A OPOSIÇÃO NA PLANÍCIE

planície“Não vamos construir a oposição apenas no Planalto. Vamos para a planície.” (Guilherme Boulous, em vídeo de entrevista divulgado hoje, 16/01/2019).

A afirmação do candidato a Presidente da República pelo PSOL e líder do MTST, Guilherme Boulos, faz um alerta. Ele afirmou, em entrevista ao site Diário do Centro do Mundo, que a oposição ao governo Bolsonaro não deve ficar restrita ao Congresso Nacional ou aos salões universitários. Com isso, Boulos foi claro e disse que a oposição deve ser construída nas ruas, que ele, metaforicamente, chamou de “planície”. Por ruas, entende-se principalmente os movimentos sociais, especialmente para fazer a contraposição aos ataques de direitos, como será, por exemplo a reforma da previdência. A “planície” terá que se manifestar. Até porque, com a aliança Bolsonaro/Rodrigo Maia, tudo indica que o “toma lá da cá”, que o capitão reformado prometeu acabar, deverá ser ampliado.

Mas a declaração de Boulos, ao afirmar que a oposição deve ser construída na “planície”, nos leva, simbolicamente, ao “Planalto”. Se o “Planalto”, nas palavras de Boulos, significa principalmente, o Congresso Nacional, talvez existam algumas brechas para se fazer oposição também por lá. E aí, lembro-me da Revolução Francesa. Foi no movimento revolucionário liberal-burguês que surgiram as denominações “direita” e “esquerda” para designarem espectros políticos. Os Girondinos, que ficavam à direita, representavam a alta burguesia. Os Jacobinos, à esquerda, representavam os interesses mais populares. Mas havia a Planície, que seria uma espécie de “centro”. Eles eram um tanto movediços e, em alguns momentos estavam com a direita e, em outros, com a esquerda. Por isso, também foram chamados de “pântano”. e também de “sapos”. Eles pulavam de um lado para o outro.

E onde, dentro da metáfora de Boulos, a oposição ao governo fascista, além da planície, que é indispensável, pode também ser construída no Planalto? Exatamente procurando, nos partidos representados no Congresso, grupos ou pessoas que, embora não sejam de esquerda, repelem uma agenda ultra-direitista. Por exemplo, a ala do PSDB liderada por Tasso Jereissati pode perfeitamente ser oposição a agendas ultra-conservadoras de Bolsonaro. Dentro do próprio PMDB, ainda há um pequeno grupo que não se vendeu e certamente não se venderá. O próprio senador Roberto Requião, apesar de não reeleito, lidera esse grupo. Pode-se cobrar do PSB, que ultimamente tem tido um comportamento que lembra o pântano, uma posição que respeite a sua própria história. E, de um modo geral, lideranças políticas que, mesmo não sendo de esquerda, não podem ser rotuladas como fascistas.

Assim, a afirmação de Boulos é válida. Ir às ruas é fundamental. Mas procurar apoio fora do campo das esquerdas, ao menos no combate a algumas  agendas do governo de ultra-direita, também será importante. No entanto, para isso, o próprio PSOL terá que, em alguns momentos, sair da “montanha” e dialogar com a areia movediça…

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