DEMOCRACIA NORTE-COREANA

freedom house“Tudo sem viés ideológico”. Esse foi um dos motes da campanha da extrema-direita que levou seu candidato à vitória. Ensino sem ideologia. Comércio sem ideologia. Tudo pela democracia. Agora, a posse do capitão também tem que ter como referência a democracia. Cuba e Venezuela haviam sido convidadas para a posse, mas Bolsonaro vetou a presença desses dois países por seus governos “manterem regimes que violam as liberdades de seus povos.” Ao decidir pelo “desconvite”, Bolsonaro alegou que os governos de Cuba e Venezuela possuem grandes afinidades ideológicas com o grupo derrotado na eleição presidencial, no caso, o PT.

Pelo que Bolsonaro falou, ele só irá querer a presença de representantes de países que considera “democráticos” em sua posse. Talvez por isso ele tenha convidado a Arábia Saudita, a monarquia que recentemente matou e esquartejou um jornalista dissidente dentro de sua própria embaixada. A Síria, país do grande “democrata” Bashar al-Assad, também foi convidada. Sim, ele mesmo. Na visão de Bolsonaro, o homem responsável por uma das mais cruentas guerras da história e que vem matando milhões de seus concidadãos é um grande democrata.

Chama atenção ainda a manutenção do convite à Coreia do Norte. Kim Jon-Un, seguindo os critérios de Bolsonaro para a lista de convidados para sua posse, também é um democrata. E já podemos, então, falar em uma “democracia norte-coreana”. Foi o próprio Bolsonaro quem disse.

Se fosse realmente seguir os critérios de “governos comprometidos com a democracia e liberdade de seus povos”, Bolsonaro deveria riscar de sua lista convidados de pelo menos 37 países. De acordo com a Freedom House, instituição não-governamental que afere o índice de democracia nas diversas nações, esse é o número de países onde não há liberdade e nem democracia para seus povos. Enquadrariam-se nessa classificação, segundo a Freedom House, todos os países assinalados em azul no mapa acima. Mas Bolsonaro considera que apenas dois não são democráticos e, portanto, indignos de estarem presentes em sua posse: Cuba e Venezuela.

Pelo menos alguma coisa mudou. Segundo os critérios de Bolsonaro, que chocam-se com os da Freedom House, já podemos falar de uma “democracia norte-coreana”. Em tempos de “macartismo”, até que já temos um grande avanço.

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