BANDIDOS E O FUGITIVO

pezão presoNo dia seguinte à derrota do Fluminense para o Atlético Paranaense pela Copa Sul-Americana, os fluminenses em geral tiveram uma boa notícia: hoje, às 6 da manhã, o Governador Pezão foi preso. Porém, ainda não é o suficiente para acreditarmos na Justiça. No mar de tubarões e crocodilos que assaltam os cofres públicos, Pezão até que pode ser considerado um peixinho de vala. Ou um girino. Mas sua prisão não deixa de ser uma vitória. Ele e sua quadrilha, liderada pelo seu antecessor, literalmente mataram aposentados, servidores, trabalhadores. Seja por não pagá-los. Ou por não investir o mínimo em saúde. Muitos morreram em hospitais por causa dos roubos nababescos desse pulha e sua quadrilha.

Mas estamos ainda esperando pelo primeiro dia de 2019. Porque, se a Justiça existe mesmo, e ela ainda não deu amplas demonstrações disso, Temer tem que sair do Planalto algemado. Junto com o Gato Angorá e com o Eliseu Padilha. Mas a Justiça tem mesmo é que se “lembrar” dos tucanos. Aécio permanece impune. Alckmin, apesar dos escândalos do metrô e da merenda escolar e mesmo não tendo mais foro, parece que jamais será incomodado. Moro “perdoou” Onyx Lorenzoni, futuro Ministro de Bolsonaro junto com ele.

A mesada criminosa que era recebida por Pezão e seus comparsas, com os investimentos legais indo para a vala e comprometendo a situação fiscal do Rio de Janeiro, levaram Pezão a decretar a capitulação do Estado. O tal “acordo de recuperação fiscal” foi um verdadeiro “Tratado de Versalhes” ao qual o Rio de Janeiro se subjugou. Mas a mesma Justiça que hoje colocou as mãos em Pezão, parece também um tanto capitulada. Bandidos tucanos de alta periculosidade parecem eternamente imunes. Acusações com provas contundentes contra Aécio, Alckmin e Serra, por exemplo, não os levam ao mesmo destino que Pezão e Cabral.

O que restou ao Rio depois da prisão de Pezão? Um “fóssil ambulante” que assumirá o governo por um mês, bandidos travestidos de governadores presos e um futuro governador que, ironicamente, fugiu de bandidos do Espírito Santo, exilou-se no Rio e ganhou uma eleição pelo WhatsApp e que será tutelado pelo filho do Bozo. Enquanto isso, na capital do Estado, que já foi a capital do país, o fundamentalismo pentecostal aniquila a outrora Cidade Maravilhosa. Viva o povo nordestino!

 

 

 

A PEDALADA DA JANAÍNA

pedalada da janaína“Se entendi bem, sentiram falta de comprovantes de transferência de 18 mil reais e de dois contratos que, juntos, somam 4 mil reais. O problema é que eu enviei documento por documento aos advogados contratados, na data em que emitidos.” (Janaína Paschoal, deputada estadual eleita pelo PSL em São Paulo, explicando sua provável “pedalada”).

Janaína Paschoal, a “funcionária terceirizada do PSDB” e uma das signatárias do conluio golpista que derrubou a Presidente Dilma, corre o risco de não ser empossada deputada estadual na Assembleia Legislativa de São Paulo. Ela foi a candidata mais votada em todo país, com mais de 2 milhões de votos, com melhor desempenho do que muitos candidatos a Presidente da República. Porém, em nome da legalidade que ela tanto defende (e assim ficou nacionalmente conhecida), ela pode nem assumir. Tudo por causa da omissão do valor de 18 mil e 500 reais que, segundo ela, foram gastos em sua campanha.

Diferentemente da ex-Presidente Dilma, que nada escondeu, o parecer da Justiça Eleitoral afirma que há “inconsistência grave que caracteriza omissão de informação”  na prestação de contas da “pós-doutora” o que, em outras palavras, significa que ela não declarou o valor que afirma ter gasto em sua campanha. Teria sido um tropeço? Um escorregão? Ou uma “pedalada”?

Deve ser muito chato ter o mandato surrupiado por algo tão ínfimo. E como ficam os mais de dois milhões de eleitores que delegaram à “pós-doutora” a legitimidade de representá-los? Onde estariam, afinal, os 18 mil e 500 reais que a “pós-doutora” diz ter gasto em sua campanha? Ela disse que “sentiram falta de documentos” e que os enviou aos seus advogados. Ela e seus advogados também culpam até a informatização por essa “pedalada” ocorrida em sua campanha. É. Pode até ser. Nada como um dia atrás do outro.

