SILÊNCIO E MORDAÇA

mordaça“Por que não podíamos fazer pergunta? Eu achei humilhante e por isso estou saindo do programa. Foi um prazer trabalhar aqui por 10 anos.” (Juremir Machado, jornalista da Rádio Guaíba, de Porto Alegre, ao ser impedido de fazer perguntas a Bolsonaro em uma “entrevista”, em 23 de outubro de 2018).

Imaginem três jornalistas que são convocados para participarem de uma entrevista. Porém, durante a entrevista eles não podem fazer perguntas. Teriam que ser apenas meros ouvintes. O silêncio dos “entrevistadores” foi uma condição que o candidato da extrema-direita, Jair Bolsonaro, impôs para dar uma “entrevista” à Rádio Guaíba de Porto Alegre, onde apenas o âncora do programa, Rogério Mendelski, poderia fazer perguntas. E, ao que tudo indica, perguntas já combinadas.

A ausência total de Bolsonaro em debates, sem ter que enfrentar o contraditório, sem ter que explicar suas “propostas”, que limitam-se a clichês agressivos e de apelos emocionais, as entrevistas negociadas em que não há opositores ou perguntas que o cobrem, vem sendo a tônica em sua campanha. Debates foram cancelados em emissoras de TV pela deliberada ausência do candidato, quebrando uma tradição de quase 30 anos de debates entre os candidatos a Presidente da República no segundo turno.

Se a eleição já está ganha, como ele e seus séquitos afirmam, então por que não debater? Porém, ontem a coisa foi muito além: nem mesmo em uma simples entrevista para uma rádio, sem ter seu opositor “in loco”, podendo consultar escritos sem precisar escrever na mão e no conforto de sua casa, poderia ter perguntas dos jornalistas . A lei da mordaça já vigora na prática. Fico imaginando, no caso de sua eleição, como seria uma entrevista coletiva, se é que ela existiria. Talvez ele só desse entrevista para a Agência Nacional.

Ninguém, nem mesmo seus fanáticos e hipnotizados eleitores são capazes de expor sequer uma única proposta de Bolsonaro, para além dos habituais clichês agressivos e ofensivos. Porque nem eles as conhecem. Tudo se resume a “ódio ao PT”, “Brasil acima de tudo”, “Vamos metralhar a petralhada” e “Deus acima de todos”. Impor o silêncio de jornalistas como condição para uma “entrevista” é falar “o mesmo do mesmo para os mesmos”. Assim, ele quer que as urnas lhe passem um cheque em branco. Que custará caro, muito caro aos seus signatários.

Receio que aquilo que eles tanto temem e sempre chamaram de “Venezuela” já esteja, de fato, acontecendo no Brasil. Como acima de tudo, inclusive do Brasil, só “Deus”, então, ele só deverá dar satisfações ao “Pai Eterno”. E as entrevistas com “Ele” serão muito, muito mais agradáveis. E, claro, quem duvidar será “banido e metralhado”. E não terá sequer “advertência” para nenhum “garoto”, ainda que com “apenas” 34 anos de idade.

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