O COLETE COM MANGAS

colete com mangasFaltando apenas dois dias para o fim do ilegítimo, golpista e corrupto governo Temer, o vampiro do Jaburu só pensa em livrar-se de seus crimes a partir do primeiro dia de janeiro. Ele é engenhoso. Ele é astuto. Ele é frio e calculista. Conseguiu dar a rasteira na Dilma. Conseguiu livrar-se, por duas vezes, de denúncias da PGR comprando deputados. Mas também levou uma rasteira do Joesley dentro de seu próprio porão. Isso sem contar o escândalo do decreto dos portos, a serviço da Rodrimar. Daqui a dois dias, com a posse do capitão fascista, ele irá para a “vala dos comuns” da Justiça brasileira. Será? Pode ser que não.

Hoje chegou até nós a notícia de que os advogados de Temer jogarão uma última cartada para tentar livrá-lo de seus crimes. Como se fosse uma carta tirada da “manga do colete”. Ora direis: “Colete não tem mangas!”. E eu vos direi no entanto: “Se não tem, nós arranjamos e ainda inventamos uma nova carta no baralho!” A tal “carta” em questão seria a alegação de que seus feitos criminosos foram praticados durante o seu mandato e que, assim, poderia-se requerer que o julgamento dos mesmos venham a ser feitos pelo Supremo Tribunal Federal. Em outras palavras: ele não perderia o foro mesmo deixando a Presidência. Ainda se fala na possibilidade de Bolsonaro lhe dar uma Embaixada, talvez a da Itália. Mas depois do escândalo do motorista alaranjado da família do capitão, do cheque para a dona Michele e do trabalho da COAF, tudo indica que, no momento, o capitão terá que esquecer o presente talvez prometido ao Temer. Na verdade, o que os advogados do Temer querem, é que a Justiça crie uma outra jurisprudência. Ainda que esta atente contra a Constituição, desde que lhe favoreça. Temer e seus advogados têm todos os motivos para acreditarem na “Justiça”: afinal, trata-se da Justiça que livrou Aécio. A mesma Justiça que livrou Serra. A mesma Justiça que livrou Alckmin. A mesma Justiça que esqueceu Azeredo por 20 anos. Talvez essa fosse uma saída. Ficar esquecido por 20 anos nos arquivos do STF e só se explicar com Deus (e não com os homens) no além-túmulo.

Talvez a carta a ser tirada da “manga do colete” não seja tão difícil assim. Numa época em que jurisprudências criadas pela Corte Máxima agridem a própria Constituição, então não podemos duvidar. Mas Temer tem todos os seus amigos igualmente encrencados e que também poderiam ser beneficiados. Se a alegação dos advogados de Temer “colar”, a mesma poderia gerar um “efeito dominó” e ser aplicada, também, para o Moreira Franco e o Eliseu Padilha, por exemplo.

Certamente, trataria-se de uma matéria a ser julgada pelo Supremo: o “foro além-mandato”. Que seria, em outras palavras, no caso de Temer, o “foro pós-túmulo”.

Estaremos atento à posse no dia primeiro: Bolsonaro com o colete à prova de balas. E Temer, com o novo “colete com mangas.” Vocês duvidam? Eu não! Eu acredito na capacidade criativa da Justiça brasileira. Só não sei se o Clodovil aprovaria esse novo modelito de colete.

O PILOTO SUMIU!

piloto sumiu

Fabrício Queiroz, o “piloto”, sumiu. Mas talvez não seja preciso apertar os cintos, como recomenda o título da comédia que fez sucesso em 1980. Queiroz, o motorista-assessor de Flávio Bolsonaro, deveria explicar as movimentações estranhas em sua conta alaranjada. Porém, o silêncio sepulcral dos “combatentes da corrupção” deve ter encorajado o piloto a sumir. Quanto aos cintos, certamente não será preciso apertá-los porque tudo indica que não haverá qualquer emoção.

Queiroz desapareceu. Não sei se ainda pesca junto com seu parceiro de horas de ócio, o Presidente eleito. O companheiro de pescaria do capitão reformado deveria depor no dia 21. Porém, alegou “doença”. Encontra-se internado. Parece que a coisa foi tão grave que ele teve que tomar anestesia. Qual seria a doença? Se foi intoxicação por ingestão de algum peixe contaminado, então a vida, mais do que nunca, está imitando a sétima arte. Teria sido algum baiacu que ele pescou junto com o Bozo?

