MORO, COAF E A SINUCA

sinucaBolsonaro acabou com o Ministério do Trabalho em uma de suas primeiras medidas provisórias, a 870, que pulverizou as atribuições do extinto Ministério entre as pastas da Economia e Justiça e Segurança Pública. O fim do Ministério do Trabalho já é objeto de uma ação de inconstitucionalidade movida pelo PDT (Partido Democrático Trabalhista). Ao menos, com essa ação, o PDT, ou o que restou do partido, está honrando as tradições de Vargas e Jango.

Porém, o que mais chama nossa atenção na tal MP 870, que trata da “reforma administrativa”, é que o COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), será comandado pela pasta da Justiça e Segurança Pública, ou seja, por Sérgio Moro. Justamente no momento em que o COAF está desbaratando as irregularidades cometidas pela família de Bolsonaro, através de movimentações financeiras milionárias feitas pelo laranja-motorista Queiróz, o Conselho passa para o comando de Moro. Claro que isso é mais do que estranho. É suspeito mesmo. Com que independência Moro atuará caso o COAF encontre outras “movimentações atípicas” envolvendo, por exemplo, o filho do Presidente, agora senador eleito? Haverá seletividade na divulgação dos dados? Moro irá liberar outros dados “atípicos” da família Bolsonaro, caso surjam, para a Rede Globo, como fez ao vazar ilegalmente uma conversa da então Presidente Dilma com o ex-presidente Lula?

No mínimo, a independência do COAF está sob risco. A transferência do COAF para a pasta agora comandada por Moro ocorre justamente no momento em que o Conselho vem identificando movimentações financeiras suspeitas envolvendo o clã Bolsonaro e o “laranja” da família.

Só existem duas alternativas para esta situação: a primeira, seria Sérgio Moro travar o COAF. Alternativa bem provável e receamos que essa seja sua “missão” ao receber o comando do Conselho. Mas se “o Brasil vai mesmo mudar”, como se falou na vitoriosa campanha fascista, então Moro vai manter o COAF com total independência, doa a quem doer. Nesse caso, como ficaria Bolsonaro? Manteria ou demitiria Moro? Aí, lembro da máxima, sempre citada por um político antigo, cascudo, chamado César Maia, pai do novo aliado de Bolsonaro. Maia, o César, sempre falou que “nunca se pode nomear alguém que você jamais poderá demitir.” Ficamos na expectativa. Quem sabe Moro, como Ministro, não seja seletivo e parcial como foi enquanto era juiz?  Aí, poderia ser que depois do “rolo do Queiróz” tivéssemos a “sinuca do Bolsonaro”…

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