OS DEDOS SEM GATILHO

arma com os dedosBolsonaro assinou, nesta terça-feira, 15 de janeiro, o decreto que possibilita a posse de armas aos “cidadãos brasileiros”. A promessa armamentista foi uma das bandeiras da campanha do capitão reformado. Mas que não se iludam os pobres, a maior parte dos assalariados ou os cidadãos de bem com parcos recursos. Os novos “clientes da Taurus” serão aqueles das faixas de renda mais alta. E grande parte destes poderá até comprar várias armas. Porém, a grande maioria dos eleitores de Bolsonaro, especialmente os pobres que simularam arma com a mão, esses estarão de fora do “clube do tiro”. Especialmente porque o custo estimado de uma arma no mercado é, no mínimo, 3.500 reais. Podendo chegar a 8.000 ou mais, dependendo do modelo. O gasto com registro, curso de tiro, avaliação psicológica poderia chegar a até 10.000 reais. Claro que a brincadeira de “Forte Apache” não é para a grande maioria. Dados do IBGE referentes a 2017 mostram que metade da população tem uma renda média de 754 reais mensais. E esses, evidentemente, não serão clientes da Taurus.

É bom lembrar que a sensação de segurança não aumenta com mais armas. Até nas mãos de quem pode e sabe usá-las. A intervenção decretada no Estado do Rio de Janeiro comprovou isso. De certa forma, há ainda algo que lembra uma “transferência de responsabilidades” do Estado para o cidadão. Se a segurança pública é dever do Estado, então por que eu preciso investir, ser treinado e ser avaliado para obter minha própria segurança e de minha família?

As ações da Taurus, principal fabricante de armas, dispararam, com as preferenciais atingindo um aumento de 93% e as ordinárias 76%. O governo fala em fazer um cruzamento de dados, para impedir que o aspirante a artilheiro não tenha respondido a processo criminal. Talvez fosse bom um outro cruzamento de dados, para verificar quais os agentes do governo, especialmente dos altos escalões, que possuam ações da Taurus. Talvez chegássemos a resultados que não seriam meras coincidências. Seria bom também ver quantos militares e ex-militares, policiais e ex-policiais, que sejam donos de cursos de tiro, item obrigatório que o pretendente a artilheiro terá que desembolsar. Aí, poderemos saber quem realmente estará ganhando.  De uma coisa, temos certeza: a grande maioria dos próprios eleitores do capitão reformado continuará “coçando o dedo”. Porém, sem gatilho.

 

 

 

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