Queiroz, sabedor da proteção e blindagem que já tem do governo a ser empossado no primeiro dia de janeiro, já faltou a dois depoimentos. E tudo indica que só falará quando quiser. O que quiser. Para quem quiser. Em relação ao “quando”, já é certo que o “laranja” só irá depor após a posse do capitão. Nos primeiros dias de governo, quando todas as atenções estarão voltadas para os Ministros e o Presidente em início de mandato, qualquer declaração do motorista ficará em segundo plano. Quanto aos 1 milhão e 200 mil reais, vida que segue, coisas da vida. Talvez, errar seja humano. Quem sabe uma desculpa do Moro? Ou ainda um conselho da Pastora-Ministra Damares para ver Jesus na goiabeira e então pedir perdão?

Pode mesmo ser que ele esteja doente. E, se foi contaminado por comida intoxicada, tal como no filme, o piloto talvez pudesse aparecer. Quem sabe com um “jejum espiritual” do Dallagnol em nome do combate à corrupção? Mas tudo indica que os procuradores que jejuavam há algum tempo também sumiram. Então, não haverá emoção. Relaxemos. Não é preciso apertar os cintos. Logo logo o silêncio sepulcral dará início a uma ruidosa campanha do tipo #queirozinocente ou #queirozlivre. E todos serão felizes para sempre!

PRAIA, PATOS E LARANJAS

pato com laranja 2Simbólica, sob todos os aspectos, a escolha de Jair Bolsonaro pela Base Naval da Restinga da Marambaia para passar as festas de fim de ano com sua família. Lugares não faltavam. Mas ele preferiu exatamente a Restinga da Marambaia. Exatamente ali era a “Ponta da Praia”, local para onde, há exatos dois meses, Bolsonaro disse que, caso eleito, mandaria os “petralhas” e demais opositores em um discurso via “live”. E agora, a poucos dias de sua posse, é ele mesmo que encontra-se lá. A “Ponta da Praia” era o local onde os presos políticos desapareciam. Foi ali, na “Ponta da Praia”, que dezenas de opositores da ditadura militar morreram sob tortura. Então, os corpos eram, ainda vivos, colocados em um helicóptero e lançados ao mar. E foi exatamente para esse local que Bolsonaro afirmou que mandaria seus opositores. E é exatamente neste local que Bolsonaro, a poucos dias de sua posse, encontra-se para passar o Natal.

Claro que o simbolismo é forte. A própria denominação “Ponta de Praia”, em alguns momentos da história, funcionava como um código secreto entre os militares. Mandar alguém para a “Ponta da Praia” era uma sentença de morte. Porém, com uma denominação paradisíaca e até “libertadora”, porque “ponta da praia” sugere a visibilidade do mar a quase 360 graus. Talvez, os condenados a esse trágico destino, se conhecessem o nome do lugar mas não a sua realidade, ainda tivessem um fio de esperança. Algo do tipo “O trabalho liberta”, inscrição permanente em campos de concentração nazistas.

Mas o simbolismo fica muito contraditório por ser a época do Natal. “Natal” é “nascimento”. O nascimento de alguém que venceu a morte decretada por Herodes. De alguém que venceu a morte mesmo depois de morto. Pior. Ele nem convidou os “petralhas”, a quem prometeu levar logo depois que fosse eleito. É uma pena. Se cumprisse sua promessa, com certeza seus opositores iriam retribuir, levando uma ceia com um cardápio que o capitão iria adorar: Patos com laranjas.

A VITRINE DO MASCOTE

mascote pedro fernandesPedro Fernandes, filho da vereadora Rosa Fernandes, “mascote” do clã que tem como feudos eleitorais especialmente os bairros de Irajá e Vila da Penha, foi confirmado esta semana por Wilson Witzel como secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro. O clã dos Fernandes, desde a época do patriarca Pedro Fernandes, avô do mascote, sempre foi caracterizado pelo clientelismo e por não possuir identidade político-partidária ou ideológica e raramente ficou de fora de algum governo, fosse estadual ou municipal.

Esse ano Pedro Fernandes deixou de concorrer à reeleição na Assembleia Legislativa para candidatar-se a governador pelo PDT. O partido já causou estranheza. A família, que sempre perambulou por siglas de direita ou centro-direita, lançar o seu mascote por um partido de centro-esquerda foi de uma atipicidade retumbante. Mas justifica-se. As legendas nas quais o clã sempre teve trânsito já estavam com as portas fechadas e seus candidatos lançados. O PDT era um vácuo. Aliás, é um vácuo desde a morte de Brizola. Pedro Fernandes sempre soube que não seria eleito governador. Porém, sua estratégia, e do clã como um  todo, era ter aparições, visibilidade, tornar-se mais conhecido. Enfim, fazer uma autêntica “candidatura de vitrine”, visando voos futuros. E, talvez, em futuros bem próximos. Afinal, 2020 é logo ali.

