O “NEAL DEAL” DE BOLSONARO

woHá mais de um ano conheci um bolsonarista “puro sangue”, daqueles que chegava a tirar fotos junto com a bandeira da supremacia branca. Na ocasião, ele me falou que Bolsonaro tinha como uma de suas metas fazer um “Neal Deal” para o Brasil. Claro que achei estranho uma proposta de “novo acordo” vinda de um extremista de direita. E achei mais estrando ainda porque a expressão sintetiza as medidas de Franklin Roosevelt para salvar o capitalismo, que estava  em crise desde 1929. Especialmente porque o “New Deal” de Roosevelt caracterizou-se por um controle maior do Estado, com o fito de frear o excesso de liberalismo que levou o país e o mundo capitalista ao caos. Se pensarmos ainda que o guru do Bolsonaro, o tal “Ministro Posto Ipiranga”, quer privatizar até o oxigênio e liberar seu preço no mercado, fica muito difícil associarmos o governo Bolsonaro à expressão “New Deal”.

Porém, há algum tempo, especialmente desde a transição-consórcio com o Temer, que começamos a perceber o que poderia ser esse tal “Neal Deal” ou “novo acordo” do governo Bolsonaro. A palavra “acordo”, desde o nefasto diálogo de Romero Jucá com Sérgio Machado, passou a ter uma conotação bem específica: acobertar crimes, extinguir a Lava-Jato, temporizar ou fingir que não viu crimes de parceiros, comparsas, aliados ou familiares. O “acordo de Jucá com o Supremo e tudo” visava exatamente isso. Mas parece que Bolsonaro foi bem além. O “New Deal” do Bolsonaro começa com a auto-retirada de campo do Judiciário, quando o Presidente da Corte Máxima afirmou, com todas as letras, em 2 de dezembro: “É hora do Judiciário se recolher.”

Daí para frente, o “New Deal” só foi progredindo. Algo tipo um “efeito cascata” de “game over” por abandono. Primeiro, o Ministro Onyx Lorenzoni confessa o crime de “Caixa 2”. Mesmo assim, continua nomeado para o cargo e ainda recebe o “perdão” de Sérgio Moro. Antes disso, o “filho 02” do Presidente eleito havia dito que “bastava um cabo e um soldado parta fechar o Supremo”. Certamente, Tóffoli preferiu tirar o time de campo antes de levar o cartão vermelho. Nisso, surge o “laranja” do “filho 01” do papai e também da família presidencial. Ato contínuo, um tal promotor que fazia orações e jejuns espirituais some de cena. Parece não estar mais indignado. Aí, o “filhinho 01 do papai” não comparece à convocação do Ministério Público para depor. Então, as “conduções coercitivas hollywoodianas” também não existem mais. E não tem mais aquela de general fazer ameaças e se dizer “preocupado”.

Resumindo o “New Deal” do Bolsonaro: Judiciário se recolheu, Moro perdoa criminoso confesso, promotor não faz mais jejum e oração, PF não faz condução coercitiva a quem se recusa a depor, general que fazia ameaças colocou o pijama “à la Deodoro da Fonseca”. Resultado: todo mundo saiu de campo. Pelo menos numa coisa o “novo acordo” de Bolsonaro é mais simples do que o antigo pretendido pelo Jucá: é muito mais fácil ganhar por “W.O.”

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