A VITRINE DO MASCOTE

mascote pedro fernandesPedro Fernandes, filho da vereadora Rosa Fernandes, “mascote” do clã que tem como feudos eleitorais especialmente os bairros de Irajá e Vila da Penha, foi confirmado esta semana por Wilson Witzel como secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro. O clã dos Fernandes, desde a época do patriarca Pedro Fernandes, avô do mascote, sempre foi caracterizado pelo clientelismo e por não possuir identidade político-partidária ou ideológica e raramente ficou de fora de algum governo, fosse estadual ou municipal.

Esse ano Pedro Fernandes deixou de concorrer à reeleição na Assembleia Legislativa para candidatar-se a governador pelo PDT. O partido já causou estranheza. A família, que sempre perambulou por siglas de direita ou centro-direita, lançar o seu mascote por um partido de centro-esquerda foi de uma atipicidade retumbante. Mas justifica-se. As legendas nas quais o clã sempre teve trânsito já estavam com as portas fechadas e seus candidatos lançados. O PDT era um vácuo. Aliás, é um vácuo desde a morte de Brizola. Pedro Fernandes sempre soube que não seria eleito governador. Porém, sua estratégia, e do clã como um  todo, era ter aparições, visibilidade, tornar-se mais conhecido. Enfim, fazer uma autêntica “candidatura de vitrine”, visando voos futuros. E, talvez, em futuros bem próximos. Afinal, 2020 é logo ali.

Com a saída de Garotinho da disputa, a eleição ficou entre Witzel e Eduardo Paes. Os traços fascistas e a nítida ligação da candidatura de Witzel com Bolsonaro, jamais fariam com que o PDT apoiasse o ex-juiz. E a direção estadual do PDT apoiou Eduardo Paes, apesar de todas as restrições. Mas Pedro, o mascote, oportunista e percebendo o crescimento e a virtual vitória de Witzel, “fez e andou” para a orientação do partido que o abrigou. Afinal, ele precisa continuar aparecendo. Especialmente em um governo que teve uma maciça votação. Então, à favas com o compromisso partidário. E ganhou o seu presente de Natal antecipado: a Secretaria de Educação.

Pedro Fernandes não é bobo. Nem sua família. Senão, não teriam chegado onde chegaram. Portanto, ele deve saber da pauta ultra-conservadora de Witzel para a educação e da qual deverá ser um preposto. Witzel já se manifestou favoravelmente ao projeto fascista-inquisitorial Escola Sem Partido. Witzel também defende a militarização das escolas. Witzel despreza os aposentados. O programa de Witzel para a educação é claramente “tecnicista”. Para continuar em sua vitrine, pelo menos até 2020, o mascote terá que ler na cartilha do ex-juiz. E que se explodam as demandas de professores, alunos, funcionários e dos órgãos representativos da categoria. Isso porque, pelo menos até 2020, a sua vitrine não poderá, de modo algum, ser “abatida”.

 

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