O CHURRASCÃO “SEM PARTIDO”

professor bolsonarista“Pessoal, hoje a Matemática não é importante. O importante hoje na sala de aula é churrascão.” (Emerson Teixeira, professor de Matemática  de escola pública em Guará, Distrito Federal, durante um churrasco organizado pelo docente, dentro da escola, para comemorar a vitória de Bolsonaro).

O “Escola Sem Partido” dessa gente é igual à reforma da previdência dessa mesma gente. Só para alguns. Escolas militares, por exemplo, estariam fora do projeto. Agora, o escandaloso vídeo de um professor de Matemática do Distrito Federal, chamado Emerson Teixeira, mostra o docente, dentro de uma escola pública (Centro Educacional 4), no Guará, Distrito Federal, realizando um churrasco junto com seus alunos para comemorar a vitória de Bolsonaro. O professor, que aparece vestido “a caráter” no vídeo, trajando uma camisa com a foto de Bolsonaro,  como já se sabe, é um militante político da extrema-direita e mantém um canal no Youtube em defesa de Bolsonaro. Nas deploráveis imagens, o professor-militante da extrema-direita aparece simulando dar tiros. Vários crimes podem ser tipificados.  O canal no Youtube é a sua seara para fins políticos, mas a escola não. O vídeo é absurdamente escandaloso e mostra, de forma cristalina, o que não pode ser feito dentro de uma escola pública. É criminoso mesmo. O professor de extrema-direita auto-intitula-se como “professor opressor”. “Opressor”, aliás é como muitos séquitos do capitão reformado, agora Presidente eleito, se identificam.

O mais escandaloso de tudo é que o vídeo foi feito pelo próprio professor militante bolsonarista. E foi postado por ele próprio. Tamanha audácia só pode ser entendia como uma certeza de impunidade. As imagens são repugnantes. Assistam. Com a palavra a deputada Ana Caroline Campagnolo e demais ruminantes que dizem que a esquerda aparelha a escola e doutrina os alunos.

O INDULTO DO OMISSO

fhc

Aqueles que se omitiram no segundo turno das eleições, recusando-se a participarem da malograda frente democrática, não possuem qualquer moral ou respaldo para, agora, fazerem qualquer alerta para os perigos que o futuro governo Bolsonaro representa. O alerta dos omissos é absolutamente inócuo, até porque já haviam sido feitos como premissas para concluir-se a necessidade de uma frente democrática. Porém, para os omissos, outros interesses ou ressentimentos pretéritos falaram mais alto do que a própria democracia. Um desses omissos, Fernando Henrique Cardoso, agora vem alertar para os prejuízos que o governo Bolsonaro poderá causar para a imagem do Brasil.

Ao dizer que o Brasil de Bolsonaro “pretende agir como os Estados Unidos sem ser os Estados Unidos”, FCH toma como base algumas promessas temerárias de Bolsonaro no plano internacional, como o abandono do Mercosul e o corte de relações com outros países. Mas não foi apenas isso. Durante toda campanha, as declarações de Bolsonaro, que ensandeciam seus seguidores, eram recheadas de ameaças à democracia. Nem precisamos repeti-las aqui. E FHC, já como Presidente da República, chegou até a ser um dos alvos da “fatwa bolsonarista”, quando o “mito” disse que o líder tucano deveria ser fuzilado.

Mas a coisa não fica apenas por aí. FHC já via Bolsonaro como ameaça há tempos. Em 1992, portanto, há 26 anos, em uma entrevista à revista Veja, disse FHC que, “para ser implantado um regime autoritário no país, era só aparecer um maluco e pronto. Nós temos o Bolsonaro gritando.” Em outra entrevista, no ano passado, FHC chega a “dar uma de Regina Duarte”. Na época, ele disse ter medo de Bolsonaro conquistar o poder. Até porque já havia sido “sentenciado” à pena capital por ele. Disse FHC:

“Eu não quero entrar em detalhes, mas há pessoas da direita que são perigosas”, disse FHC em evento na Universidade Brown, nos EUA. “Um dos candidatos propôs me matar quando eu estava na Presidência. Na época, eu não prestei atenção. Mas hoje eu tenho medo, porque agora ele tem poder, ainda não, ele tem a possibilidade do poder.” (FHC, em entrevista publicada em 17/11/2017 no em.com.br).

