TÚNEL DO TEMPO

brasil ame-o ou deixe-o

Parece que os tempos do “Brasil: ame-o ou deixe-o”, slogan ufanista que é um dos símbolos da ditadura militar, estão de volta. Quando, no dia 28 de outubro, após a confirmação da vitória da “chapa pau de arara”, nós desejamos um “Feliz 1964”, houve quem protestasse, apesar de um certo tom de humor em nossa mensagem. Mas parece que a coisa é séria mesmo. Depois de ameaçar veículos de imprensa com o corte de verbas publicitárias do governo para quem não fizesse um “bom jornalismo”, Bolsonaro está conseguindo cooptar a mídia. O SBT já parece que entendeu o recado. A emissora do Sr. Senor Abravanel, mais conhecido como Sílvio Santos, já está recuperando os slogans ufanistas dos tempos nada saudosos do ditador Médici e colocando no ar as musiquinhas que marcaram a ditadura militar, especialmente no auge dos “anos de chumbo”.

Sílvio Santos sempre foi um bajulador da ditadura militar, mesmo antes de ganhar a sua concessão de TV. Em seus programas existia um quadro chamado “Como vai senhor Ministro?” Nas músicas comandadas por Sílvio Santos em que o auditório participava, suas “colegas de trabalho” por várias vezes cantavam “Armando Falcão… É coisa nossa…”

E parece que entramos mesmo no túnel do tempo. Na tarde desta terça-feira, dia 6 de novembro, o SBT colocou no ar a vinheta ufanista “Brasil: ame-o ou deixe-o” e várias outras dos tempos da ditadura, com as letras nas cores nacionais. A mensagem “Brasil: ame-o ou deixe-o”, atualizada, complementa o que Bolsonaro já falou em relação aos oposicionistas e o exílio está nela embutido.

Mensagens com esse teor não são apenas expressões do ufanismo nacionalista. Elas atuam, de forma sutil, como um aparelho ideológico de Estado, identificando que o inimigo interno é mais perigoso do que o externo. Tudo dentro da doutrina de segurança nacional da ESG. O opositor não ama o Brasil, ele é o “outro” e deve ser banido. E ele está ao nosso lado. Não foi à toa que na ditadura do general Médici registrou-se o maior gasto com propagandas oficiais. E predominantemente ufanistas.

A iniciativa do SBT já sugere uma subserviência da mídia, especialmente após a ameaça de Bolsonaro. E o governo de extrema-direita, oficialmente, ainda nem começou. “Prá Frente Brasil” (olha a Copa do Catar aí!), “Ninguém segura mais esse país!” (olha o precipício). Quanto ao “Brasil: ame-o ou deixe-o”, Ivan Lessa, jornalista e filho do escritor Orígenes Lessa, e que também foi um dos fundadores do “Pasquim”, notabilizou-se, na época, por acrescentar, de forma irônica: “o último apague a luz do aeroporto.”

Abaixo, os vídeos com as vinhetas, com direito a Don e Ravel, Miguel Gustavo e os slogans “à la Médici”:

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