Porém, creio que a “pós-doutora” não precisa se preocupar. Sendo quem é e estando do lado em que está, certamente a “pós-doutora”, muito astuta e competente, poderá se beneficiar da nova “jurisprudência” criada pelo seu futuro Ministro da Justiça, Sérgio Moro. Falo da “jurisprudência da desculpa”, já usada pelos seus correligionários. O Onyx Lorenzoni pediu e teve as desculpas concedidas por algo muito mais grave, um “caixa 2” de 200 mil reais. Moro, seu colega no futuro governo, o desculpou. Bolsonaro, o seu Presidente, também “desculpou-se” com a Ministra Rosa Weber, Presidente do TSE, pelo ataque às urnas eletrônicas e pela instabilidade que criou com suas criminosas acusações durante a campanha. Desculpas igualmente aceitas. O “Eduardinho” também já se desculpou pelos assaques criminosos ao STF. Tudo em casa. Então, basta a “pós-doutora” pedir desculpas. Certamente, as mesmas serão concedidas. Afinal, a “justiça” é para todos. Já as “pedaladas”, nem tanto…

 

ASTRÓLOGO E TALIBÃS

astrologia“Vamos virar todos talibãs.” (Sóstenes Cavalcente, deputado da bancada evangélica da confiança do ultra-reacionário Pastor Silas Malafaia, da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, ameaçando Bolsonaro em caso de nomeação de um Ministro da Educação que não fosse do agrado da bancada).

Depois do chanceler que afirma, com todas as letras, que “o climatismo é uma conspiração marxista”, agora termos o Ministro da Educação que teve que passar pelo crivo da bancada evangélica. Tanto Ernesto Araújo, o homem que vê ideologia até nos gases que provocam o aquecimento global, como Ricardo Vélez, o homem que quer que a educação seja focada nos princípios da “família e da moral”, foram indicações do astrólogo Olavo de Carvalho. E, no caso de Ricardo Vélez, recém-anunciado como o futuro Ministro da Educação, a bancada evangélica teve que aprovar. Os evangélicos, que ameaçam até virar “talibãs”, segundo um de seus mais fanáticos porta-vozes, já até ameaçaram Bolsonaro. E até o fundamentalismo fascista de Bolsonaro teve que render-se ao fundamentalismo religioso da bancada evangélica. A bancada evangélica já havia vetado o nome de Mozart Neves para a Educação. Bolsonaro teve que trocar e acabou indicando o nome sugerido pelo astrólogo que mora nos Estados Unidos. Então, os evangélicos aceitaram. Ainda que a indicação tenha vindo de um astrólogo.

O futuro MInistro da Educação, o colombiano Ricardo Vélez, é ligado ao Instituto Liberal, uma entidade que congrega pensadores de direita. Já afirmou que o golpe de 1964 deve ser comemorado e diz que pretende acabar com a ideologização da educação, ao mostrar-se um fervoroso defensor do projeto Escola Sem Partido. Acredito que o colombiano que irá ocupar a pasta da Educação conheça, ao menos um pouco, a nossa Constituição, que consagra o ensino e o Estado como laicos. Porém, ao ter que passar pelo crivo dos evangélicos, que ameaçam até virarem “talibãs”, podemos colocar em dúvida se esse princípio constitucional será respeitado pelo colombiano. Mas a Constituição também fala em pluralismo de idéias e concepções pedagógicas quando trata dos princípios da Educação. Logo, a escola deve ser um centro catalisador de inúmeras concepções, o que mostra que não pode haver mordaça, como pretende o Escola Sem Partido defendido por Vélez. A família e os valores morais também são preocupações do colombiano em relação à educação. Mas é bom que o futuro Ministro saiba que “família” não é um conceito que foi moldado por religiosos e sim uma entidade social que tem definição e garantias legais. Por isso, é bom lembrar ao futuro Ministro da Educação, que família não é apenas uma entidade formada por um homem e uma mulher, unidos pelo casamento, e os filhos deste casal. Há famílias com dois pais, duas mães, onde não houve o casamento e onde os filhos são irmãos de pais ou mães diferentes, ou de nenhum destes. Espero que, quando Velez esteja se referindo à “família”, não esteja apenas pensando naquela idealizada pelos seguidores do Evangelho que ameaçam virar “talibãs”.