Com a saída de Garotinho da disputa, a eleição ficou entre Witzel e Eduardo Paes. Os traços fascistas e a nítida ligação da candidatura de Witzel com Bolsonaro, jamais fariam com que o PDT apoiasse o ex-juiz. E a direção estadual do PDT apoiou Eduardo Paes, apesar de todas as restrições. Mas Pedro, o mascote, oportunista e percebendo o crescimento e a virtual vitória de Witzel, “fez e andou” para a orientação do partido que o abrigou. Afinal, ele precisa continuar aparecendo. Especialmente em um governo que teve uma maciça votação. Então, à favas com o compromisso partidário. E ganhou o seu presente de Natal antecipado: a Secretaria de Educação.

Pedro Fernandes não é bobo. Nem sua família. Senão, não teriam chegado onde chegaram. Portanto, ele deve saber da pauta ultra-conservadora de Witzel para a educação e da qual deverá ser um preposto. Witzel já se manifestou favoravelmente ao projeto fascista-inquisitorial Escola Sem Partido. Witzel também defende a militarização das escolas. Witzel despreza os aposentados. O programa de Witzel para a educação é claramente “tecnicista”. Para continuar em sua vitrine, pelo menos até 2020, o mascote terá que ler na cartilha do ex-juiz. E que se explodam as demandas de professores, alunos, funcionários e dos órgãos representativos da categoria. Isso porque, pelo menos até 2020, a sua vitrine não poderá, de modo algum, ser “abatida”.

 

DEMOCRACIA NORTE-COREANA

freedom house“Tudo sem viés ideológico”. Esse foi um dos motes da campanha da extrema-direita que levou seu candidato à vitória. Ensino sem ideologia. Comércio sem ideologia. Tudo pela democracia. Agora, a posse do capitão também tem que ter como referência a democracia. Cuba e Venezuela haviam sido convidadas para a posse, mas Bolsonaro vetou a presença desses dois países por seus governos “manterem regimes que violam as liberdades de seus povos.” Ao decidir pelo “desconvite”, Bolsonaro alegou que os governos de Cuba e Venezuela possuem grandes afinidades ideológicas com o grupo derrotado na eleição presidencial, no caso, o PT.

Pelo que Bolsonaro falou, ele só irá querer a presença de representantes de países que considera “democráticos” em sua posse. Talvez por isso ele tenha convidado a Arábia Saudita, a monarquia que recentemente matou e esquartejou um jornalista dissidente dentro de sua própria embaixada. A Síria, país do grande “democrata” Bashar al-Assad, também foi convidada. Sim, ele mesmo. Na visão de Bolsonaro, o homem responsável por uma das mais cruentas guerras da história e que vem matando milhões de seus concidadãos é um grande democrata.

Chama atenção ainda a manutenção do convite à Coreia do Norte. Kim Jon-Un, seguindo os critérios de Bolsonaro para a lista de convidados para sua posse, também é um democrata. E já podemos, então, falar em uma “democracia norte-coreana”. Foi o próprio Bolsonaro quem disse.

Se fosse realmente seguir os critérios de “governos comprometidos com a democracia e liberdade de seus povos”, Bolsonaro deveria riscar de sua lista convidados de pelo menos 37 países. De acordo com a Freedom House, instituição não-governamental que afere o índice de democracia nas diversas nações, esse é o número de países onde não há liberdade e nem democracia para seus povos. Enquadrariam-se nessa classificação, segundo a Freedom House, todos os países assinalados em azul no mapa acima. Mas Bolsonaro considera que apenas dois não são democráticos e, portanto, indignos de estarem presentes em sua posse: Cuba e Venezuela.

Pelo menos alguma coisa mudou. Segundo os critérios de Bolsonaro, que chocam-se com os da Freedom House, já podemos falar de uma “democracia norte-coreana”. Em tempos de “macartismo”, até que já temos um grande avanço.

LARANJAS EMPANADAS

laranjas empanadasA extradição do italiano Cesare Battisti, decretada por Temer, “caiu do céu” para   Bolsonaro e sua família. Não era bem isso o que ele queria. Antes mesmo de vencer a eleição, Bolsonaro já havia anunciado que “mandaria um presente para a Itália”, referendo-se a Battisti. Mas por que Temer tomou a frente de Bolsonaro na entrega honrosa do “presente”? Justamente nos dias em que estão pipocando escândalos e mais escândalos de laranjas do filho do capitão, o deputado Flávio Bolsonaro, nada como colocar a extradição de Battisti em evidência. A Divisão Antiterrorismo da Polícia Federal já está à caça do “presente”. Os diversos supostos disfarces de Battisti já estão sendo fartamente divulgados nos jornais e TVs. Pronto. Esqueceram do motorista-laranja, do cheque da futura primeira dama, dos assessores que depositavam dinheiro em dias que coincidiam com a data do pagamento na ALERJ.  Já querem frear (agora) o COAF.