Agora, do alto de seu pedestal, FHC vem, mais uma vez, querer apresentar-se como o arauto da democracia. Quando era para enfrentá-lo, democraticamente, nas urnas, ele se omitiu. E seu próprio partido entregou-se ao bolsonarismo em São Paulo, sem qualquer atitude de sua parte. Como omisso que foi, FHC e outros absenteístas não possuem base para reclamarem. Quanto à sentença de morte que Bolsonaro “decretou”, talvez o Presidente eleito lhe dê um “indulto”. Suplique a ele. Foi o que te restou. Em nome do Senhor…

DRONES, WITZEL E O “01”

droneO discurso do governador eleito do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, nem parece ser de alguém que já exerceu a magistratura. Juízes, geralmente, são legalistas aficionados e muitos daqueles que saíram da magistratura para ingressarem na política, sempre tiveram a característica de invocarem a lei, terem por ela um zelo, às vezes até exagerado, e não admitirem ações que possam ser questionadas quanto à sua legalidade. Nunca tinha visto, até a aparição de Witzel, um ex-juiz com estilo “brucutu”. Mas depois da tal “carteirada”, quando, ainda candidato, ameaçou prender Eduardo Paes em um debate por algo que, pela lei, não caberia sequer prisão em flagrante, comecei a ver que Witzel era uma exceção. Na verdade, o estilo “brucutu” do ex-juiz começou a aflorar em razão de sua ligação com Flávio Bolsonaro, o “filho 01” do clã, como o próprio pai o chama. Flávio impulsionou a campanha de Witzel de modo silencioso, eficaz e surpreendente. Foi ao segundo turno com sobras e elegeu-se com sobras. É certo que, sem o apoio e a atuação do “01”, que o alavancou na aba bolsonarista,  Witzel, até então um mero desconhecido, não teria sido eleito.

Uma vez eleito, Witzel parece ser um “preposto do 01“. Sua pauta de segurança segue à risca o modelo bolsonarista e, assim,  fica difícil não admitir a influência do “01” nas decisões de Witzel. Tudo leva a crer que teremos um governo tutelado.  A ênfase pela atuação no confronto, em se tratando de questões de segurança, é característica dos “Bolsonaros” e seu discurso pós-eleição alinha-se a esse pensamento. Primeiro foi o “abate”. Abater bandidos vistos com fuzil seria tarefa dos snipers (atiradores de elite). Ainda que o portador da arma não estivesse atirando. Ainda que a “arma” portada pudesse, por engano, ser um guarda-chuva. Ainda que trouxesse “efeitos colaterais” letais.  Pela lei, o “excludente de ilicitude” é muito questionável nesse caso. Até mesmo atiradores de elite insurgiram-se contra a proposta, afirmando que não são “executores de pena de morte”. Sem falar que a pena capital não está prevista na lei.

As críticas e a evidente ilegalidade dos snipers nesse caso, embora a novidade tenha sido recebida com alvoroço por uma população sedenta de segurança, levou o governador eleito a pensar no uso de drones para efetuarem disparos em operações policiais, tendo como alvo bandidos portadores de fuzis. Já foi até anunciada uma viagem do futuro governador a Israel, na companhia do “01”, para conhecer o uso do equipamento, que efetuaria disparos enquanto sobrevoasse uma região. Temos conhecimento da engenhoca para casos de monitoramento, filmagem e coleta de dados sobre algumas regiões. Mas nunca para efetuar disparos. Especialistas vêem com ceticismo essa possibilidade e até em Israel, país em permanente estado de guerra, sua utilização ainda é experimental. Como, por exemplo, um tipo de droner kamikase” para cair em cima de alvos considerados terroristas.

O estado do Rio de Janeiro encontra-se com sua segurança sob intervenção militar há 9 meses. A intervenção terminará no dia da posse de Witzel. O uso de drones depende da autorização das Forças Armadas, visto que o mesmo é considerado um equipamento de segurança nacional. Supondo que as Forças Armadas autorizem o seu uso para disparos, a pergunta que naturalmente surgirá é: por que o Exército, com poderes e recursos, não utilizou esse equipamento enquanto esteve à frente da segurança do estado? Outra questão: Witzel consultou  o gabinete de intervenção para essa medida? Se ela é tão eficaz como alguns dizem e muitos acreditam, por que os militares  da intervenção nunca a a usaram?