Tudo leva a crer que o Brasil, em grande parte, será mesmo governado a partir dos Estados Unidos. E não me refiro apenas à subserviência já declarada ao governo Trump, mas à influência do astrólogo e guru da direita Olavo de Carvalho, a ponto de já ter indicado dois Ministros. Pode até ser que o astrólogo-guru dê alguns conselhos ao já indicado Ministro-astronauta. Pode ser até que a lua seja mesmo de cristal. Será que o astrólogo já havia acertado a previsão da Xuxa?

 

PAPEL PRÁ QUEM PRECISA!

papel higiêncio“Se alguém ainda compra a Folha, já pode economizar papel higiênico.” (Eduardo Bolsonaro, em postagem feita no twitter).

Que não se iludam os meios de comunicação. Principalmente aqueles que, até aqui, vêm recebendo elogios e preferências para entrevistas exclusivas com o Presidente eleito. Que não se iludam jornalistas. Assim como professores, eles também serão alvo de perseguição no governo que se avizinha.

Bolsonaro já mandou o recado, poucos dias após a eleição, ao afirmar que cortará verbas de publicidade oficial das emissoras de TV que não se enquadrarem nos seus princípios. Recado dado. Agora, pelo menos, saberemos claramente distinguir os veículos de comunicação cooptados pelo governo de ultra-direita daqueles, de fato, independentes. A Folha de São Paulo e seus jornalistas já vêm sendo, há tempos, alvos da fúria de Bolsonaro. Primeiro, foi a Camila Mattoso, a quem Bolsonaro falou que “comia gente” com o dinheiro do auxílio-moradia. Agora, a Mônica Bérgamo, ao publicar o que seria um “furo” de reportagem, quando anunciou que Alexandre Garcia, da Globo, foi sugerido para assumir um cargo na comunicação do futuro governo, foi atacada pelo filho de Bolsonaro. Então, ao atacar a jornalista, o filho de Bolsonaro comparou o jornal para o qual ela trabalha a papel higiênico.

Se é assim, então sugiro ao filho de Bolsonaro que junte muitas folhas do jornal que o desagradou para limpar a boca de seu papai e dos assessores dele. Porque, pelo que vem saindo, por via oral, de dentro de seu pai, nem parece que ele está colostomizado. Mas isso também serve para o seu vice e para os seus assessores. Há dois dias, Bolsonaro voltou a falar que “o brasileiro não sabe o que é ditadura porque nunca houve ditadura no Brasil.”  O seu futuro chanceler, Ernesto Araújo, já havia falado que o climatismo “é uma conspiração marxista”. O vice Mourão já havia afirmado que “família em que os filhos são criados só por mães ou avós é uma fábrica de desajustados”. Isso sem esquecermos de uma pérola preciosíssima do futuro Presidente, quando afirmou que “o índio quer ser como nós”, em seus pitacos sobre meio ambiente.

Pelo visto, a partir do que o filho do Bolsonaro falou, o próximo governo terá que ser mesmo um assinante permanente da Folha de São Paulo. Será até um alívio orçamentário para o país, pois, seguindo seu próprio conselho, o governo é quem irá economizar muito papel higiênico.

 

 

MÉDICOS, ESCRAVIDÃO E PRECONCEITO

médicos cubanosMandar os médicos cubanos para Guantánamo depois de dispensá-los com uma “canetada” foi promessa de Bolsonaro durante a campanha. Agora que os médicos estão deixando o programa iniciado no governo Dilma,  Bolsonaro fala em “escravidão” e “condições desumanas” de trabalho dos profissionais cubanos. A verdade é que, desde sempre, Bolsonaro criticou o programa “Mais Médicos” e nunca aceitou a presença dos cubanos no Brasil. Já em relação à “escravidão”, algumas questões devem ser colocadas. Primeiro, se  Bolsonaro considera escravidão o valor de 3 mil reais que ficariam com os médicos, após o repasse da maior parte dos vencimentos para o governo cubano, gostaria de saber se o Presidente eleito também considera escravidão e condições desumanas o trabalho dos professores brasileiros, sabendo-se que o piso nacional para 40 horas de trabalho será de 2.455 reais em 2019.

Seria bom também perguntar a médicos que são credenciados pelos planos de saúde aqui no Brasil (e não são poucos), quanto o paciente paga pela consulta, quanto fica com os médicos e quanto vai para a empresa que comercializa a saúde. Muitas dessas empresas, inclusive, até pouco tempo patrocinavam campanhas eleitorais e, mesmo com a mudança da lei, certamente ainda patrocinam como “pessoas físicas”. Vez por outra ocorrem protestos de médicos pelas migalhas que recebem das agências dos mascates da saúde. Um pronunciamento oficial do Presidente eleito a esse respeito seria bem-vindo.

