PRÁ CASA NÃO, MATTEO!

esquerda“Mandaram a esquerda para casa.” (Matteo Salvini, Vice-Primeiro-Ministro da Itália e líder da extrema-direita italiana, parabenizando Bolsonaro pela vitória).

Não, Matteo. A esquerda brasileira não foi mandada para casa. Ao contrário, mostrou-se bastante forte e resistente. Uma derrota eleitoral na corrida presidencial não significou, em hipótese alguma, a ida da esquerda para casa. Comecemos pelo PT, o grande protagonista da esquerda. É o único partido que, desde 1989, ganhou 4 eleições presidenciais e ficou em segundo lugar em duas. Em 2018, depois de ter sido bombardeado pelo Poder Judiciário, Ministério Público e pela mídia, tornou-se odiado, sendo identificado como “o partido da corrupção”, “título” que deveria ser dividido com tantos outros. Teve uma Presidente da República impichada, seu maior líder preso e, ainda assim, chegou ao segundo turno da eleição presidencial, tendo recebido mais de 47 milhões de votos ou 45%. Foi o partido que mais elegeu governadores (4) e fez a maior bancada na Câmara dos Deputados (56 representantes). Não, Matteo, o PT não foi para casa. E nem a esquerda, de um modo geral.

Ao contrário do que o amigo e correligionário italiano de Bolsonaro afirmou, a esquerda está no Congresso, nos governos estaduais, nas Assembleias Legislativas e nas ruas e o futuro governo Bolsonaro terá que ter a devida interlocução com ela. Principalmente porque o PSL e seus aliados dificilmente possuirão os 3/5 votos necessários na Câmara dos Deputados para as principais reformas anunciadas, que dependem de emendas constitucionais. E, pelo que já vemos em termos de “prévias” dos acontecimentos, tomando-se por base o que já falaram Paulo Guedes (futuro Ministro da Fazenda) e Onix Lorenzoni (futuro chefe da Casa Civil), acredito que, em muitos momentos, a esquerda deverá ser mais defensora dos interesses de muitos eleitores de Bolsonaro do que a própria base do governo. Onyx Lorenzoni considera a reforma da previdência de Temer insuficiente, o que significa que deverá vir uma ainda mais impopular. Quem serão os sacrificados? Quais “privilégios” serão cortados e de quem? A tal “carteira verde e amarela” será a oficialização da perda “voluntária” de vários direitos trabalhistas. Aliás, isso já era uma promessa clara de campanha: “o trabalhador deverá escolher entre emprego ou direitos, os dois não dá.” As privatizações já anunciadas por Paulo Guedes, bem como a “redução do Estado”, beneficiarão a quem? E quem será prejudicado? Onde ficarão a soberania e os interesses nacionais? Para acompanhar tudo isso, a oposição não irá para casa.

Ao contrário de 2014, quando o candidato perdedor ameaçou o país, dizendo que “incendiaria o Brasil e não deixaria Dilma governar”, tudo em conluio com Eduardo Cunha, Bolsonaro já foi parabenizado e recebeu votos de boa sorte de Haddad, através do twitter. Porém, está enganado quem disse que a esquerda foi mandada para casa. Basta ver os resultados eleitorais. Prá casa não, Matteo!

 

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