Os laranjas foram empanados pelo italiano. O desvio de foco era tudo que Bolsonaro queria e Temer, que participa ativamente da “transição-consórcio”, também tem interesse na situação. Nesse ínterim, até um “João de Deus” cruzou o caminho e, para a alegria de Bolsonaro, também entrou no foco. Será que a Damares invocou a goiabeira? Se para Bolsonaro é interessante fazer da caça ao italiano uma “Hollywood Tupiniquim”, para Temer, a medida já soa como um aceno ao governo italiano de sua, quem sabe, futura diplomacia. Dentro da “transição-consórcio” Bolsonaro-Temer, fala-se que o futuro e a impunidade de Temer estariam garantidos a partir de primeiro de janeiro de 2019. O presente do golpista, segundo corre, viria antes mesmo do dia dos Reis Magos e ele seria nomeado Embaixador na Itália.

Temer, que é jurista, aceitou tomar uma medida que até juridicamente é contestável. Porque o ato de Lula, no último dia de seu governo, em 2010,  quando deu asilo político ao italiano, segundo fontes jurídicas seria um ato administrativo, não passível de revisão. Mas para tirar de foco o escândalo envolvendo a família do futuro e garantir a impunidade do atual Presidente, às favas com os princípios, inclusive do “moralismo chauvisnista” que levou o capitão ao poder. Portanto, empanemos os laranjas!

 

MORO E O COAF

coafO político e futuro Ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, Sérgio Moro, deve estar mesmo muito incomodado com a atuação do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). Mas por muito tempo ele não teve esse sentimento. O COAF sempre foi uma referência para o político Sérgio Moro. Porém,  as recentes revelações do órgão que mostra as movimentações financeiras e acusa atipicidade em depósitos e transações, há alguns dias devem estar tirando o sono de Moro. E também de seus admiradores “moralizadores” e soldados “anti-corrupção”. Tudo depois que o Conselho mostrou as tenebrosas transações envolvendo o motorista da família Bolsonaro e o cheque da futura primeira dama recatada e do lar.

Ontem, o político e futuro Ministro Sérgio Moro confirmou que o governo Bolsonaro enviará ao Congresso um projeto de lei para transferir o COAF para a sua futura pasta. Atualmente, o órgão que detectou pagamentos ao motorista de Flávio Bolsonaro é ligado ao Ministério da Fazenda. A pretensão do político Sérgio Moro com a proposta é, evidentemente, trazer para seu controle o órgão que acusa o que poderiam ser indícios de ilicitudes em se tratando de dinheiro. E ele já tem até um nome para comandar o órgão, caso a transferência seja aprovada. Trata-se de do auditor fiscal Roberto Leonel, que já trabalha na Receita Federal do Paraná. Ao que tudo indica, O político Sérgio Moro quer fazer do COAF um tentáculo da “República de Curitiba”. Para alegria da família Bolsonaro. Para alegria dos tucanos de todos os costados. Especialmente Aécio, Serra e Alckmin devem estar ululantes com a intenção do político e futuro Ministro Sérgio Moro.

O incômodo de Sérgio Moro se justifica. Talvez o COAF já esteja indo “longe demais”. Isso porque depois da descoberta envolvendo o motorista da família de seu Presidente, agora o COAF enriqueceu a sua constatação. Ontem foi noticiado que o relatório do COAF mostrou que as datas dos depósitos na conta do motorista-laranja coincidiram com as datas de pagamento na ALERJ. Nos meses de março, abril, maio, junho, agosto e novembro de 2016,  nos dias de pagamentos de salários na ALERJ, a conta do motorista-laranja ficou um pouquinho mais gorda. Não um dia antes e nem um dia depois do pagamento. Foi no mesmo dia. Curiosa coincidência. Coisas que acontecem! O mesmo relatório mostra que nove ex-assessores de Flávio Bolsonaro repassaram grana para o motorista-laranja.

Agora está explicado o incômodo do político Sérgio Moro. É preciso dar uma trava. Ele quer chamar essa “responsabilidade” para si. Assim, trazendo o COAF para seu controle, possivelmente o político Sérgio Moro descobrirá em sua justa, fria e imparcial análise, algum dinheiro que possivelmente foi usado na compra de pedalinhos. A Nação ficará indignada. Sem pedalinhos, patos amarelos sairão dos lagos e irão para a Avenida Paulista protestar contra a imoralidade e exigir o fim da corrupção. Enquanto isso, além de bolsonaristas “moralizadores dos costumes e das finanças”, “ETs”, “Playboys do Pó”, “Picolés de Chuchu” e outros tucanos do céu e da terra, aliviados, aplaudirão a eficiência do órgão comandado pelo incólume ex-juiz adepto da lógica do “no dos outros é refresco”