E já que Bolsonaro falou em “escravidão”, o que o seu governo fará em relação às denúncias de trabalho escravo no meio rural brasileiro? Toda hora ele fala em acabar com o Ministério do Trabalho. Qual foi a posição dele, como deputado, ao projeto do Temer que “flexibilizava” o conceito de “trabalho escravo”? O que esperar, em relação a isso, de um Ministério da Agricultura entregue a uma representante do agro-negócio?

Em relação aos médicos, o governo cubano já se manifestou oficialmente, atribuindo a saída dos profissionais às  “declarações ameaçadoras e depreciativas feitas pelo Presidente eleito”. Todas as declarações irresponsáveis de Bolsonaro estão tendo retornos desastrosos, seja no comércio externo, na diplomacia e, agora, no caso dos médicos cubanos. Os médicos cubanos, desde sempre, foram alvo de hostilidades, preconceitos e até de ataques xenófobos por parte não apenas  de seus colegas brasileiros. Na época da chegada dos cubanos, até uma jornalista brasileira, chamada Micheline Borges, cheia de raiva, preconceito e racismo, chegou a afirmar:

“Me perdoem se for preconceito, mas essas médicas cubanas tem uma Cara de empregada doméstica. Será que são médicas mesmo??? Afe que terrível. Médico, geralmente, tem postura, tem cara de médico. Se impõe a partir da aparência… Coitada da nossa população. Será que eles entendem de dengue? E febre amarela? Deus proteja O nosso Povo!” (Eventuais incorreções gramaticais foram mantidas na citação, pois a mesma foi extraída “in natura” da postagem da jornalista).

A jornalista fez as declarações públicas em sua página no Facebook e prosseguiu nos assaques contra os cubanos. Mas a visão da jornalista é compartilhada por muitos daqueles que apoiam Bolsonaro. Os médicos cubanos “não serviram” para o Brasil, mas vão prestar os seus serviços em outros países. Enquanto isso, quem arranjou todo o problema por suas declarações irresponsáveis terá que vislumbrar um outro modo de cumprir o dispositivo constitucional que garante o acesso dos brasileiros à saúde. O “Mais Médicos” já virou “Menos Médicos” e, acreditem, não foi culpa do Temer. E pensar que o pesadelo ainda vai começar!

OS GASES COMUNISTAS

embaixador e a trama marxista

Uma leitura do Manifesto Comunista, de Marx e Engels, publicado em 1848, mostra que os dois grandes teóricos do comunismo fizeram predições que acabaram, de fato, acontecendo. A globalização, por exemplo, está ali prevista. Mas não há nada que refira-se a mudanças climáticas. O futuro Ministro das Relações Exteriores do governo Bolsonaro, Ernesto Araújo, no entanto, entende que as mudanças climáticas são resultado de uma “trama marxista”. E nosso futuro chanceler já está virando motivo de chacota na imprensa internacional. O pensamento de Ernesto Araújo pode ser enquadrado dentro do que poderíamos chamar de “ceticismo climático”. Ele chama o climatismo de “dogmático”. Na verdade, dogmático é ele, que é um “trumpista” convicto e afirma que o “climatismo” é uma tática do Estado para regular o desenvolvimento capitalista e controlar o comportamento das pessoas, dentro daquilo que o Estado poderia dizer que “pode” e “não pode”. Ainda segundo Ernesto Araújo, “tudo para beneficiar a China”. Escreveu o futuro chanceler:

“O climatismo é basicamente uma tática globalista de instilar o medo para obter mais poder. O climatismo diz: “Você aí, você vai destruir o planeta. Sua única opção é me entregar tudo, me entregar a condução de sua vida e do seu pensamento, sua liberdade e seus direitos individuais. Eu direi se você pode andar de carro, se você pode acender a luz, se você pode ter filhos, em quem você pode votar, o que pode ser ensinado nas escolas. Somente assim salvaremos o planeta. Se você vier com questionamentos, com dados diferentes dos dados oficiais que eu controlo, eu te chamarei de climate denier e te jogarei na masmorra intelectual. Valeu?” (Extraído do blog de Ernesto Araújo).

Avesso ao multilateralismo, bem ao estilo Trump, o novo chanceler será o porta-voz da política ambiental predatória e entreguista de Bolsonaro. Ele nega a própria ciência e jamais deve ter ouvido falar do significado de “desenvolvimento sustentável”. Por conta das declarações ridículas e absurdas do futuro Ministro das Relações Exteriores, o jornal britânico “The Guardian”, em sua edição de ontem, já está dando o tom de como o Brasil está virando motivo de chacota internacional, embora o assunto seja sério. Muito sério.