Claro que a população aplaude. Como aplaudiu a intervenção. Passados nove meses, será que essa mesma população sente-se mais segura hoje? Com que frequência os drones seriam usados? Em que locais? Seriam permanentes? Qual o custo de tudo isso para um estado à bancarrota?  Anunciar uma medida de impacto, ainda mais legitimado pelos votos de uma população desesperada com a questão da segurança, é muito fácil. Porém, certas medidas exigem cautela. Principalmente vindas de um “homem da lei”. Ou então poderemos pensar que a fatura da campanha será paga com a permanente tutela do futuro governo ao “01”.

OS OSSOS DO JÂNIO

ossos do jânioEm 1960, Jânio Quadros era eleito Presidente da República com a maior votação obtida até então na história. Na ocasião, 5.636.623 brasileiros sufragaram o nome de Jânio nas urnas. Os votos dados a Jânio expressavam, acima de tudo, a esperança que se tinha em alguém que, na época, poderia ser chamado de “anti-sistema”. Foi lançado por um pequeno partido, o PTN (Partido Trabalhista Nacional) e acabou recebendo apoio dos grandes. Ele tinha uma agenda anti-corrupção. Dizia que varreria a corrupção do Brasil. “A vassoura ia varrer os corruptos.” Também encarnava uma agenda moralista, que repudiava tanto as brigas de galo como o uso de biquínis. Tipo aquele moralismo apenas no discurso, como estratégia política. Dizia que não precisava de partidos para governar, muito menos do Congresso. Se Adhemar de Barros, seu grande rival, era o “rouba mas faz”, Jânio logo colocou-se como o representante da “honestidade contra a roubalheira.” Jânio sempre quis mostrar independência. Tomou medidas polêmicas no campo internacional, como o reatamento das relações diplomáticas com a antiga União Soviética e a condecoração dada a Che Guevara, ao outorgar-lhe a “Ordem do Cruzeiro do Sul”. Tudo isso, em pleno auge da Guerra Fria. Jânio tomou posse em janeiro de 1961, isolou-se politicamente e, sete meses depois, renunciava, abrindo uma das maiores crises políticas no país. Sucedidas de muitas outras crises…

Quase 60 anos depois, não é difícil encontrar semelhanças entre Jânio Quadros e Jair Bolsonaro: seus quase 58 milhões de eleitores depositam uma grande esperança no recém-eleito. Tal como Jânio, foi lançado por um pequeno partido, o PSL, que acabou tendo o apoio dos grandes. Assim como Jânio, Bolsonaro apresenta-se como “anti-sistema”. Também a exemplo de Jânio,  o discurso moralista conservador e o combate à corrupção foram pontos fortes de sua campanha. Do mesmo modo que Jânio, Bolsonaro apresentou-se como o “soldado da honestidade contra a roubalheira”, mesmo de quem “fez”. E, antes mesmo de tomar posse, Bolsonaro já anuncia que também irá tomar medidas polêmicas no campo internacional. De diferente, o português impecável de Jânio, que falava de improviso e sem agredir as normas da boa gramática. E também os vices. João Goulart, vice de Jânio (porém, eleito separadamente) representava algo bem diferente de Jânio. Enquanto Mourão não deixa de ser “o mesmo do mesmo” de Bolsonaro.

O “custo Jânio Quadros” foi altíssimo e até hoje os brasileiros pagam essa conta. Contas mais terríveis do que as “forças”, talvez “metafísicas”, que o levaram a deixar o governo.  A renúncia de Jânio gerou uma cadeia de crises e golpes políticos em nosso país: de imediato, a crise pela posse de João Goulart, que gerou o golpe do Parlamentarismo em 1961. Sucessivamente o golpe de 1964, que gerou a ditadura que, por sua vez, alimentou grande parte daquilo que, enterrado por algum tempo, acabou sendo exumado para eleger Bolsonaro. Logo ele que falou que “quem procura osso é cachorro”, referindo-se à angústia dos parentes de presos políticos desaparecidos. Se pararmos e refletirmos um pouco, podemos admitir que a eleição de Bolsonaro também começou com a renúncia do Jânio. Ossos exumados e de tristes memórias vieram à tona. E os “cães danados” já estão salivando como Pavlov gostaria de ver…

