O INDULTO DO OMISSO

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Aqueles que se omitiram no segundo turno das eleições, recusando-se a participarem da malograda frente democrática, não possuem qualquer moral ou respaldo para, agora, fazerem qualquer alerta para os perigos que o futuro governo Bolsonaro representa. O alerta dos omissos é absolutamente inócuo, até porque já haviam sido feitos como premissas para concluir-se a necessidade de uma frente democrática. Porém, para os omissos, outros interesses ou ressentimentos pretéritos falaram mais alto do que a própria democracia. Um desses omissos, Fernando Henrique Cardoso, agora vem alertar para os prejuízos que o governo Bolsonaro poderá causar para a imagem do Brasil.

Ao dizer que o Brasil de Bolsonaro “pretende agir como os Estados Unidos sem ser os Estados Unidos”, FCH toma como base algumas promessas temerárias de Bolsonaro no plano internacional, como o abandono do Mercosul e o corte de relações com outros países. Mas não foi apenas isso. Durante toda campanha, as declarações de Bolsonaro, que ensandeciam seus seguidores, eram recheadas de ameaças à democracia. Nem precisamos repeti-las aqui. E FHC, já como Presidente da República, chegou até a ser um dos alvos da “fatwa bolsonarista”, quando o “mito” disse que o líder tucano deveria ser fuzilado.

Mas a coisa não fica apenas por aí. FHC já via Bolsonaro como ameaça há tempos. Em 1992, portanto, há 26 anos, em uma entrevista à revista Veja, disse FHC que, “para ser implantado um regime autoritário no país, era só aparecer um maluco e pronto. Nós temos o Bolsonaro gritando.” Em outra entrevista, no ano passado, FHC chega a “dar uma de Regina Duarte”. Na época, ele disse ter medo de Bolsonaro conquistar o poder. Até porque já havia sido “sentenciado” à pena capital por ele. Disse FHC:

“Eu não quero entrar em detalhes, mas há pessoas da direita que são perigosas”, disse FHC em evento na Universidade Brown, nos EUA. “Um dos candidatos propôs me matar quando eu estava na Presidência. Na época, eu não prestei atenção. Mas hoje eu tenho medo, porque agora ele tem poder, ainda não, ele tem a possibilidade do poder.” (FHC, em entrevista publicada em 17/11/2017 no em.com.br).

Agora, do alto de seu pedestal, FHC vem, mais uma vez, querer apresentar-se como o arauto da democracia. Quando era para enfrentá-lo, democraticamente, nas urnas, ele se omitiu. E seu próprio partido entregou-se ao bolsonarismo em São Paulo, sem qualquer atitude de sua parte. Como omisso que foi, FHC e outros absenteístas não possuem base para reclamarem. Quanto à sentença de morte que Bolsonaro “decretou”, talvez o Presidente eleito lhe dê um “indulto”. Suplique a ele. Foi o que te restou. Em nome do Senhor…

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