OS GASES COMUNISTAS

embaixador e a trama marxista

Uma leitura do Manifesto Comunista, de Marx e Engels, publicado em 1848, mostra que os dois grandes teóricos do comunismo fizeram predições que acabaram, de fato, acontecendo. A globalização, por exemplo, está ali prevista. Mas não há nada que refira-se a mudanças climáticas. O futuro Ministro das Relações Exteriores do governo Bolsonaro, Ernesto Araújo, no entanto, entende que as mudanças climáticas são resultado de uma “trama marxista”. E nosso futuro chanceler já está virando motivo de chacota na imprensa internacional. O pensamento de Ernesto Araújo pode ser enquadrado dentro do que poderíamos chamar de “ceticismo climático”. Ele chama o climatismo de “dogmático”. Na verdade, dogmático é ele, que é um “trumpista” convicto e afirma que o “climatismo” é uma tática do Estado para regular o desenvolvimento capitalista e controlar o comportamento das pessoas, dentro daquilo que o Estado poderia dizer que “pode” e “não pode”. Ainda segundo Ernesto Araújo, “tudo para beneficiar a China”. Escreveu o futuro chanceler:

“O climatismo é basicamente uma tática globalista de instilar o medo para obter mais poder. O climatismo diz: “Você aí, você vai destruir o planeta. Sua única opção é me entregar tudo, me entregar a condução de sua vida e do seu pensamento, sua liberdade e seus direitos individuais. Eu direi se você pode andar de carro, se você pode acender a luz, se você pode ter filhos, em quem você pode votar, o que pode ser ensinado nas escolas. Somente assim salvaremos o planeta. Se você vier com questionamentos, com dados diferentes dos dados oficiais que eu controlo, eu te chamarei de climate denier e te jogarei na masmorra intelectual. Valeu?” (Extraído do blog de Ernesto Araújo).

Avesso ao multilateralismo, bem ao estilo Trump, o novo chanceler será o porta-voz da política ambiental predatória e entreguista de Bolsonaro. Ele nega a própria ciência e jamais deve ter ouvido falar do significado de “desenvolvimento sustentável”. Por conta das declarações ridículas e absurdas do futuro Ministro das Relações Exteriores, o jornal britânico “The Guardian”, em sua edição de ontem, já está dando o tom de como o Brasil está virando motivo de chacota internacional, embora o assunto seja sério. Muito sério.

A política de preservação ambiental não tem matiz ideológico. Os acordos climáticos são de caráter global e alguns daqueles que não os cumprem, mostram suas visões de “pequenos mundos em grandes Estados”, como é o caso de Trump. Qualquer país, seja ele capitalista ou socialista, deve manter compromissos de preservação ambiental, em âmbito global. Sobre a possibilidade, aventada por Ernesto Araújo, de o climatismo ser uma trama marxista, a coisa chega a ser risível. A ciência registra o aumento significativo da temperatura do planeta a partir de 1750, data que marca o início da Revolução Industrial, na Inglaterra. Marx nem tinha nascido. O uso de combustíveis que emitem gases formados por moléculas que absorvem calor e, consequentemente, aquecem o planeta, nada tem de cético, dogmático ou ideológico. É puramente científico. E tudo isso começou exatamente com o avanço do capitalismo e, portanto, nada tem de “conspiração marxista”. A menos que o dióxido de carbono e o metano sejam “gases comunistas”. Mas isso, por enquanto, a ciência ainda não comprovou.

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