 

E AGORA JOSÉ?

sérgio moro o estado de são paulo“E agora José? a festa acabou…” (Carlos Drummond de Andrade)

Em novembro de 2016, o jornal O Estado de São Paulo publicou uma entrevista com o juiz Sérgio Moro em que o magistrado, categoricamente, afirmou que jamais ocuparia qualquer cargo político. Na ocasião, disse Sérgio Moro sobre a possibilidade de ocupar algum cargo no Executivo:

“Jamais. Sou um homem de Justiça e, sem qualquer demérito, não sou um homem da política. Acho que a política é uma atividade importante, não tem nenhum demérito, muito pelo contrário, existe muito mérito em quem atua na política, mas eu sou um juiz, eu estou em outra realidade, outro tipo de trabalho, outro perfil. Então, não existe jamais esse risco.”

Em 2017, em uma palestra em Harvard, Sérgio Moro admitiu que o crime de “caixa 2” é pior do que o crime de corrupção. Disse o magistrado em sua palestra:

“Temos que falar a verdade, a Caixa 2 nas eleições é trapaça, é um crime contra a democracia. Me causa espécie quando alguns sugerem fazer uma distinção entre a corrupção para fins de enriquecimento ilícito (caixa 2) e a corrupção para fins de financiamento ilícito de campanha eleitoral. Para mim a corrupção para financiamento de campanha é pior que para o enriquecimento ilícito.”

Em maio de 2017, Onyx Lorenzoni, futuro chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro, confessou, e chegou a gravar um vídeo, que havia recebido 100 mil reais de “caixa 2”. Assistam ao vídeo de Lorenzoni confessando o seu crime:

 

Ontem Sérgio Moro, contradizendo suas próprias afirmações, aceitou o convite para ser ministro da Justiça no governo Bolsonaro. Um cargo político. De indicação política. De confiança política. Sim, ele entrou para a política. Ou já estava nela.

Mas Sérgio Moro terá como colega alguém que ele acha mais criminoso do que o Lula. Sim, e de acordo com suas próprias palavras. Moro condenou Lula por corrupção. Mas ele próprio disse que “caixa 2” é pior do que corrupção. E Onyx Lorenzoni confessou ter praticado o crime que Moro considera pior do que corrupção. E eles vão estar lado a lado, no mesmo governo. E agora José?

Claro que pesarão, para sempre, dúvidas, questionamentos e suspeitas sobre se as decisões de Moro tiveram ou não caráter político. Isso ele nunca admitirá. Foi tudo “técnico”. Vazar para a Rede Globo, de forma irregular, uma conversa telefônica, foi “técnico”. Divulgar na semana da eleição o conteúdo da delação de Palocci foi “técnico”. Nunca querer ouvir Tacla Duran foi “técnico”. Bolsonaro admitiu que a atuação de Moro contribuiu, e muito, em sua eleição. Isso todos já sabiam. Aliás, justiça seja feita: Lorenzoni e Bolsonaro foram sinceros em suas afirmações. O futuro chefe da Casa Civil em admitir o crime de “caixa 2”. E o futuro Presidente em admitir que Moro colaborou com sua eleição. Resta saber se Sérgio Moro também será igualmente sincero ao dizer o que pensa de ter que estar na mesma equipe, no mesmo grupo de trabalho, na mesma mesa, com um criminoso pior do que o Lula. E agora José? Ao contrário do célebre poema de Drummond, a festa ainda vai começar…

 

A “NOVA ERA”

nova era

ameaças de bolsonaristas

“Atenção geral! Tá liberada a caça legal aos viadinhos! Não vale atirar na cabeça, tá OK?” (Postagem feita nas redes sociais pelo bolsonarista Marcos Silveira).

“Já está liberado dar porrada em negro, viado e baiano?” (Postagem feita nas redes sociais por João Victor, bolsonarista que trajava camisa amarela da seleção e empunhava cassetete).

Nunca o Brasil viveu um momento pós-eleitoral tão nebuloso como o que está vivendo desde a última segunda-feira. Séquitos da chapa vencedora, cujo governo só tomará posse no primeiro dia de 2019, parecem que sentem-se “empoderados” para fazerem as mais absurdas barbáries. E, cada vez mais, falar em fascismo, desgraçadamente não é exagero. Fatos lamentáveis aconteceram na primeira semana (que ainda não terminou) após o pleito. E, lamentavelmente, não foram meras “coincidências”.

