O PERIGO DO “TRUMPISTÃO”

trumpDesde a campanha, passando pela transição-consórcio com o governo Temer e agora já empossado, que Bolsonaro decidiu que seria o “Trump Tupiniquim”. Assim como Trump, ele foi o “anti-mídia das redes sociais.” E até escolheu seu Ministério a partir de perfis que comprovam essa identidade. O anti-globalismo, o desprezo às pautas ambientais, incluindo o desrespeito ao Acordo Sobre o Clima e a rejeição da realização da conferência sobre o tema no Brasil.  Seu Ministro das Relações Exteriores, ao afirmar que o aquecimento global “é uma conspiração marxista”, conseguiu identificar “gases comunistas” na atmosfera, como o dióxido de carbono, o que irá requerer a união de ambientalistas e cientistas políticos para entender e explicar esse fenômeno, que parece ser de outro mundo.

Mas brincar de “Forte Apache” poderá custar caro ao nosso país. E, talvez, até a inocentes. A obsessão de família Bolsonaro em relação a Trump é tamanha que um de seus filhos até usa boné do Presidente norte-americano e já se deixou fotografar com a bandeira da supremacia branca. Mas tanto Bolsonaro como o “Trumpistão” poderão cair em uma armadilha feita por ele próprio.

Ainda antes de ser empossado, Bolsonaro delcarou que mudaria a embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém. Seguindo, obviamente, o exemplo de Trump. O Primeiro-Ministro israelense, o ultra-direitista Netanyahu, elogiou a medida e até esteve com Bolsonaro antes da posse. A medida, temerária sob todos os aspectos, além de provocativa, contraria a comunidade internacional, poderá colocar o Brasil na rota do terrorismo e certamente trará prejuízos com parceiros comerciais árabes. Mas há um detalhe que talvez Bolsonaro e todo seu governo não estejam se lembrando. O governo Trump, que ele toma como modelo, está vivendo momentos de impopularidade. Deve-se ressaltar que Trump foi eleito tendo menos votos populares do que sua adversária, distorção que o sistema indireto de eleição presidencial dos EUA permite. Trump vem sendo questionado até entre seus pares do Partido Republicano. Trump sofre o risco iminente de impeachment.

Em novembro do próximo ano será realizada a eleição presidencial dos EUA e o eleito tomará posse m 20 de janeiro de 2021. Bem no meio do mandato de Bolsonaro. Há uma grande possibilidade de o Partido Democrata retomar o poder. E se um Presidente Democrata revogar a decisão de Trump, tirando a embaixada de Jerusalém? Ou até mesmo um republicano mais sensato que vença a eleição? Será que Bolsonaro já pensou nessa possibilidade?

Aqui no Brasil, o ultra-reacionário pastor Silas Malafaia, em tom relativamente ameaçador, já advertiu Bolsonaro de que o anúncio da mudança da embaixada para Jerusalém não podeira ter volta, pois não teria apoio dos evangélicos. Agora, imaginem Trump não sendo reeleito e um outro Presidente dos Estados Unidos voltar com a embaixada para Tel-Aviv? O que faria Bolsonaro? Seria fiel a Trump? Ou ao governo dos Estados Unidos? Correremos o risco de, certamente, apenas as embaixadas de Brasil e Guatemala estarem na cidade sagrada de Jerusalém, fomentando a ira dos palestinos. Porém, talvez reste um consolo e um recurso: os patriotas verdes-amarelos que “fizeram arminha” com os dedos, certamente demonstrariam seu amor ao país, alistando-se como voluntários para defenderem de atentados as embaixadas brasileiras pelo mundo afora. Talvez, a essa altura, até o Trump esteja no Brasil, mas cuidando de seus cassinos em uma quase certa legalização da jogatina. E ele não estaria nem aí para o “Trumpistão”…

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