GOL CONTRA DO CAMPEÃO

palmeiras imigrantes

“Não sei qual é a adesão dos comandantes, mas, caso venham reduzir o efetivo [das Forças Armadas] é menos gente nas ruas para fazer frente aos marginais do MST, dos haitianos, senegaleses, bolivianos e tudo que é escória do mundo que, agora, está chegando os sírios também. A escória do mundo está chegando ao Brasil como se nós não tivéssemos problema demais para resolver.” (Jair Bolsonaro, Exame, em 22 de setembro de 2015).

Os chamados “clubes de colônia”, como Palmeiras, Cruzeiro e Vasco da Gama, tiveram que enfrentar, por diversos momentos de suas histórias, não apenas seus adversários em campo, mas também a ira dos mesmos em razão das causas que defendiam. A luta contra o racismo, a xenofonia ou o puro ódio “in natura”, em seu estado mais bruto e animalesco, muitas vezes marcaram as histórias desses clubes muito mais do que a busca por uma vitória no futebol. “Carcamanos”, em relação a Palmeiras e Cruzeiro (fundados por italianos), e “galegos”, em relação ao Vasco (fundado por portugueses), eram adjetivos pejorativos para considerar seus adeptos e participantes como a “escória” a ser evitada, tal como um vírus transmissível pelo ar. Tal como disse Bolsonaro em sua infeliz declaração.

O Palmeiras, campeão brasileiro de 2018 com todos os méritos, foi fundado em 1914 por imigrantes italianos e chamava-se “Palestra Itália”. Com a ascensão do Estado Novo, um decreto de Vargas obrigou o clube a ter que trocar de nome. Isso porque, durante a Segunda Guerra (1939-1945), nenhuma instituição esportiva ou cultural poderia ostentar nomes dos “países do Eixo” (Alemanha, Itália ou Japão), contra os quais o Brasil lutava na guerra. Então, o “Palestra Itália” passou a chamar-se “Palmeiras”. O Cruzeiro, de Minas Gerais, que também chamava-se “Palestra Itália”, também teve que mudar de nome pelo mesmo motivo. A chegada do fascismo, ainda em 1922, obrigaria italianos a  deixarem seu país e, fugindo da sanha de Mussolini, muitos vieram para o Brasil e esses ancestrais de muitos que aqui ainda estão, adotaram o Palmeiras como clube. Eles eram sim refugiados, que sempre foram bem-vindos na Sociedade Esportiva Palmeiras.

A luta do Palmeiras, assim, sempre transcendeu os campos ou qualquer arena esportiva. Ontem, porém,  ao final do campeonato brasileiro, conquistado com todos os méritos pelo “verdão”, um gol contra marcou o fim da vitoriosa conquista palmeirense. A presença de Bolsonaro, em local de destaque dentro do campo fazendo a entrega das medalhas e da taça aos jogadores, representou a antítese de tudo o que a gloriosa instituição fundada por imigrantes italianos representa. Logo ele, que falou que os refugiados, sempre muito bem-vindos no Palmeiras, “são a escória do mundo” e que cujo pensamento é a negação de tudo o que esse grande patrimônio esportivo, cultural e histórico chamado Sociedade Esportiva Palmeiras representa.

Mas já que o Palmeiras abriu as suas portas para seu ilustre “torcedor”, seria bom também abrir seus livros com sua gloriosa história, coisa que ele e muitos de seus seguidores sempre se recusaram a aprender. Quem sabe a história do Palmeiras não inspire nele algumas atitudes a serem evitadas em seu governo prestes a começar?

 

 

 

 

 

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