A PÁTRIA DESBOTADA

a pátria desbotada“Esses marginais vermelhos serão banidos de nossa Pátria!” (Jair Bolsonaro, em raivoso discurso transmitido a seus seguidores na Avenida Paulista, em 21 de outubro de 2018).

“Minha bandeira jamais será vermelha!” (Palavra de ordem dos ultra-nacionalistas, cromófobos e fascistas seguidores de Bolsonaro).

Imaginem por exemplo se, na Argentina, alguém falasse que iria “banir os marginais prateados do país”. Ora, a palavra “Argentina” origina-se do latim “Argentum”, que significa prata. Daí, o símbolo químico da prata ser Ag. O nome do país vizinho originou-se exatamente daí. Os colonizadores espanhóis encontraram o metal precioso em grande quantidade nas terras portenhas. Logo, se Argentina é prata, então os argentinos são prateados e, assim, se alguém na Argentina disser que vai exterminar ou banir os prateados daquele país, certamente um genocídio estaria sendo anunciado.

No último domingo, dia 21, o candidato fascista Jair Bolsonaro, usando o discurso igualmente fascista e cromófobo que tomou conta de sua campanha, ameaçou banir do Brasil aqueles que chamou de “marginais vermelhos”. Em outro discurso igualmente raivoso, o líder fascista, ensandecido, também já havia falado que iria “metralhar os vermelhos”. Sua claque, a todo momento grita que a bandeira de nosso país jamais será vermelha. Será que eles conhecem a origem do nome “Brasil”?

 Caesalpina echinata é o nome da árvore do pau-brasil, de onde procede o nome de nosso país. A árvore, desde a Idade Média já era explorada pelos europeus e era muito valorizada porque do miolo de seu tronco extraía-se uma tinta vermelha empregada nas tinturarias (estabelecimentos que tingiam os tecidos). A valorização do pau-brasil remonta a uma época em que ainda não existiam corantes químicos sintetizados e, assim, para tingir os tecidos de vermelho, o pau-brasil era o único recurso. Foi essa tinta que garantiu o glamour da nobreza de vários países. Os cartógrafos e navegadores medievais já imaginavam a existência de um “Bosque Vermelho”, situado entre a Irlanda e o arquipélago dos Açores, que seria a região onde mais existiriam exemplares da árvore e, por isso, muito rica. Certamente, se vivesse naquela época, Bolsonaro mandaria bombardear esse bosque, mesmo sendo ele apenas imaginário. E é exatamente daí que vem a palavra “Brasil”: vermelho, cor de brasa. Então, Brasil é vermelho e, por conseguinte, os brasileiros são, etimologicamente, vermelhos. Ao ameaçar banir os vermelhos do Brasil, o candidato fascista está ameaçando a todos pois, por definição, todos os brasileiros são vermelhos. O que ele vai querer que “seus professores de história” falem no ensino à distância que pretende implantar? E se os professores explicarem o significado da palavra “Brasil”, seriam banidos pelo “Escola Sem Partido” por propaganda “comunista”?

Em um eventual governo Bolsonaro, será que a “rubrofobia” o levaria a querer mudar o nome de nosso país? E, já que ele se preocupa tanto com as crianças, qual seria o destino do Chapeuzinho Vermelho? E o Papai Noel, será que ainda poderia continuar fazendo a festa da criançada? Sabemos ainda que Bolsonaro não tem nenhum compromisso com o meio ambiente e, assim, tememos que ele decrete a extinção definitiva das árvores de pau-brasil que ainda sobrevivem.  Brincadeiras à parte, a coisa é séria, muito séria. Com “a faixa quase na mão”, como ele mesmo já disse, e assim se sente, talvez fosse o momento exato para moderar o tom agressivo de seu discurso. Mas essa não parece ser, de modo algum, a sua índole.

O Judiciário, ameaçado e achincalhado por seu filho, parece ter capitulado e curvou-se ao autoritarismo de fato. A “rigorosa” Procuradora Raquel Dodge reagiu sutilmente à humilhação de Eduardo Bolsonaro quanto ao fechamento do STF por “dois meganhas sem jipe”. “Os índios não terão 1 centímetro de terra”. “O Brasil será retirado do Acordo de Paris e não se comprometerá para evitar o aquecimento global”. “A Amazônia não será nossa”“Agricultura e meio ambiente formarão um único Ministério, tendo à frente um ruralista.” “A caça será liberada”. O Brasil parece já estar ficando pálido, desbotado. E os “vermelhos” ainda nem foram fuzilados…

 

 

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