A “NOVA ERA”

nova era

ameaças de bolsonaristas

“Atenção geral! Tá liberada a caça legal aos viadinhos! Não vale atirar na cabeça, tá OK?” (Postagem feita nas redes sociais pelo bolsonarista Marcos Silveira).

“Já está liberado dar porrada em negro, viado e baiano?” (Postagem feita nas redes sociais por João Victor, bolsonarista que trajava camisa amarela da seleção e empunhava cassetete).

Nunca o Brasil viveu um momento pós-eleitoral tão nebuloso como o que está vivendo desde a última segunda-feira. Séquitos da chapa vencedora, cujo governo só tomará posse no primeiro dia de 2019, parecem que sentem-se “empoderados” para fazerem as mais absurdas barbáries. E, cada vez mais, falar em fascismo, desgraçadamente não é exagero. Fatos lamentáveis aconteceram na primeira semana (que ainda não terminou) após o pleito. E, lamentavelmente, não foram meras “coincidências”.

Na USP, um grupo bolsonarista armado, com quatro integrantes, invadiu uma sala da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade. Portando armas e exibindo placas com mensagens ameaçadoras, diziam que “a nova era estava chegando”. Os extremistas trajavam uniformes militares e, ao fundo, um dos fascistas exibe a bandeira de Gadsden, que simboliza o patriotismo… norte americano! No quadro, aparece a inscrição “Nova Era B 17”. Completando o horripilante cenário fascista, duas placas sobre a mesa em tons ameaçadores: “Está com medo petista safada?” e “A nova era está chegando”. Não, isso não é normal.

Simultaneamente, uma deputada bolsonarista de Santa Catarina incentivava as pessoas a filmarem as aulas dos professores e enviarem para ela como denúncia anônima. A referida deputada do PSL, igualmente achando-se empoderada, mesmo sem ter ainda tomado posse e sem qualquer respaldo legal, afirmava que, com os vídeos “tomaria as medidas cabíveis contra professores doutrinadores”. Ainda em Santa Catarina, o estado da tal deputada que pede para filmar os docentes, policiais à paisana invadiram uma assembleia de professores para “fiscalizá-la”. Nada disso pode ser considerado normal.

Isso sem contarmos as postagens feitas, após a vitória fascista, de bolsonaristas que, criminosamente, espalhavam pela rede: “Já está liberado dar porrada em negro, viado e baiano?” Não se iluda quem não for baiano. “Baiano” é uma designação pejorativa que, geralmente, os paulistas usam para se referir aos nordestinos de um modo geral. E sabemos a bronca que eles têm dos nordestinos. Até porque receberam a resposta nas urnas.

Bolsonaro ameaçou, ao vivo, um veículo de informação, afirmando que o mesmo não seria contemplado com verbas de publicidade oficial, o que nos faz pensar que a independência do jornalismo está sob suspeita e que haveriam mídias “cooptadas” e “chapas brancas”.

Um clima “caça às bruxas” parece ter sido instalado no país. Todo esse empoderamento autoritário é reforçado por uma transição que será feita com um governo já necrosado, desmoralizado e sem qualquer legitimidade mas que, em grande parte, é um consorciado de Bolsonaro nas reformas para acabar com a aposentadoria, reduzir direitos trabalhistas, entregar  as riquezas estratégicas ao estrangeiro, desmontar o Estado, ser lacaio do Trump e dar o meio ambiente aos ruralistas. Parece que só na tal transição haverá muita harmonia, paz e amor.

Depois da vitória eleitoral, Bolsonaro deveria tentar serenar os ânimos, moderar o tom de seu discurso agressivo. Mas isso não vem acontecendo. O fogo que o Aécio (aliás, apoiador do futuro governo) começou a tacar no país em 2014 ainda lambe o que resta da combalida democracia brasileira. Em suas falas após a eleição, Bolsonaro parece ainda estar em campanha e não dá qualquer sinal de que queira tranquilidade para o país. E agora, uma das medidas que Bolsonaro anuncia, é tipificar os movimentos sociais como “terrorismo”. Levando-se em conta o escopo dos movimentos sociais, a expectativa é de que muitos dos próprios eleitores de Bolsonaro sintam no próprio lombo o peso do que é ser considerado “terrorista”. Bastará eles se insurgirem contra a reforma da previdência que os sacrificará. Ou serem impelidos a trabalharem com uma tal carteira de trabalho que exibe as cores nacionais. Acho que, nessa hora, até eles irão se perguntar que patriotismo é esse. Professores, sem-terra, gays, sindicalistas, artistas, índios, negros, ambientalistas e os integrantes de movimentos das mais diversas causas poderão ser considerados “terroristas inimigos da Nação”. Seria isso um certo recalque por ter sido, ele próprio, Bolsonaro, um terrorista fracassado que tentou explodir a adutora do Guandu, jogar bombas em quartéis e, além de não ter conseguido o que queria, ainda foi expulso e mandado para a reserva do Exército Brasileiro? Talvez o problema seja mesmo “parapsicológico”. Preparem-se. A “Nova Era” chegou!

 

 

 

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