A política de preservação ambiental não tem matiz ideológico. Os acordos climáticos são de caráter global e alguns daqueles que não os cumprem, mostram suas visões de “pequenos mundos em grandes Estados”, como é o caso de Trump. Qualquer país, seja ele capitalista ou socialista, deve manter compromissos de preservação ambiental, em âmbito global. Sobre a possibilidade, aventada por Ernesto Araújo, de o climatismo ser uma trama marxista, a coisa chega a ser risível. A ciência registra o aumento significativo da temperatura do planeta a partir de 1750, data que marca o início da Revolução Industrial, na Inglaterra. Marx nem tinha nascido. O uso de combustíveis que emitem gases formados por moléculas que absorvem calor e, consequentemente, aquecem o planeta, nada tem de cético, dogmático ou ideológico. É puramente científico. E tudo isso começou exatamente com o avanço do capitalismo e, portanto, nada tem de “conspiração marxista”. A menos que o dióxido de carbono e o metano sejam “gases comunistas”. Mas isso, por enquanto, a ciência ainda não comprovou.

A JURISPRUDÊNCIA DA DESCULPA

desculpa“Pode contar com a gente. No calor dos acontecimentos, às vezes a gente se excede.” (Jair Bolsonaro, Presidente eleito, em 12 de novembro de 2018, em seu pedido de desculpas à Ministra Rosa Weber, por ter duvidado da lisura das urnas eletrônicas).

Para uns, o peso implacável da caneta da toga. Para outros, uma aceitação de pedido de desculpas. Parece que o Judiciário brasileiro criou uma nova jurisprudência de algo não previsto no artigo 5º da Constituição. Trata-se das desculpas concedidas a quem confessa crimes. Ontem, foi a vez de Bolsonaro. Em visita ao STF, diante dos Ministros da Corte, o Presidente eleito desculpou-se com a Ministra Rosa Weber por ter duvidado, durante toda campanha, da lisura das urnas eletrônicas, pondo em cheque todo o processo eleitoral e provocando um ambiente de insegurança e instabilidade ao pleito, inclusive ameaçando não aceitar o resultado em caso de derrota. Acabou eleito com 10 milhões de votos à frente de Haddad. Ontem pediu desculpas à Ministra, que também preside o TSE. Desculpas concedidas.

O mesmo expediente já havia sido utilizado, com sucesso, por Onyx Lorenzoni. Criminoso confesso em prática de “caixa 2”, crime que, segundo Sérgio Moro, é mais grave do que corrupção, Lorenzoni, logo depois de admitir o crime em um vídeo, foi desculpado pelo “isento” Sérgio Moro. Ainda que Moro considere que o que Lorenzoni cometeu foi mais grave do que o  motivo pelo qual ele próprio condenou Lula. Novamente, desculpas concedidas e criminoso confesso e juiz serão “felizes para sempre” como colegas de de trabalho no Ministério de Bolsonaro. Mas tudo indica que Lorenzoni terá que renovar e reforçar seu pedido de desculpas ao seu companheiro de Ministério. Isso porque uma planilha da JBS indica que Onyx teria recebido o dobro do que havia confessado. Então, ao invés dos 100 mil, seriam 200 mil. Claro, bastará pedir desculpas ao Moro e vida que segue. Só um detalhe: o ex-tesoureiro do PT,  João Vaccari Neto, foi preso pelo crime de “caixa 2”.

Quando o filho “zero dois” de Bolsonaro esculachou e vilipendiou o Supremo, ao dizer que “bastaria um cabo e um soldado para fechar o STF”  houve muita indignação. Mas logo vieram os pedidos de desculpas e vida que segue. O próprio Sérgio Moro também pediu desculpas em outra ocasião, quando, criminosamente, vazou um grampo telefônico envolvendo Lula e Dilma, e também foi perdoado pelo STF.

Já que é assim, eu também quero ser beneficiário dessa nova jusrisprudência criada, ainda que informalmente, pela Justiça brasileira, porém, muito eficaz. Em 2016, quando um juiz de Sergipe, chamado Marcelo Montalvão, determinou o bloqueio do WahtsApp no Brasil, eu mesmo falei horrores do magistrado. Mas agora peço as minhas sinceras desculpas. Se a medida daquele sábio magistrado estivesse valendo, muita desgraça não teria acontecido no Brasil. Só não sei onde, nesse momento, estariam aqueles que hoje, descaradamente, pedem desculpas…