Na USP, um grupo bolsonarista armado, com quatro integrantes, invadiu uma sala da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade. Portando armas e exibindo placas com mensagens ameaçadoras, diziam que “a nova era estava chegando”. Os extremistas trajavam uniformes militares e, ao fundo, um dos fascistas exibe a bandeira de Gadsden, que simboliza o patriotismo… norte americano! No quadro, aparece a inscrição “Nova Era B 17”. Completando o horripilante cenário fascista, duas placas sobre a mesa em tons ameaçadores: “Está com medo petista safada?” e “A nova era está chegando”. Não, isso não é normal.

Simultaneamente, uma deputada bolsonarista de Santa Catarina incentivava as pessoas a filmarem as aulas dos professores e enviarem para ela como denúncia anônima. A referida deputada do PSL, igualmente achando-se empoderada, mesmo sem ter ainda tomado posse e sem qualquer respaldo legal, afirmava que, com os vídeos “tomaria as medidas cabíveis contra professores doutrinadores”. Ainda em Santa Catarina, o estado da tal deputada que pede para filmar os docentes, policiais à paisana invadiram uma assembleia de professores para “fiscalizá-la”. Nada disso pode ser considerado normal.

Isso sem contarmos as postagens feitas, após a vitória fascista, de bolsonaristas que, criminosamente, espalhavam pela rede: “Já está liberado dar porrada em negro, viado e baiano?” Não se iluda quem não for baiano. “Baiano” é uma designação pejorativa que, geralmente, os paulistas usam para se referir aos nordestinos de um modo geral. E sabemos a bronca que eles têm dos nordestinos. Até porque receberam a resposta nas urnas.

Bolsonaro ameaçou, ao vivo, um veículo de informação, afirmando que o mesmo não seria contemplado com verbas de publicidade oficial, o que nos faz pensar que a independência do jornalismo está sob suspeita e que haveriam mídias “cooptadas” e “chapas brancas”.

Um clima “caça às bruxas” parece ter sido instalado no país. Todo esse empoderamento autoritário é reforçado por uma transição que será feita com um governo já necrosado, desmoralizado e sem qualquer legitimidade mas que, em grande parte, é um consorciado de Bolsonaro nas reformas para acabar com a aposentadoria, reduzir direitos trabalhistas, entregar  as riquezas estratégicas ao estrangeiro, desmontar o Estado, ser lacaio do Trump e dar o meio ambiente aos ruralistas. Parece que só na tal transição haverá muita harmonia, paz e amor.

Depois da vitória eleitoral, Bolsonaro deveria tentar serenar os ânimos, moderar o tom de seu discurso agressivo. Mas isso não vem acontecendo. O fogo que o Aécio (aliás, apoiador do futuro governo) começou a tacar no país em 2014 ainda lambe o que resta da combalida democracia brasileira. Em suas falas após a eleição, Bolsonaro parece ainda estar em campanha e não dá qualquer sinal de que queira tranquilidade para o país. E agora, uma das medidas que Bolsonaro anuncia, é tipificar os movimentos sociais como “terrorismo”. Levando-se em conta o escopo dos movimentos sociais, a expectativa é de que muitos dos próprios eleitores de Bolsonaro sintam no próprio lombo o peso do que é ser considerado “terrorista”. Bastará eles se insurgirem contra a reforma da previdência que os sacrificará. Ou serem impelidos a trabalharem com uma tal carteira de trabalho que exibe as cores nacionais. Acho que, nessa hora, até eles irão se perguntar que patriotismo é esse. Professores, sem-terra, gays, sindicalistas, artistas, índios, negros, ambientalistas e os integrantes de movimentos das mais diversas causas poderão ser considerados “terroristas inimigos da Nação”. Seria isso um certo recalque por ter sido, ele próprio, Bolsonaro, um terrorista fracassado que tentou explodir a adutora do Guandu, jogar bombas em quartéis e, além de não ter conseguido o que queria, ainda foi expulso e mandado para a reserva do Exército Brasileiro? Talvez o problema seja mesmo “parapsicológico”. Preparem-se. A “Nova Era” chegou!