UFF ANTIFASCISTA

uff antifascistaSerá que uma bandeira repudiando o fascismo, apenas isso, pode ser considerada como propaganda eleitoral? E se for uma bandeira que, ao invés de repudiar o fascismo, exaltasse a democracia, também seria considerada propaganda eleitoral? A democracia e o antifascismo não seriam “cláusulas pétreas” de nossos valores políticos?

A atitude do TRE, de mandar retirar uma bandeira da Faculdade de Direito da UFF (Universidade Federal Fluminense) que trazia apenas a inscrição “Direito UFF – Antifascista” foi vista como muito estranha por alunos e professores da instituição. A bandeira não trazia qualquer menção a nome de candidato, partido político ou número. Então, como poderia se considerada “propaganda eleitoral irregular”? A bandeira foi retirada, por ordem dos fiscais, na noite da última terça-feira, dia 23. Segundo denúncias, estaria sendo realizado um evento político na universidade, o que não é verdade. Ao contrário, no momento da chegada dos fiscais, as aulas transcorriam normalmente e nenhum evento acontecia. Apenas, a faculdade funcionava e havia uma bandeira antifascista na fachada do prédio. Antifascismo, aliás, que deveria ser a palavra de ordem de todo aquele que luta pela democracia. Para a Justiça Eleitoral, no entanto, a bandeira seria uma propaganda contra Bolsonaro.

O mais interessante de tudo isso é que se uma bandeira que apenas repudia o fascismo, e nada mais, é considerada, segundo a Justiça Eleitoral, uma propaganda contra Bolsonaro, então a própria Justiça Eleitoral está assumindo que Bolsonaro é fascista. O que nos faz concluir então que a Justiça Eleitoral assumiu que há um  candidato fascista na disputa, e esse é Bolsonaro.

A 199ª Zona Eleitoral, responsável pela operação, emitiu uma nota informando que havia um “evento” no local, o que justificaria a operação. Porém, os fiscais não presenciaram nenhum evento e acabaram interpretando o “Antifascismo” estampado na bandeira como propaganda eleitoral. A ação revoltou estudantes e professores. A nota emitida pela Justiça Eleitoral também não fazia qualquer referência à retirada da bandeira, que acabou sendo recolocada no prédio.

O grande problema, no entanto, é uma dúvida que temos, e que receamos que esteja se tornando certeza: as ameaças feitas ao Judiciário pelo filho de Bolsonaro e pelo coronel Carlos Alves estariam, de alguma maneira, intimidando a Justiça Eleitoral? Ontem, por exemplo, o próprio Haddad foi impedido de dar uma entrevista à Globo, já que Bolsonaro, por livre e espontânea vontade, não quer ir ao debate. Tudo muito estranho. Mais do que retirar uma bandeira antifascista. Mesmo porque essa já foi recolocada. Mas muita coisa tem que ser recolocada em seus lugares. A começar pela severidade, coragem e mãos pesadas do Judiciário, que afirmou “não ter conseguido ver” o caixa 2 do “Zapgate”. Mas foi rápido e severo para ver e retirar uma bandeira que sequer mencionava nome de candidato ou partido. Estranho, muito estranho. Até porque começou com um soldado e um cabo. Depois, foi a vez do coronel… Mais do que nunca, temos que empunhar a bandeira antifascista!

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