, das investigações sobre Fabrício Queiroz, o “laranja” da família presidencial, motorista e assessor de Flávio Bolsonaro e amigo do Presidente. O Ministro Luiz Fux atendeu a um pedido (ou seria uma ordem?) do senador eleito Flávio Bolsonaro e suspendeu as investigações sobre as movimentações mais do que suspeitas de 1 milhão e 200 mil reais, envolvendo assessores do filho de Bolsonaro e até a primeira dama. Desde quando o Presidente da Suprema Corte, Dias Tóffoli, falou que era chegada a hora de o Judiciário “sair de campo”, que o STF, especialmente, tem dado demonstrações de que capitulou. Muito provavelmente, os fantasmas do tal cabo e do soldado, ainda rondem pelos muros da Justiça que, de cega, não tem nada. Embora a suspensão seja “provisória”, o cheirinho de pizza já espalha um aroma de laranja.

Claro que a justiça não é para todos. É só para alguns. O “grande acordo com o Supremo e tudo”, como disse Romero Jucá, vai de vento em popa. Claro que a Lava Jato não vai acabar. Ela vai continuar. Mas apenas para alguns. Claro que o Judiciário continuará rigoroso e com mãos pesadas. Mas apenas para alguns. Luiz Fux estava no plantão judiciário quando determinou a suspensão das investigações. Evidentemente, agora irão dizer que “a decisão de um juiz plantonista não pode ser derrubada”. Mas não foi isso que o então juiz e sempre político Sérgio Moro disse no ano passado, em um episódio que ficou bem conhecido. Seria bom o pronunciamento do ex-juiz e sempre político Sérgio Moro. Também seria bom o pronunciamento dos pascácios amarelos que sempre disseram que “a lei é para todos”. Claro, desde que não seja para alguns.

Tanto Queiroz, o “laranja” da família Bolsonaro, quanto o filho do Presidente, já haviam se recusado a comparecerem às audiências para as quais foram convocados. O “laranja” chegou até a dar uma festa de Réveillon em pleno hospital, com direito a dancinha. Agora, as investigações são suspensas. Com o COAF sendo comandado pelo político Sérgio Moro, já sabemos no que vai dar. Talvez a grande afinidade de Bolsonaro com os italianos não se resuma aos seus correligionários fascistas do Movimento 5 Estrelas. As pizzas também os unem. Enquanto isso, a boiada vai fazendo “arminha com a mão”

 

 

 

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